Liturgia Dominical
 
Domingo da Páscoa – Missa do Dia na Ressurreição do Senhor. – B
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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“Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo: pousaste sobre mim a tua mão, tua sabedoria é admirável, aleluia!”(Cf. Sl 138, 18.5s).

Meus irmãos e Minhas Irmãs no Senhor Ressuscitado!

Aleluia, Jesus Ressuscitou Verdadeiramente, Aleluia!!!

Celebramos neste dia santo o mistério central de nossa vida cristã: a vitória da graça sobre o pecado e a inauguração de um novo tempo, tempo de graça, de santidade, de vida, vida plena e vida eterna. Tempo de esperança e tempo de paz no Senhor Ressuscitado!

Vivemos hoje o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição narrado pelo Evangelista João(Jo 20,1-9) na liturgia deste dia santo. A vida venceu a morte. A ressurreição de Cristo é a consciência dos seus discípulos de que ele vive e não é abandonado pelo Pai, mas confirmado na vida e confirmado também na obra que ele levou a termo. Hoje, Deus dá abertamente razão a Jesus: “Deus ressuscitou-o ao terceiro dia, e tornou-o manifesto...” Hoje congratulamos Cristo, porque Deus mostrou que ele tem razão! É o mesmo sentido que aparece no Evangelho de Emaús, lido na celebração vespertina da missa de hoje: Jesus mesmo mostra que as Sagradas Escrituras prefiguravam seu caminho. Mas agora, Ele vive, e, quando o pedimos, ele fica conosco e se dá a conhecer no “partir o pão”, a celebração da comunidade cristã.

Na missa matutina, o Evangelho é outro: a corrida de Pedro e do misterioso “discípulo amado” ao sepulcro. Pedro tem a precedência, embora o outro impulsionado pelo generoso amor tenha corrido mais rápido. Pedro entra primeiro e vê. O outro vem depois: vê e crê! O amor é que faz reconhecer nos sinais da ausência – as faixas, o sudário, a presença, transformada e gloriosa de Cristo. “Crê, só agora, porque até então não tinha entendido as Escrituras que significam a ressurreição de Cristo dos mortos ao terceiro dia”.

Meus irmãos,
        
Celebramos hoje o grande milagre da nova criação. Domingo é o dia do Senhor, o Dies Domini, dia do Senhor. A ressurreição de Jesus, como também a nossa ressurreição, é assunto de fé. Pode-se buscar explicações e conveniências. Elas estarão sempre aquém do fato divino. É diferente do brotar do trigo no campo e dos astros que se mantém no espaço. Porque eles tem explicações. A Páscoa não se explica. A Páscoa se crê. É o maior dos milagres. Só a fé é capaz de assimilá-lo.

Diante do milagre as palavras se apequenam. Compreende-se a sobriedade dos Evangelistas em narrar a Páscoa. No Evangelho de Hoje está acentuado o ver. Viu Maria Madalena, Viu Pedro, viu João. E João completa: ‘Viu e Creu”(cf. Jo 20, 8). O verbo ver, no Evangelho de hoje, tanto o ver físico quanto o ver espiritual, carrega em si as sementes do crer e faz brotar a fé. Por isso todos nós somos convidados a ver, a crer e a compreender a Escritura. A escritura serve de base e garantia lídima de nossa fé. A garantia da verdade não são os olhos que vêem nem a mente e o coração que compreendem. Sabemos que experiência que eles nos podem enganar. Mas a Palavra de Deus é segura: “Eterna e estável como os céus é a tua Palavra, Senhor!” (Cf. Sl 119, 89).

Meus irmãos,

No Cristo Ressuscitado renascem o novo homem e a nova mulher, e com eles a nova criação. A grande e secreta esperança da humanidade se realiza. Livres do que poderia nos manter escravos de nós mesmos e de nossos caprichos, livres também daqueles que nos manteriam escravos de seus próprios planos opressores, podemos marchar para a vida, num novo êxodo. Estamos livres para amar e para cantar com a Liturgia deste dia Santo:

“Cantai, cristãos, afinal/ Salve, ó vitima pascal! Cordeiro inocente, o Cristo, abriu-nos do Pai o aprisco!”.

Cristo nos faz novas criaturas e no Batismo somos imersos nesta vida nova que nos vem dele. Nossa vocação é crescermos em Cristo em direção a esse homem/mulher novos, livres, maduros, puros e lindos, tal como o Criador nos pensou desde a eternidade. Reassumir como novo vigor a nossa vocação batismal é um compromisso irrecusável nesta Páscoa. Já temos a certeza de Cristo venceu. Agora só nos resta viver e celebrar essa vitória na esperança de que também nós venceremos, chamados que somos à luz, à vida, à liberdade, à alegria imorredoura.

Meus irmãos,

Se é verdade que a ressurreição é obra exclusiva de Deus, é também verdade que ela tem a ver com a vida presente, restaurada pela morte e ressurreição de Jesus. A vida presente, modifica-se na medida de nossa fé na ressurreição. Por isso os Apóstolos, em suas pregações e cartas, insistiram tanto que a vida presente deve ser pautada pela esperança da vida futura. Não como um consolo pelas possíveis desgraças sofridas aqui, mas como um retorno pleno à vida divina, de onde saímos. Fomos criados por um gesto de amor. Ressuscitamos por outro gesto de amor extremado: a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Ao celebramos o dom da vida elevemos a Deus, o autor e restaurador da vida plena, na nova vida eterna, pelo dom da nossa vida para que configurados pela ressurreição do Salvador possamos ser testemunho desta luz brilhante que é o Senhor Ressuscitado! Amém. Aleluia!



 
 

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