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A paz é fruto da justiça
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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Na próxima quarta-feira de Cinzas a Igreja no Brasil lança mais uma Campanha da Fraternidade. Queremos pedir justiça e segurança na paz. A Campanha da Fraternidade de 2009 tem como Tema: Fraternidade e Segurança Pública e como Lema: “A paz é fruto da justiça”(Is 32,17).

A Campanha da Fraternidade é promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 1954. A edição de 2009, segundo a própria conferência, tem o objetivo de “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos.” (CF 2009).

Uma das preocupações mais tangentes desta Campanha da Fraternidade é a situação precária do sistema prisional brasileiro. Muitos aprisionados já tem a sua pena cumprida, outros necessitam de progressão de regime e muitos outros entram na cadeia ou na Penitenciária por crimes que poderiam ser punidos com penas alternativas, como aqueles que roubam galinha ou um pão de forma e ficam trancados por mais de um ano em penitenciárias. A Igreja no Brasil propõe uma reforma profunda no sistema jurídico penal e, consequentemente, no sistema de processo penal vigente, ambos já obsoletos diante da multiforme ação de crimes que surgem dia a dia na sociedade da era eletrônica.

O governo, em todos os seus âmbitos, assiste passivo ante a insegurança reinante em nossa sociedade hodierna. Os cidadãos são prisioneiros de suas casas ou condomínios minimamente protegidos por segurança privada em flagrante oposição aos grandes conglomerados da periferia que vive a violência, o tráfico, as milícias e a permanente ausência do Estado.

Para que o objetivo geral seja atingido, segundo a CNBB, são propostos objetivos específicos: 1. Desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que possam se sensibilizar e se mobilizar, assumindo sua responsabilidade pessoal no que diz respeito ao problema da violência e à promoção da cultura da paz. 2. Denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos da prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para crimes comuns. 3. Fortalecer a ação educativa e evangelizadora, objetivando a construção da cultura da paz, a conscientização sobre a negação de direitos como causa da violência e o rompimento com as visões de guerra, as quais erigem a violência como solução para a violência. 4. Denunciar a predominância do modelo punitivo presente no sistema penal brasileiro, expressão de mera vingança, a fim de incorporar ações educativas, penas alternativas e fóruns de mediação de conflitos que visem à superação dos problemas e à aplicação da justiça restaurativa. 5. Favorecer a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas públicas com vistas à superação da violência e de suas causas e à difusão da cultura da paz. 6. Desenvolver ações que visem à superação das causas e dos fatores da insegurança. 7. Despertar o agir solidário para com as vítimas da violência. 8. Apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos.

O Profeta Isaías diz que Deus combate o violento e o aniquila. Os profetas protestam contra a violência. Fomos criados para a comunhão com Deus e para com os irmãos. Está faltando a comunhão até dentro da Igreja para que se tenha justiça. “A Paz é Fruto da Justiça”(Is 32,17). Todo ato de injustiça e desamor é pecado e fonte de violência. Ela sempre aparece quando é negado à pessoa aquilo que lhe é de direito a partir de sua dignidade ou quando a convivência humana é direcionada para o mal. A violência nega a ordem querida por Deus(Cf. Texto Base, n. 197).

Três pontos são urgentes no contexto de violência atual: Segundo o exemplo do Evangelista Mateus somos convidados fazer-se criança, despojar-se de todos os preconceitos e alguns conceitos que vivemos em função deles. Em segundo lugar somos chamados a perdoar sempre, particularmente aquele que prevarica ou comete crime, procurando a sua recuperação plena. Por fim, seguindo as trilhas dos primeiros cristãos somos chamados a fidelidade na prática da Justiça para levar a Paz.

Vivenciar a Campanha da Fraternidade 2009 é promover a cultura da paz e da segurança sem violência. “A paz e a segurança, mais do que discursos ou conjunto de propostas, deve constituir-se em mentalidade que determine o modo de pensar e de agir de todas as pessoas, deve ser expressão de uma cultura. Essa responsabilidade é colocada à frente de todos pela Campanha da Fraternidade deste ano”(cf. Texto Base n. 242). Que Deus nos ajude a construir novos caminhos de justiça, solidariedade, sistema penal que educa e recoloca o detento dentro do contexto social. Que a violência dê lugar à paz numa sociedade fraterna, pacífica e que valorize o direito como forma de vivência comunitária. Nesse sentido, no dia 05 de abril de 2009, somos chamados a participara da Coleta da Solidariedade. Com a sua ajuda a Igreja poderá desenvolver projetos de capacitação contra a violência e em favor da vida. Seja solidário e que possamos fazer a experiência do Ressuscitado que deu a sua vida pela humanidade e nos ensina a viver em solidariedade, fraternidade, respeito ao outro, na busca de mediação pacífica dos conflitos. Assim seja!



 
 
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