Da santa face a história é lida na
Paixão.
Gravada na memória, não sai do coração.
A face iluminada na transfiguração,
comprova, antecipada, nossa ressurreição.
A face sempre amiga do mais fiel Senhor,
por Judas foi traída num beijo sem amor.
A face contundida por tapa e bofetão,
à turba enfurecida responde com perdão.
A face até cuspida do Servo de Javé,
redime, enobrecida, a vida vil, sem fé.
A face maltratada com tanto desamor,
ficou toda orvalhada de sangue redentor.
A face tão querida do Filho seu, Jesus,
a Mãe vê, afligida, na via para a cruz.
A face enrubescida em sangue de Jesus,
num lenço esculpida, Verônica seduz.
A face tão serena do seu rabi, Jesus,
Maria Madalena contempla aos pés da cruz.
A face esvaecida do Mestre seu, Jesus,
a plebe, condoída, pranteia junto à
cruz.
A face, contemplada, nos leva ao coração
aberto
na lançada; cumpriu-se a Redenção.
A face extenuada, em febres e ardor, expira,
inclinada. Morreu por nosso amor.
À face que morreu com o beijo da traição,
da Mãe o beijo deu maior exaltação.
Aury Azelio Brunetti São
Paulo-SP
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