Mãe, um dia você me
pôs no mundo,
cantando acalentou meus sonhos,
sorrindo me alimentou.
Na minha ingenuidade de criança,
eu não podia compreender que,
enquanto eu me alimentava,
você não tinha o que comer;
enquanto eu dormia,
você pensava no amanhã.
Mãe, um dia você me pôs no mundo,
e eu cresci.
Julgando-me homem, segui
por caminhos
que você não ensinou...
Mãe, confesso que errei
e hoje volto para lhe pedir perdão.
Passei na nossa casa,
onde a vi pela última vez.
Ela está suja, cheia de mato;
a varanda quebrada;
as janelas, que ficavam
abertas ao sol,
estão todas fechadas.
Demorei muito para encontrar
sua nova casa.
Quando a encontrei, em meio à clareira,
senti minhas pernas tremerem.
Deu-me uma vontade imensa de ir embora,
de sair correndo.
A té que, não sei como,
consegui me aproximar;
lentamente, passo aposso,
lembrando cada momento,
e tudo o que você foi para mim.
E, agora, frente a frente,
peco-lhe perdão,
com uma vontade imensa de abraçá-la,
de beijar-lhe a face,
afagar seus cabelos,
de mais uma vez dizer; Errei!
Mas, que pena!
Você não pode mais me
ouvir.
Por isso, deixo-lhe esta rosa,
na esperança de um dia encontrá-la
num lugar longe, bem distante daqui.
Stanislau Bobowski
Santo André - SP
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