Liturgia Dominical
 
Sermão do encontro
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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“Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida”.

Meus irmãos e minhas irmãs,

Estamos reunidos nesta noite para um encontro muito especial nesta acolhedora cidade.

Diz o próprio Cristo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida”.

Não viemos assistir a um encontro; viemos participar de um encontro; somos protagonistas de um encontro.

Jesus com a sua Mãe, a bem-aventurada Virgem Maria, a Virgem das Dores, a “Mater Dolorosa”. E cada um de nós com Eles - com Jesus e com Maria.
Não será um encontro mudo; será um encontro silencioso, mas loquaz.

Os gregos diziam que a palavra é prata, mas o silêncio é ouro.

Nosso Deus não é um Deus mudo. Mas Ele só fala com quem O sabe escutar.

Na vida, vamos acompanhando os acontecimentos que celebramos, sabendo mais e melhor que a platéia e os participantes deste encontro somos todos nós, batizados e não batizados, homens e mulheres de boa vontade que vêm ser protagonistas deste grande encontro.

Os protagonistas de dois mil anos atrás viram o JESUS VIVO, ouviram a sua palavra viva, TOCARAM NA SUA CARNE, receberam suas curas. Mas, por seus erros, tiveram a grandeza de ter a Jesus como o melhor dos advogados. Por isso, Jesus rezou: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem!”

Meus queridos irmãos,

Nós nunca vimos fisicamente Jesus e Maria. Entretanto, muitas vezes, lemos os Santos Evangelhos... Sabemos muito... Nos qualificamos de seus amigos... Já trabalhamos por Ele... Recebemos os seus sacramentos.... Mas, se Ele Não for a NOSSA LUZ, de nós Ele não poderá dizer: “Não sabem o que fazem!”

Queridos irmãos e queridas irmãs,

Celebramos o maior contraste da humanidade; o maior PARADOXO da humanidade; O HOMEM, O MESTRE, O SENHOR, O BOM, massacrado pela desumanidade, pela ignorância servil e má!

Ah! Cordeiro silencioso que, sob essa cruz pesada, conscientemente se oferece, derramando seu sangue por amor de nós, como essa tão bela imagem remete-nos àquele passo da Paixão, clareando nossa ignorância, afetando nossa insensibilidade.

Quão terrível deve ter sido a realidade!

Estamos a caminho do momento máximo da Encarnação de Jesus, do mistério da redenção: sua paixão e morte, tendo o Cristo assumido nossa carne na sua total fragilidade.

Irmãos e irmãs,

Já experimentamos a ponta da angústia e do sofrimento? Por que? Para que?

Sofrimento sem culpa!
Culpas sem pena adequada!
Chega-se à negação de Deus!...
O Homem sofre por causa do mal.
O mal como limitação, ausência do bem, do sumo bem.
O Homem sofre por causa de um bem de que não participa.
Em Jesus Cristo, o sofrimento é vencido pelo Amor.
A salvação como libertação do mal.
Jesus combateu o Mal, e esta deve ser a meta de todos os cristãos.
O mal, tanto mais quanto maior o bem perdido.
Grande bem: A VIDA ETERNA - DEUS.
O grande mal: A MORTE ETERNA - O INFERNO.
Jesus, cura, ensina, ensina, ressuscita, dá-nos a possibilidade da vida eterna.
Jesus vem trazer a salvação do sofrimento definitivo.
Jesus com sua morte veio vencer o pecado e a morte.
Jesus projeta LUZ NOVA sobre o sofrimento.
Jesus aceita o sofrimento passageiro para nos dar o BEM DEFINITIVO.
Cristo sofre voluntariamente, inocentemente.
O sofrimento: chamamento a manifestar a grandeza moral do Homem, sua maturidade espiritual.
Cristo não esconde a necessidade do sofrimento.
Quem quiser vir após mim, tome a sua cruz e siga-me.
A História nos mostra que no sofrimento se esconde uma FORÇA PARTICULAR que aproxima o Homem de Cristo.
Maturidade interior: GRANDIOSIDADE DO SOFRIMENTO.
Em Herodes, vemos a cena da fuga para o Egito...
Cada um tem seu Herodes... Queremos a morte de nosso Herodes...
É quando, então, Deus nos mostra o Egito...
Queremos o domingo de RAMOS, com a entrada triunfal em Jerusalém.
E Deus nos aponta o CALVÁRIO.
DEUS não teoriza.
Deus nos ensina de uma maneira REAL, CONCRETA, VIVA: seu Filho, Sua Mãe.
Esta cena que vamos presenciar, um encontro de sofrimento e de felicidade.
JESUS.... Missão cumprida, salvando os homens que amava...
Difícil, duro, terrível...
Mas vou à frente, vou para libertar os homens, vou para salvar os homens e mulheres.
MARIA...
Grandeza espiritual...
Fuga para o Egito.... salvação?
Dor: mas felicidade interior porque Seu Filho cumpre a vontade do Pai que O enviou e O encarnou no seio virginal.

Meus irmãos,

Este Encontro é o ponto de partida da NOVA HUMANIDADE.
Este Encontro é o ponto de partida da FRATERNIDADE.
Este Encontro é o ponto de partida da PAZ, do PERDÃO, da ESPERANÇA, na DOR MAIS ATROZ.
Cinco passos: aproximam-se as imagens do Senhor dos Passos e da “Mater Dolorosa”.
Precisamos reaprender: RENÚNCIA,
CAPACIDADE DE SACRIFÍCIO,
CAPACIDADE DE TRABALHO.
Infelizmente, os homens e mulheres buscam os prazeres passageiros: o dinheiro, o lucro fácil, o hedonismo. O Homem pós-moderno está cada vez mais frágil, menos homem.
Cristo e Maria se confrontam...
Não fogem... E ele poderia! Ela também...
Assumem...
Novamente se aproximam...
Querido PAI de FAMÍLIA e Esposo...
Querida MÃE de FAMÍLIA e Esposa...
É fácil abandonar, fugir, tentar a felicidade com uma outra pessoa.
Dispensa-se uma esposa, mas não se dispensa um DEUS que invocamos por testemunha no sacramento do matrimônio. Não se troca de Mãe. Não se troca de Esposa.

Queridos pais,

Ensinem seus filhos a RENÚNCIA.
Formem-nos no espírito de sacrifício,
Formem-nos na capacidade de trabalho,
Formem-nos na edificação da santidade de vida,
Só assim, mais tarde, eles serão fortes diante dos prazeres fáceis da vida,
Só assim eles superarão a tentação do vício, do erro e da famigerada DROGA.
Não é bom, senhores pais, aquele que dá tudo o que o filho pede.
Mostrem a Eles JESUS LUZ DO MUNDO.
Mostrem JESUS QUE SE APROXIMA DE SUA MÃE.
Atroz é o SOFRIMENTO DE JESUS.
A flagelação romana, sem sangue.
Sofre ao ver sua Mãe sofrer.

Meus irmãos,

MARIA:
A CABECINHA LINDA...
OS BRACINHOS TERNOS...
O CORPINHO FRÁGIL que com tanto sacrifício protegeu seu Filho na fuga para o Egito.
O menino de seu coração que na angústia ela reencontra no Templo, aqui está diante dela, curvado,
Triste,
Esmagado.
Pudesse ela...
Mas a missão era A DOIS.
No fundo de seu coração...
“Faça-se em mim segundo a Sua Palavra” – “FIAT, FIAT, FIAT!”
Por que?
Por que sofrer para salvar?
Hospital.
Meu irmão seu sofrimento também é redentor pela força da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Maria co-redentora.
Beije sua cruz...
Volte para casa com nova força...
Você não veio ver um encontro, você veio participar.
Preparar-se para seu encontro definitivo com este Jesus que sofre, com Maria sua mãe.
Nosso Batismo... o rosto de Deus.

Meus irmãos,

Com o Sermão do Encontro estamos encerrando a Quaresma.
Na Quinta-feira Santa adentramos no Tríduo Pascal, que relembra os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, o Redentor da Humanidade.
Semana Santa é tempo de Penitência, de Mudança de Vida, de Conversão,
Este Encontro de Jesus com Sua Mãe é o Encontro da Missão que todos os batizados são convidados a refletir, aderir e viver: a missão da santidade de vida e da santidade da nova evangelização: “vamos lançar as redes nas águas mais profundas” e edificar entre nós um encontro permanente de fé, de esperança, de caridade, de comum unidade para que os sofrimentos momentâneos se transformem em Novo PENTECOSTES.

Meus irmãos,

Nesta cena dramática de sofrimento devemos sair com a certeza única de nossa vida: A RESSURREIÇÃO EM DEUS.

E para que experimentos dos inefáveis frutos que podemos colher na meditação desses mistérios da vida de Cristo, devemos nos aproximar, primeiro de Jesus.

É o momento do encontro. É quando nos vem à mente toda a nossa vida. Estamos diante dele, assim como Maria sua mãe. Ela, porém, na contemplação da dor e da maldade dos homens; nós no abandono de nossos pecados na execração das fontes da corrupção da graça: o mundo, a carne e o pecado.

Ó Maria, minha boa mãe, ouvi nossos rogos. Leva-nos contigo até Jesus. Neste encontro lastimoso, na Rua da Amargura, coloquemo-nos junto de nossa Mãe Santíssima e ela nos levará até o seu benditíssimo Filho.

Queira, ó Virgem das Dores, consolar-nos de nossas misérias e conduzi-nos até Jesus.

Sigamos com Ela, piedosos irmãos e irmãs, até o Calvário, para lavarmo-nos no sangue redentor.

Reverendo Pároco e meus queridos Irmãos,

Abandonemos a teologia da ameaça e do medo.

Vamos aderir a Deus pelo sofrimento consciente de conversão, de misericórdia, para viver a santificação da vida em Deus, com o auxílio de nosso Redentor e da co-redentora Maria Santíssima.

O SOFRIMENTO está presente no mundo para desencadear o amor, para fazer nascer obras de amor para com o próximo, para transformar toda a civilização humana, na CIVILIZAÇÃO DO AMOR.

Esta é a missão deste encontro doloroso, mais amoroso, pois Jesus tanto amou a humanidade que na Cruz morreu para que todos revivêssemos na graça e a vivêssemos em abundância. Amém!



 
 

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