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Deixai vir a mim os pequeninos
Por: Ms. VANDERSON DE SOUSA SILVA
MESTRE EM TEOLOGIA LITÚRGICA Rio de Janeiro
Contato: semvanderson@hotmail.com
 
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Reflexões sobre a caridade de Cristo e da Igreja

Alguns alunos e amigos me solicitaram uma reflexão pessoal sobre as recentes posições de alguns líderes religiosos sobre a relação homossexualidade e Igreja. Assim, faço conhecer minha reflexão pessoal. A tarefa do teólogo é auxiliar o Povo de Deus a compreender a Verdade do Evangelho que é Cristo, na fidelidade à Igreja, mas com uma reflexão que se paute nos valores do Evangelho e do magistério eclesial. A reflexão é pessoal e se submete integralmente ao contraditório da autoridade eclesial. Delicada temática abordada, mas urge uma reflexão. Nosso desejo é apenas clarear a situação à luz da caridade de Cristo e da Igreja. Quantos não são os problemas enfrentados na pastoral catequética pelo catequista em relação ao tema da homossexualidade? E ao mesmo tempo não se sabe bem o que fazer! Eis a reflexão:

A Igreja existe para que? A respondas seriam as mais variadas, contudo, a Igreja existe para ser sinal (sacramento) de Cristo no mundo. Existe para anunciar a Boa Nova da Salvação a todos os homens e mulheres.  E também aos homossexuais o anúncio querigmático da Boa Nova deve ser anunciado. A Igreja é uma comunidade visível em que os pecados de seus membros devem ser purificados constantemente pela vida de conversão. A vocação a santidade é universal, todos os homens e mulheres criados por Deus recebem uma alta vocação – o chamado a serem imagem e semelhança de Deus, ou seja, serem santos! Mas o caminho rumo à santidade encontra quedas e dificuldades. A Igreja é santa como professamos no Credo, mas seus filhos-membros ainda que pelo batismo-crisma sejam inseridos na vida da graça e da santidade, pecam. Mas qual seria a posição da Igreja diante do pecador? Acolhida...

A doutrina da Igreja declara que os desejos ou atrações homossexuais não são intrinsecamente pecaminosas em si mesmas. Eles são consideradas "inclinações desordenadas" que podem conduzir às tentações, para alguém fazer algo que seria o "ato objetivamente pecaminoso" (isto é, a relação homossexual, enquanto ato sexual). No entanto, as tentações não são consideradas pecados em si até que haja consciência do ato e o pleno consentimento da vontade individual que se deleita do mesmo. Nem toda pessoa de orientação homossexual pratica a homossexualidade em si, abstendo-se de tais relações e preferindo uma vida de castidade. Mas a Igreja como mãe sabe da dolorosa situação de muitos de seus filhos e sofre com eles.

A Igreja Católica, oficialmente cobra respeito e amor a aqueles que sentem atrações por pessoas do mesmo sexo, ao mesmo tempo em que se opõe a qualquer tipo de legitimação das uniões homossexuais. Portanto a Igreja Católica se opõe a perseguição e violência contra os homossexuais:

"Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição." (Catecismo da Igreja Católica n. 2358). Para aqueles que têm atração por pessoas do mesmo sexo, a Igreja Católica oferece o seguinte conselho:

"A pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã." (CIC n. 2359). A Igreja Católica Romana considera a castidade um chamado universal.

O servo de Deus Papa João Paulo II durante a alocução por ocasião do Ângelus, em 9 de julho de 2000, dirigindo-se aos fiéis na praça de São Pedro disse:

"Em nome da Igreja de Roma, não posso deixar de exprimir profunda tristeza pela afronta ao Grande Jubileu do Ano 2000 e pela ofensa aos valores cristãos de uma Cidade, que é tão querida ao coração dos católicos do mundo inteiro. A Igreja não pode deixar de falar a verdade, porque faltaria à fidelidade para com Deus Criador e não ajudaria a discernir o que é bem daquilo que é mal. A respeito disto, desejaria limitar-me a ler quanto diz o Catecismo da Igreja Católica que, depois de ter feito observar que os atos de homossexualidade são contrários à lei natural, assim se exprime - "Um número não desprezível de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição (n. 2358).”

O Papa João Paulo II muito bem coloca a difícil situação pastoral dos homossexuais, que não podem ser negligenciados. E os legítimos pastores da Igreja que são os bispos que recebem o múnus de apascentar olham com profundo respeito e amor para qualquer homem e mulher independente de sua constituição. Sabedores da grande tarefa de anuanciar a Verdade, que é Cristo, os bispos proclamam os ensinamentos da Igreja, mas sabem distinguir o pecado do pecador. A exemplo do Divino-Humano mestre sabem acolher os pequeninos, seja qual for sua situação. Amar e acolher são a essência dos ensinamentos de Cristo. Assim urge despertar no seio da Igreja uma consciência do respeito, caridade e acolhida para com o pecador.

O Cristo Bom Pastor deve ser o sinal preclaro para pautar nossas ações eclesiais. Assim, nunca poderemos nos esquecer da palavras do Divino-Humano mestre do pastor que deixou as 99 ovelhas para salvar a que se perdeu, Ele não quer que nenhuma se perca! Eis a missão da Igreja... ir ao encontro da ovelha, não com armas, mas com o colo da acolhida! Sem deixar de propor a Verdade do Evangelho e sem ser relativista, mas cumprindo imperativamente o mantado do amor universal.

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