CONHECENDO NOSSO CATEQUIZANDO (0-6 ANOS)
Introdução
Antes de ministrarmos qualquer
tipo de ensino, é necessário conhecermos as pessoas
a quem nos dirigimos.
Para que a criança possa
amadurecer na fé precisamos levar o conteúdo da
mensagem cristã adaptado ao seu desenvolvimento cognitivo,
psicológico, sócio-cultural e religioso. Por isso,
vamos caracterizar a situação existencial da criança
para depois indicar algumas alternativas da ação
catequética.
1. O Valor da Infância
“A infância é
considerada como um período da vida que tem valor em
si mesmo. A criança não é um adulto em
miniatura, mas sim, um indivíduo que deve ser amado e
respeitado de acordo com suas necessidades e direitos específicos.”
(1)
2. Ciências que colaboraram
para a atual compreensão da infância
A – Psicologia
Lançou uma nova luz
sobre a motivação, o desenvolvimento moral e religioso,
o dinamismo da aprendizagem através de processos e etapas.
B – Sociologia
Ajudou a descobrir a influência
do ambiente, o valor do grupo, a pressão social.
Todos sabemos que o ser humano
do nascimento até a morte está em constante desenvolvimento
e que este desenvolvimento se dá em etapas ou fases.
Podemos situar a primeira fase
como Primeira Infância que vai mais ou menos de 0 a 6
anos. Há alguns psicólogos que a subdividem em
duas etapas: 0 - 3 anos e 3 - 6 anos.
3. Características
desta Fase:
A criança aprende através
de experiências sensoriais, isto é, vendo, apalpando,
ouvindo, movimentando-se. Fala com o corpo todo e ouve com o
corpo todo.
Além disso, apresenta
outras características:
O egocentrismo:
“Criança pequena
não é egoísta. Ela é egocêntrica.
Isso quer dizer que ela pensa que tudo existe por causa dela,
para ela, por ela. Toda criança acredita que tudo acontece
porque ela existe. Só quando ela aprende a conviver com
outras pessoas é que aprende as regras da convivência
e deixa de ser egocêntrica”. O educador da fé
deve solicitá-la para o exercício da cooperação.
A capacidade de fantasiar:
“Nada teria sido inventado
e muito pouco descoberto sem o uso da fantasia. Imaginar e fantasiar
são direitos da criança porque fazem ela sonhar,
criar, duvidar, divergir, discordar das coisas estabelecidas
e tentar mudá-las. Toda criança imagina e fantasia”.
Ainda não faz diferenciação entre o mundo
real e o imaginário. Assim, a criança faz com
que os animais, os objetos, as plantas “vivam”,
pensem, falem, como se fossem seres humanos. Vive no mundo do
“faz de conta”.
A imitação:
A criança revela fielmente
o seu meio através de gestos imitativos da atitude dos
irmãos, dos colegas, dos adultos que a cercam, principalmente
através de gestos dos pais.
A afetividade:
A criança tem grande
necessidade de carinho. Através de gestos concretos de
amor dos pais, catequistas, professores a criança será
capaz de se desenvolver com maior segurança e estabilidade
emocional.
A auto-identidade:
Por volta dos 3 anos a criança
já revela sua identidade pessoal.
“Educar a criança
é transmitir-lhe amor e segurança, o que lhe dará
confiança para investigar, explorar, descobrir e desenvolver-se
com liberdade para ser, para estar e para viver.”
Aos poucos, a criança
toma consciência do seu corpo e da sua individualidade
durante seu desenvolvimento pessoal. A educação
da fé deve colaborar também para esta descoberta
levando o catequizando a fazer, pouco a pouco, a experiência
de Deus em sua vida.
“Um momento muitas vezes
decisivo é aquele em que as criancinhas recebem dos pais
e do meio ambiente familiar os primeiros elementos da catequese,
os quais não serão mais, talvez, do que uma simples
revelação do Pai celeste, bom e providente, no
sentido do qual tais criancinhas hão de aprender a voltar
o coração.” (CT - 36)
A brincadeira:
“Os adultos têm
dificuldade de reconhecer o direito de brincar, e de reconhecer
que brincar é o trabalho da criança. Brincar é
uma necessidade, uma forma de expressão, de aprendizado
e de experiência. Todas as crianças em todo o mundo,
mesmo nas mais terríveis condições de dificuldade,
pobreza e proibição, brincam. Para aprender, ganhar
experiência, exercitar sua criatividade e fantasia, desenvolver-se.
Brincando é que a criança organiza o mundo, domina
papéis e situações e se prepara para o
futuro.”
Viver o presente:
A construção
da noção de tempo, se faz pela experiência
e ação da criança que, em seus primeiros
anos de vida vive o presente de forma intensa. Cabe ao educador
da fé valorizar e aproveitar bem o momento presente a
fim de que a criança se desenvolva diariamente e possa
perceber a presença amorosa de Deus em todos os momentos
de sua vida.
4 - A educação
da fé
A educação da
fé pode ser realizada de maneira mais estruturada, mas
é sobretudo ocasional, já que a criança
vive o momento presente. Os pais e catequistas podem aproveitar
as festas litúrgicas e as do calendário civil,
os acontecimentos do dia a dia.
Diz-nos o Papa João
Paulo II, na Exortação Apostólica “Familiaris
Consortio”: “Pela força do ministério
da educação, os pais mediante o testemunho de
vida são os primeiros arautos do Evangelho junto aos
filhos.” (2)
É importante ressaltar
que a educação religiosa da criança deve
realizar - se na escola ou na Igreja, porém sempre ligada
com a família, da qual depende principalmente o crescimento
da fé nesta idade.
5 - A oração
A oração tem
como objetivo reconhecer o amor de Deus, desenvolver a confiança
que devemos depositar n’Ele, e sermos agradecidos por
tudo que ele fez e faz por nós. As crianças têm
o direito de aprenderem a rezar. Os adultos devem educar os
pequeninos a exprimirem de forma espontânea os seus sentimentos
através de orações de agradecimento, louvor,
perdão ou pedido de ajuda. “Brevíssimas
orações que as crianças hão de aprender
a balbuciar, constituirão o início de um diálogo
amoroso com aquele Deus escondido de que elas vão começar
em seguida a ouvir a Palavra.” (CT 36). (3)
6 - Atividades
Desenho livre, modelagem, dramatização,
jogos, pintura, dobradura, colagem, música com gestos,
música ilustrada, passeios,....
7 - Idéias essenciais
da catequese neste período
A criança pequena tem
necessidade de ser amada e de amar; é capaz de se maravilhar
ao olhar o mundo que a cerca. Pode, portanto, crer em Deus Pai,
criador de tudo o que existe. Através do amor dos pais,
ela perceberá o amor de Deus. Por isso as idéias
essenciais para a catequese deste período poderão
ser: Eu sou uma pessoa amada por Deus. Deus criou o mundo por
amor.
Notas:
1 - Revista de Catequese, número
34, Ed. Salesiana. 1985.
2 - Exortação
Apostólica Familiaris Consortio (“A missão
da família cristã no mundo de hoje”) –
Papa João Paulo II. 1981.
3 - Exortação
Apostólica Catechesi Tradendae (“A catequese hoje”)
– Papa João Paulo II. 1979.