| 11º Domingo do Tempo Comum – A. |
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
Vigário judicial da Arquidiocese de Juiz de Fora
e presidente do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano |
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“Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo, tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor, não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador!”(cf. Sl. 26, 7.9).
Meus irmãos,
Estamos caminhando no tempo comum, o quotidiano de nossa liturgia que coloca lições diárias de vida cristã para que todos os cristãos procurem a conversão e a mudança de vida, caminhando para a meta de santidade e missão que permeia a vida de discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo para sermos no mundo seus missionários.
A liturgia de hoje nos fala do discipulado ou do apostolado. Dentro desta novidade devemos considerar dois pontos básicos: 1) é o próprio Cristo que convoca os seus apóstolos, daí a afirmação de que o discipulado é uma graça que provém do Onipotente.
O discípulo tem que ter o coração gratuito, generoso, desapegado das coisas do mundo e voltado para as coisas do Alto, deixando de lado a auto-suficiência, colocando o seu ministério a serviço da edificação do Reino de Deus. 2) O discípulo que vai ser enviado deve estar munido de um coração aberto e compreensivo, sempre tendo presente que é necessário ter compaixão e grande compaixão pelo pecador, nunca tendo medo de odiar o pecado, mas sempre receber o pecador de braços abertos, sentindo com o pecador a miséria de sua condição, anunciando-lhe as maravilhas que provém do Senhor da Vida e do Seguimento de Seu projeto de edificação da civilização do amor. Aqui cabe lembrar que Jesus assumiu nossa condição humana para anunciar o tempo da graça.
Irmãos e Irmãs,
Deus quis precisar do homem. Deus quis ter um povo para si, um povo santo, um povo sacerdotal, para santificar o mundo todo em seu nome; um povo que fizesse a sua vontade, realizasse seu reino: UM REINO DE SACERDOTES E UMA NAÇÃO CONSAGRADA. Essa vocação do povo, na ocasião da proclamação da Lei do monte Horeb, prefigura aquela vocação mais plena, que, do alto da montanha da Galiléia, Jesus dirigiu a doze humildes galileus.
Meus irmãos,
O Evangelho de hoje nos fala, em primeiro lugar, do discípulo, que é aquele que aprende. Jesus chama seus discípulos de “sal da terra”, dando-lhes como distintivo o amor mútuo como a oração do Pai Nosso, prometendo-lhe o Reino das Bem-Aventuranças.
Em segundo lugar o Evangelho nos fala, que entre os discípulos, Jesus chamou Apóstolos, que significa o enviado, o mensageiro. É aquele que envia uma mensagem a um destinatário. No Evangelho de hoje Jesus é que envia e quem lhes dá as instruções de como se comportar. A mensagem é o Reino dos Céus e os destinatários são as ovelhas perdidas e sem pastor. O apóstolo não é um mero empregado do culto divino e das obras de exercício espiritual, mas é um prolongamento do Cristo, com uma missão bastante especificada: mostrar presente no meio da comunidade de fiéis o Reino de Deus ou ensinar como torná-lo presente e atuante. Os apóstolos são os embaixadores de Cristo e por isso agem IN PERSONA CHRISTI CAPITAS.
Doze discípulos conforme nos ensina o Evangelho de hoje, numa alusão as doze tribos de Israel, numa simbologia que quer explicar que todos estão representados no Colégio Apostólico. Não foi levado em consideração a origem dos apóstolos, nem a condição pessoal de cada qual, nem a ideologia e nem muito menos a militância religiosa, nem muito menos se eles eram os mais santos e puros da comunidade. De simples pescadores, a cobrador de Impostos, de zelota até o traidor. Jesus demonstrou com isso um coração confiante de compaixão e gratuidade, sempre desarmado aos “chichês” meramente humanos.
Apóstolo ao longo da vida, no quotidiano, no dia a dia, nas pequenas coisas, dilatando nos corações das pessoas a novidade cristã. Guardar primeiro em seu coração a palavra de Deus para anunciá-la para todos os gentios, para as ovelhas perdidas de Israel, anunciando inicialmente para as pessoas de perto, para depois anunciar aos de longe.
A grandeza do missionário se mede por sua consciência em ser porta-voz de Jesus Cristo e, portanto, da grandeza de seus gestos de compaixão e de misericórdia. Bem mais que sua palavra, vale o testemunho de seu comportamento prático. O bom missionário não é aquele que leva a boa notícia da verdade, mas aquele que se identifica por sua vivência da verdade. Por isso Jesus nos convida a combater três males: a doença-lepra; os espíritos imundos-demônio e a morte, que Jesus contrapõe com a ressurreição. Isso porque o Reino de Jesus tendo destruído os três males não se limita à vida aqui. A vida continua depois da morte, pelos séculos dos séculos.
Meus irmãos,
O Pai nos reconciliou consigo pela morte de seu Filho. O cristão é chamado a romper as cadeias do mal, da violência e do pecado. O Apóstolo das Gentes, Paulo sublinha a compaixão, a misericórdia, o amor gratuito de Deus. Deus nos amou enquanto éramos inimigos e deu seu Filho por nós.
Que a liturgia de hoje nos faça entender a missão dos doze apóstolos que não é só deles: porque os doze apóstolos representam todo o mundo, a Igreja, tendo em vista que a missão do apostolado e do discipulado é manifestar o Reino de Deus, a vida nova, a comunhão, o mundo novo iniciado na morte-ressurreição de Jesus pelo derramento do Espirito Santo. Amém!
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