Se eu tivesse um filho, queria que ele fosse como
um pé de milho.
Ele cresceria bem enraizado na terra e com a cabeça
alta, sonhadora; com o corpo erguido, ereto,
mas não orgulhosamente inflexível (nem
carvalho, nem caniço).
Sem nunca perder a compostura, seus braços
ativos mostrariam toda sua sensibilidade.
Consciente de seu vigor-esperança no verde
de sua
juventude, seria positivo doador de frutos no ouro
da idade madura.
Se eu tivesse um filho, cuidaria dele como dum pé
de milho: limparia o chão ao seu redor, mas
também
o deixaria crescer na sua identidade soberana.
Procuraria favorecer seu diálogo com o sol,
de
onde lhe vem a vida. Eu o colocaria no campo-escola
junto com os demais, sem distinção
(ai dos sozinhos! ai dos mimados!).
Se eu tivesse
um filho, gostaria dele com um coração
do tamanho
da maior espiga, com os grãos das
boas obras como suas únicas jóias.
Se eu tivesse um filho...
Arnaldo Del Piva São Paulo - SP
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