Liturgia Dominical
 
Festa do Batismo do Senhor – B
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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“Batizado o Senhor, os céus se abriram e o Espírito Santo pairou sobre ele sob forma de pomba. E a voz do Pai se fez ouvir: Este é o meu Filho muito amado, nele está todo o meu amor.” (Mt 3,16-17).

Meus irmãos,

Vivemos, hoje, a transição entre o Tempo do Natal e o Tempo Comum. Vamos sair de um tempo de festa e adentrar no tempo das coisas cotidianas, do dia-a-dia de nossa vida.

Neste novo período do ano litúrgico que começamos, somos convidados a refletir sobre o início da atividade evangelizadora de Nosso Senhor Jesus Cristo, a partir de Sua revelação como “Filho de Deus”, numa alusão à nossa filiação divina.

A liturgia gravita neste domingo em torno do FILHO DE DEUS.

A reflexão da leitura dos profetas, retirada de Isaías, descreve o homem justo que animou o povo judeu durante o exílio na Babilônia. O canto de hoje nos fala da eleição do servo querido de Deus, para levar ao povo, e mesmo aos gentios, a verdadeira religião. Verdadeira religião que é o verdadeiro conhecimento de Deus, da Sua misericórdia e da fidelidade de suas promessas para com o seu povo. Um Deus misericordioso para com seus filhos e um Deus fiel que sempre está pronto para fazer com o seu povo uma aliança, restaurando a paz e a felicidade de todos aqueles que se encontram oprimidos e à margem da sociedade.

Irmãos e Irmãs,

Por que Jesus pediu o batismo a João?

Esta interrogação é necessária para nos esclareça e conscientizemos de que Jesus pediu o batismo ao Batista para assumir toda a nossa humanidade, a nossa condição humana. Batizando-se, Jesus participa da condição de pecadores. Jesus não pagou pecados seus, mas os pecados nossos, dos homens e das mulheres: “Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro” (1Pd 2,24).

O Batismo e a Fé são colocados desde os tempos apostólicos como condições essenciais para participar da salvação. Por isso, o batismo de Jesus é como sua investidura pública, sua consagração para a missão messiânica. Essa investidura pública conhecerá o seu ápice com a paixão, morte e ressurreição. O batismo inaugura o caminho da Cruz, que é parte integrante da missão do Cristo.

Hoje somos convidados a refletir que Jesus sai da água como o novo Moisés, para constituir o novo povo eleito, a nova e eterna aliança, para dar a todos os povos a liberdade e instituir o Reino prometido. Tudo isso nós refletimos no trecho de Isaías, que faz uma alusão à água para expressar a abundância dos novos tempos que serão instaurados pelo Cristo Senhor, como uma vida nova, tempo de paz e de prosperidade.

Jesus é a água viva, ou melhor, a fonte da água viva (Jr 2,13). Nós nascemos das águas do batismo e passamos a vida retornando à mesma fonte, na busca constante do rosto do Senhor Deus. Este retorno nos é lembrado sempre que entramos na igreja e nos benzemos com água benta, ou quando temos o ritual da aspersão durante as celebrações.

A Santa Mãe Igreja nos relembra hoje o início da missão de Jesus ou, se assim podemos dizer, o começo de sua missão evangelizadora.

Jesus a começa com o batismo no Jordão. O Batismo de Jesus é como sua investidura pública, sua consagração para a missão messiânica, que será coroada com sua paixão, morte e ressurreição. O batismo inaugura, por assim dizer, o caminho da cruz, que é parte integrante da missão do Cristo. Jesus sai da água como o novo Moisés para constituir o novo povo de Deus, a nova aliança, para dar a todos a liberdade e a Terra Prometida. Não é a água do Jordão que purifica Jesus. É Jesus que santifica a água, como símbolo a vida. Nós nascemos das águas do batismo e passamos a vida retornando à mesma fonte.

O BATISMO nos torna filhos e filhas de Deus. Por meio dele, a Igreja nos acolhe como filhos e filhas. O Direito Canônico nos ensina que todos nós nos tornamos cidadãos do céu, com direitos e deveres, a partir do batismo, que é o pórtico de entrada na fé católica, apostólica e romana, por isso São Paulo nos ensina: “Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo... e sois um em Cristo Jesus” (Gl 3,27-28). Pelo batismo nos tornamos raça eleita, sacerdotes reais, nação santa e povo de propriedade do Senhor (1Pd 2,9).

Irmãos e Irmãs,

O espírito da liturgia de hoje nos leva a ver no homem de Nazaré o servo e filho de Deus, enviado para aliviar a opressão de seu povo e ser, assim, um testemunho da graça de Deus para todas as nações, filho bem amado de Deus, luz para todos os povos. E é com este espírito que ele inicia a sua vida pública.

Todos somos convidados a assumir nosso batismo e buscar com perseverança a mesma coerência entre as palavras e a prática de Jesus. Todos devemos descobrir que o batismo nos insere na grande família, que pode nos levar a descobrir o sentido da vida, tão nebuloso no contexto de hoje. Apontando caminhos de superação das mais diversas formas de desesperanças presentes na sociedade atual, combatendo o secularismo e o hedonismo, vamos construir a sociedade eclesial da esperança em que, pelo batismo, não nos tornemos mais um, mas o verdadeiro fiel, o seguir católico do Senhor da Vida, que se batizou para assumir nossos pecados.

Batismo é isso, é perdão, é acolhimento, é vida da graça em Cristo que na Cruz morreu para a nossa salvação.

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