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A dureza das palavras
Por: DOM PAULO MENDES PEIXOTO
BISPO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP
www.bispado.org.br
 
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Sabemos e conhecemos a força das palavras, que convencem quando ditas por quem tem verdadeira e autêntica autoridade. Elas podem ter dupla interpretação e causar na comunidade e nas pessoas consequências positivas ou negativas. Mas devem ser bem entendidas, especialmente por aqueles que são os seus reais destinatários.

Na dimensão cristã e bíblica, as palavras do Mestre Jesus eram muito exigentes. Elas não passavam de uma convocação para o seguimento, com exigências muito fortes, causando em muitos um total desânimo e até desistência. Um dos apóstolos, Pedro, permanece firme, vendo nas palavras de Jesus Cristo "palavras de vida eterna".

A opção por Jesus Cristo exige adesão completa, radical e absoluta. Na atualidade, isto é cada vez mais difícil. Muitas pessoas preferem ficar no campo das curas e dos milagres, mas não de um exigente compromisso com a comunidade. Para quê enfrentar dificuldade e sofrimento? É a mentalidade da vida fácil e descartável. Portanto, não é fácil seguir Jesus Cristo.

O seguimento supõe enfrentar uma nova identidade social e cultural, que não é a do mundo moderno, aquela que busca uma vida afortunada e atitude de prosperidade superficial, econômica e cômoda. A proposta de Jesus Cristo é exigente, que engloba o compromisso de amor e de doação da própria vida.

Com medo das exigências, muitos vão embora. Jesus disse aos apóstolos: "Vocês também querem ir?". Qual é a nossa decisão hoje diante das propostas do Evangelho? Temos que fazer uma opção entre o projeto de Deus e as propostas que o mundo nos oferece, que nem sempre estão de acordo com os valores éticos e nem promovem a cultura da paz. Estamos na cultura do fácil e do maravilhoso, sem sacrifício e sem renúncias verdadeiras.

A sociedade tem propostas muito atraentes e que encantam todas as pessoas. Muitas vezes somos iludidos por isto e perdemos o rumo da história, perdendo até a nossa própria identidade como pessoas cristãs e humanas. Seguimos a força das palavras do mando e nos desviamos da Palavra de Deus.



 
 
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