Especial - A Bíblia
 
Setembro - Mês da Bíblia
 
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Podemos chegar ao céu sem ler a Bíblia. Se não fosse assim, os analfabetos não teriam esperança. Se a leitura da Bíblia fosse necessária para ir para o céu, a maioria das pessoas que viveram antes da invenção da imprensa, se teriam visto num grande apuro para chegar ao céu.

Os ensinamentos orais dos Apóstolos foram transmitidos de geração em geração por meio dos papas e bispos da Igreja Católica. Esses ensinamentos foram em grande parte registrados por escrito pêlos escritores cristãos dos primeiros tempos a quem chamamos Padres da Igreja.

A Bíblia não é tudo, mas é um grande Algo que nenhum católico interessado no progresso espiritual pode permitir-se ignorar. Alimentamos nossa alma com a Palavra Encarnada do Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, presente na Sagrada Eucaristia. E também nutrimos a nossa mente e o nosso coração com a Palavra de Deus que nos foi entregue pêlos patriarcas, profetas e Apóstolos que escreveram os Livros da Bíblia. A Bíblia contém 73 Livros.

Começa com o Livro do Gênesis, atribuído ao patriarca Moisés, e termina com o Livro do Apocalipse, escrito pelo apóstolo São João. Poderíamos dizer que Deus teve muito trabalho para nos dar a Bíblia e. naturalmente, espera que a leiamos. Bem, se eu ainda não tenho uma Bíblia em casa ou ainda, se não tenho o hábito de lê-la, este mês é um bom momento para começar.

Em setembro, as comunidades católicas, acentuam as celebrações, estudos e orações centradas na Bíblia. A Palavra de Deus, revelada à humanidade através dos livros sagrados, é festejada com maior destaque neste mês de setembro. É parte de um calendário litúrgico pastoral. Assim, por exemplo, mês de maio é dedicado mais à Maria, mãe de Jesus e ao papel da mulher na salvação da humanidade, agosto lembra-se da vocação humana como forma de realização pessoal e comunitária, em outubro aprofunda-se o compromisso missionário do cristão no mundo, setembro se dedica e perceber que a Bíblia surgiu como fruto da inspiração divina e do esforço humano.

A Bíblia é o livro da humanidade. Ora, um livro tão procurado e lido por tanta gente deve possuir um segredo muito importante. A Bíblia é palavra de Deus. Em todas as épocas da história, sabe-se que o ser humano busca explicações a partir da revelação do sagrado. E a Bíblia é uma forma deste sagrado, Deus, revela-se à humanidade. A fé que mora em nós, nos diz que a Bíblia é a palavra de Deus para nós, “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Uma palavra tem a força e o valor daquele ou daquela que a pronuncia. A palavra humana pode ser errada, mas a palavra de Deus não erra nem engana. Nela nos sentimos seguros e confiantes para continuarmos a caminhar e construirmos nossa vida, nossa vocação, nosso trabalho. E assim nos tornamos romeiros que caminhamos e saciamos a sede na água viva que encontram na Bíblia.

Os homens sempre sentiram a necessidade de se comunicar, falando uns com os outros sobre si mesmos, sobre os acontecimentos, sobre o mundo, sobre tudo afinal. Bem depressa, ao lado dessa comunicação oral, nasceu uma "literatura", uma comunicação mais elaborada. Eram hinos e poemas que falavam sobre os acontecimentos do passado, sobre os deuses, sobre os costumes e as tradições. Eram textos nascidos nas reuniões da comunidade, textos feitos para serem declamados. Textos que continuavam a ser repetidos de cor, muito depois que já se tinha esquecido o nome dos seus autores.
A Bíblia foi surgindo do esforço comunitário de homens e mulheres que foram percebendo a ação de Deus na história da humanidade. Surgiu aos poucos, misturada com a história do próprio povo de Deus. Podemos afirmar que a Bíblia nasceu da vontade do povo de ser fiel a Deus e reconhecendo que Deus é fiel. A Bíblia nasceu da preocupação de transmitir aos outros e a nós esta fidelidade de Deus para com a humanidade e ao mesmo tempo convocando a todos homens e mulheres a serem fiéis ao processo de salvação que Deus quer para todos nós.

A Bíblia é para nós principalmente um livro. Não podemos, porém, esquecer que grande parte da Sagrada Escritura, antes de ser um livro escrito, foi uma série de poemas e narrativas que eram repetidas de cor nas assembléias do povo. Abra sua Bíblia na profecias de Jeremias. A nossa primeira impressão é que o profeta escreveu tudo antes ou logo depois de ter falado. Mas não foi assim. O profeta falou e só vinte e dois anos depois é que suas profecias foram escritas.

Justamente para facilitar o trabalho da memória e ajudar a transmissão falada é que a maioria dos textos eram compostos numa forma ritmada e num estilo cheio de paralelismos e repetições, rimas e provérbios.

A base da nossa instrução é o aprendizado da leitura e da arte de escrever. Antigamente a instrução, a cultura baseava-se na memória, na repetição das tradições que deviam ser fielmente conservadas. Houve, porém, um momento em que a comunicação devia ser feita para pessoas ausentes, ou então, era preciso fixar de algum modo os textos, seja para ajudar a memória, seja para dar maior valor ao documento. Foi assim que a humanidade, numa época que já não podemos determinar com precisão, começou a recorrer à escrita.

As primeira forma de escrita chamava-se "ideográfica", isto é: desenho da idéia. Aos poucos os desenhos começaram a representar os sons que formam as palavras. Nasceu assim a escrita "fonográfica": o desenho dos sons. Só muito mais tarde surgiram os desenhos que, de modo semelhante às nossas letras atuais, formavam a transcrição das palavras.

No Tempo de Moisés, a escrita já era muito usada. Já fazia bem uns 1500 anos que os egípcios conheciam a arte de escrever. Sabemos, pela própria Bíblia, que antes dela já existiam alguns "livros Encontramos, por exemplo, referências ao "Livro das guerras de Javé", ao "Livro do Justo. Pelas descobertas da Arqueologia (ciência que estuda as antigas civilizações), sabemos que já existiam alguns escritos bíblicos mil ou até dois mil anos antes de Cristo. Mas não vamos esquecer que esses textos eram parciais. Eram antes um auxílio para a memória, e não propriamente livros como os nossos, destinados a estar nas mãos de todo o mundo. Os livros antigos não eram tão práticos como os nossos nem estavam ao alcance de todos. Eram coleções de placas de metal, de madeira, de argila, de cascas de árvore ou de folhas. Com o tempo, passaram a ser feitos com o papiro ou o pergaminho. O papiro era uma espécie de papel primitivo, feito com o caule da planta chamada papiro. O pergaminho era feito com pele de animais, principalmente carneiros e cabras, cuidadosamente preparada. As "folhas" de papiro ou de pergaminho eram emendadas, formando longas tiras de até 50 metros de comprimento, enroladas para facilitar o manuseio. Outras vezes, as folhas eram costuradas, formando um "caderno".

Antes da invenção da imprensa, os livros eram trabalhosamente copiados à mão, um por um. Isso aumentava muito o seu custo. Eram poucos os que se podiam dar ao luxo de possuir uns poucos livros. Devido a tudo isso é que a cultura antiga não estava, como a nossa, baseada na palavra escrita. Os conhecimentos eram transmitidos principalmente através dos mestres, dos poetas e dos cantores, que recitavam de aldeia em aldeia os antigos poemas sobre os heróis e sobre os deuses. Temos de ter isso em mente quando começamos a folhear a nossa Bíblia.

Antigo Testamento

A palavra testamento quer ser a tradução de uma palavra grega: "diatéke, que podia tanto significar "testamento como contrato" ou "aliança". Na linguagem dos judeus, que viviam entre gregos, essa palavra "diatéke significava a aliança, o contrato pelo qual Deus se uniu a seu povo escolhido. Sendo assim, "Antigo Testamento" é a primeira parte do plano de Deus para a salvação da humanidade, a história da aliança feita com o povo judeu. Novo Testamento" é a história da aliança definitiva entre Deus e toda a humanidade, aliança que renova e leva à perfeição a primeira aliança feita com um povo. O Antigo Testamento engloba os livros da Bíblia do tempo dos judeus até o tempo de Jesus. Os judeus dividiam a Bíblia em três partes: A LEI, OS PROFETAS, OS ESCRITOS.

A primeira parte, A LEI, era chamada "Torah". É composta pelos cinco primeiros livros: GÊNESIS, ÊXODO, LEVÍTICO, NÚMEROS E DEUTERONÔMlO. Essa parte é também chamada de "Pentateuco", o que quer dizer: "Os cinco livros. Contém as leis dadas por Deus e narrativas que apresentam as circunstâncias históricas da manifestação do plano de Deus para a salvação. Essa primeira parte ainda continua em nossa atual divisão do Antigo Testamento. As outras divisões atuais são: LIVROS HISTÓRICOS, LIVROS SAPIENCIAIS, LIVROS DOS PROFETAS.

A Bíblia não foi escrita como um dos nossos livros atuais, divididos em capítulos, escritos segundo um plano previamente estabelecido. Foi surgindo aos poucos, através dos séculos, e é obra de muitos autores. Sendo assim, chamamos "livros" as principais unidades que formam a Bíblia. Mal comparando, poderíamos dizer que a Bíblia é uma biblioteca, uma coleção de vários livros que formam um só conjunto. De onde vem esse nome "Bíblia? Esse nome é simplesmente a adaptação de uma palavra da língua grega: "Biblos", que significava "papiro", "livro. A Bíblia é, pois, "O LIVRO", o primeiro, o mais importante de todos. Como surgiu o Antigo Testamento?. Para responder, precisamos ver antes alguma coisa da história do povo que escreveu essa parte da Bíblia. Vamos traçar uma história bem reduzida de muitos séculos.

Os Judeu

No Antigo Testamento, podemos ter a impressão de estarmos diante de uma "História do Povo Judeu. Isso é verdade, contanto que não interpretemos mal a palavra " História", que hoje em dia, para nós, significa um relato exato do que aconteceu, com as datas e os lugares exatos. Se alguém tentasse interpretar assim a Bíblia, iria procurar, por exemplo, estabelecer datas exatas para a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento de Abraão, a saída da escravidão do Egito. Isso não seria possível, porque a Bíblia não está interessada na data exata dos fatos. Está interessada é em nos fazer compreender o sentido dos acontecimentos, como eles se encaixam no plano que Deus formou para a nossa salvação.

A Bíblia não é um livro científico, isto é, para comprovamento da ciência, é um livro de Fé. O mesmo se pode dizer das datas, da duração dos períodos e das épocas. Diante, por exemplo, da afirmação: "O mundo foi criado em sete dias" ou "Os judeus andaram 40 anos pelo deserto", o que nós devemos perguntar é qual é o significado dos sete dias da criação e dos quarenta anos no deserto. Mas, por outro lado, é interessante notar que as descobertas modernas sobre a vida dos povos que antigamente viviam naquela região confirmam plenamente as indicações da Bíblia sobre antigos costumes e tradições. Confirmam também muitas indicações sobre lugares e acontecimentos.

Em 1928, um lavrador estava arando, quando, de repente, seu arado encontrou uma pedra de sepultura. Um outro, em 1933, estava cavando uma sepultura e encontrou uma estátua antiga. Isso levou à descoberta de antigas cidades, com suas casas que sobraram de civilizações desaparecidas há muito tempo. Pouco a pouco a ciência arqueológica (ciência das antigüidades) vai-nos ajudando a ter um conhecimento bastante grande do passado. Ainda não sabemos as surpresas que o futuro nos reserva nesse campo.

Muitos cientistas consideravam simples lendas todas as informações sobre os primeiros tempos do povo judeu. Principalmente o que a Bíblia conta sobre os patriarcas, os primeiros antepassados do povo. Atualmente a situação já é bastante diferente. A história bíblica dos patriarcas combina perfeitamente com as informações que atualmente temos sobre o passado. Se tivesse sido inventada apenas uns mil anos antes de Cristo, teria sido praticamente impossível imaginar costumes que correspondessem realmente a costumes de 800 ou 900 anos antes. A única explicação razoável é que os judeus, como todos os povos antigos, conservavam fielmente as lembranças do passado que formavam a sua "história familiar. Justamente porque eram tradições familiares é que a "história dos patriarcas" pouco se preocupa com os fatos da história geral. É antes uma seqüência de pequenos fatos do começo da família". No Deuteronômio (26,5-10), encontramos um resumo da história dos patriarcas. Quando os judeus apresentavam a Deus os primeiros frutos de suas colheitas, deviam rezar assim: "Meu pai era um arameu (homem da região de Aram) que estava a ponto de morrer. Desceu para o Egito com um punhado de gente. Foi viver como estrangeiro naquela terra, mas tornou-se ali um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios começaram a nos perseguir e nos oprimiam com uma pesada escravidão. Gritamos então pelo Senhor, o Deus de nossos pais. Ele ouviu o nosso grito e viu a nossa aflição, a nossa miséria, a nossa angústia. O Senhor tirou-nos do Egito (...) e nos trouxe para esta terra onde correm o leite e o mel".

Os Judeus entraram para a história 1300 anos antes de Cristo, quando estava vivendo ainda no Egito. E povo se reconhecia como descendente de Abraão, que tinha nascido mais para o oriente e durante algum tempo tinha vivido na região de Aram. Os judeus já estavam no Egito mais ou menos desde o ano 1700 a.C. (a.C.= antes de Cristo). Isso quer dizer que Abraão viveu lá pelo ano 1800 a.C. Seus descendentes, Isaac, Jacó e seus filhos, levavam uma vida semi-nômade, de um lado para o outro, até que os dois irmãos se fixaram no norte do Egito. Não sabemos praticamente nada da sua história durante os 400 anos seguintes. Até lá por 1250 a.C., quando, guiados por Moisés, saíram do Egito. Durante vários anos, 40 mais ou menos, tiveram no deserto a experiência religiosa da manifestação de Deus. A partir de 1200 a.C., começaram a se apossar da Palestina, a região entre o Mediterrâneo e o Jordão. Durante todo esse tempo, o povo judeu conservava cuidadosamente as tradições do passado em seus cantos, poemas, salmos e narrativas. Conhecia o Deus verdadeiro, tinha consciência de ser o povo por ele escolhido. Conservava suas leis e os ensinamentos religiosos eram passados de pais para filhos. Mas não apenas conservavam a religião do passado. Iam crescendo em sua vida religiosa, com altos e baixos, tempos de maior ou de menor fidelidade à aliança estabelecida com Deus. Continuamente eram ajudados e orientados por Javé, que lhes enviava homens providenciais. Podemos admitir que já por essa época muitas tradições não se transmitiam apenas oralmente, muita coisa já estaria sendo posta por escrito. Finalmente, lá pelo ano 1000 a.C., o povo já estava estabilizado na Palestina, tinha deixado de ser um povo nômade. Começou, então, a época dos grandes reis. Com isso, elevou-se também a cultura do povo e a literatura entrou numa fase decisiva.

Pelos fins do décimo século a.C., começam a ser escritas as narrativas sobre Davi e Salomão, as primeiras partes dos livros que agora em nossa Bíblia se chamam 1º e 2º Livros de Samuel, e o começo do Livro dos Reis. Por esse mesmo tempo é escrita a história do passado mais próximo, as narrativas que encontramos nos Livros de Josué e dos Juízes. Quando a realeza já estava mais organizada, começaram a se formar os "Arquivos de Estado", que conservavam a documentação para os escritores do futuro. Só no século seguinte começaram a ser escritas as tradições mais antigas sobre os patriarcas Abraão, lsaac e Jacó, a história da saída do Egito, os acontecimentos do deserto. Começou assim a formação dos livros que agora chamamos de Gênesis, Êxodo, Números.

A partir do ano 800 a.C., temos a época dos profetas, dos grandes homens enviados por Deus para orientar o povo, para ajudá-lo a compreender os planos divinos. As Mensagens dos profetas foram em parte escritas por eles mesmos, em parte por seus discípulos. Formou-se assim a coleção dos profetas, essa parte da Bíblia que é uma das mais ricas e sedutoras.

Entre 700 e 600 a.C., já estavam por escrito os acontecimentos relativos à conquista da Palestina e o que aconteceu até o fim da realeza. São partes dos Livros de Josué, dos Juízes, de Samuel e dos Reis. Nesse mesmo tempo, começou a ser posto por escrito o Livro do Deuteronômio, que é uma reapresentação meditada da Lei Divina.

Apesar da insistência dos Profetas, o povo não manteve fidelidade a Deus. O grande castigo chegou em 587 a.C., quando Jerusalém foi destruída e o povo quase todo foi levado para o cativeiro na Babilônia. Durante esse tempo de sofrimento, renasceu o espírito religioso dos judeus. Começaram a refletir sobre tudo quanto Deus tinha feito por eles. Surgem assim as partes do Antigo Testamento que se referem principalmente ao culto, ao serviço divino no templo, à organização no templo, à organização da comunidade religiosa voltada para Deus. Quando o povo pôde voltar para a pátria, começou o último tempo na história da formação do Antigo Testamento. Os livros do passado foram reunidos, retocados, completados. Surgiram em sua forma definitiva os cinco primeiros livros Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Foram escritos os livros que chamamos de "Sapienciais" Provérbios, Jó, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Eclesiástico. Esses Livros Sapienciais são o fruto de uma reflexão que procurava levar à "sabedoria da vida", à compreensão dos planos de Deus.

Mais tarde surgiram os Livros das Crônicas, de Tobias, de Ester, de Judite. E com isso já estamos a apenas uns 300 ou 200 anos antes do nascimento de Jesus. OS judeus, que antes já tinham tido tantas dificuldades com os poderosos povos do oriente, tinham agora de enfrentar a influência dos gregos, depois das conquistas de Alexandre Magno. Mais ou menos 100 anos a.C. foram escritos os dois Livros dos Macabeus, que retratam essa época tão difícil para a fé do povo judeu. Desse mesmo tempo é o Livro de Daniel, colocado entre os livros dos profetas e Sabedoria.

Depois dessa rápida passagem através dos séculos, podemos perceber como a Bíblia do Antigo Testamento foi surgindo aos poucos, foi sendo completada e retocada. Não podemos imaginar que tenha começado com a composição do Gênesis e tenha sido escrita na mesma ordem que encontramos em nossa Bíblia atual. Sua história é muito mais rica e mostra de forma grandiosa a ajuda que Deus foi dando ao povo escolhido. Nessa longa história do nascimento da Bíblia, aparece mais claramente o poder de Deus. Muito mais claramente do que se Deus tivesse "ditado" a Bíblia para Moisés e os outros autores.

Novo Testamento

Jesus tinha-se reunido a comunidade dos que tinham acreditado nele. Depois da ressurreição, depois que tinham sido iluminados pelo Espírito Santo, os discípulos começaram a viver e a propagar a mensagem cristã. Eles aceitavam as Escrituras Sagradas que tinham recebido da tradição judaica. Já agora, porém, iluminados pelo Espírito Santo e assistidos continuamente pelo Cristo, liam as Escrituras sob uma nova luz. Temos uma imagem clara dessa situação nova na passagem de Lucas (24,13-32), que nos conta a aparição de Jesus aos dois discípulos que iam a caminho de Emaús. Iam, naquele domingo da ressurreição, conversando sobre os últimos acontecimentos. Tinham ficado desorientados com a morte de Jesus e já não sabiam o que pensar. Disse-lhes, então, Jesus (vers. 25): "Como vocês demoram a entender e a crer em tudo o que os profetas disseram... Começou, então, a explicar todas as passagens das Escrituras Sagradas que falavam dele, começando com os livros de Moisés e os escritos de todos os profetas".

Aliás, o apóstolo Paulo (2Cor 3,14) diz que somente a aceitação de Jesus pela fé nos abre os olhos para uma exata compreensão do Antigo Testamento.

A comunidade cristã, a Igreja, vivia e anunciava a salvação pela fé em Jesus. Sua preocupação era conservar fielmente a mensagem recebida e dar um testemunho sobre os fatos presenciados pelos apóstolos e discípulos. É o que transparece nas palavras de Paulo (1Cor 15,3): "O que eu recebi e entreguei a vocês é o mais importante: que o Cristo morreu pelos nossos pecados, como está escrito nas Escrituras Sagradas; que ele foi sepultado e que ressuscitou no terceiro dia como está escrito nas Escrituras; e que apareceu a Pedro e depois aos doze apóstolos..." A primeira preocupação da comunidade não foi escrever um livro. Foi viver e transmitir uma vida. Isso não diminui o valor das Escrituras, da Igreja. Ajuda-nos, porém, a perceber como surgiram e como têm sua compreensão ligada à compreensão da própria vida da Igreja.

Inicialmente, pois, a comunidade não tinha o "Antigo e o Novo Testamentos".

No Novo Testamento, encontramos quatro divisões mais importantes: Evangelho, Atos dos Apóstolos, Epístolas, Apocalipse. É bom sabermos logo que aconteceu também aqui o que já tinha acontecido com o Antigo Testamento: os livros ou as partes não estão colocados na ordem em que foram escritos. A ordem atual levou em conta a importância das partes e também as vantagens práticas de uma sistematização.

Novo Testamento:

1º) Evangelhos: de Mateus, de Marcos, de Lucas, de João.

2º) Atos dos Apóstolos.

3º) Epístolas: Em primeiro lugar, as cartas de Paulo aos Romanos, aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, aos Tessalonicenses, a Timóteo, a Tito, a Filêmon. Depois, a carta aos Hebreus, as cartas de Tiago, de Pedro, de João e de Judas.

4º) O Apocalipse de João.

A parte mais antiga do Novo Testamento são as duas cartas de Paulo aos Tessalonicenses, isto é: aos cristãos da comunidade de Tessalônica, uma cidade da Grécia. No capítulo 17(1-10) dos Atos dos Apóstolos, podemos ler a história das primeiras conversões nessa cidade. Paulo esteve em Tessalônica lá pelos meados do ano 5O d.C.(depois de Cristo), quando estava fazendo a sua segunda viagem missionária. Em 51, ele mandou sua primeira carta; a segunda é de 52 ou 53. Com essas duas cartas, começou a formação do Novo Testamento: as comunidades começaram a colecionar e a trocar entre si os escritos dos apóstolos. Pelos anos de 54 ou 55, foi escrita a carta para a igreja de Filipos. Entre 57 e 58, surgiram as duas cartas para a comunidade de Corinto e para a dos Gálatas. Possivelmente quando estava preso em Roma, entre 61 e 63, é que Paulo escreveu as cartas para os cristãos de Colossos e de Éfeso. Durante esse mesmo tempo teria escrito a pequena carta a Filêmon, um cristão cujo escravo tinha fugido e fora convertido pelo apóstolo. As duas cartas a Timóteo e a carta mandada para Tito, se foram escritas por Paulo, então devem ter sido enviadas entre 64 e 67.

Cartas de Pedro, de Tiago e a Epístola aos Hebreus e a de Judas. Foram escritas, o mais tardar, nos decênios finais do primeiro século. Não podemos ter certeza completa sobre seus autores.

O primeiro evangelho a ser escrito foi provavelmente o de Marcos, antes ainda da destruição de Jerusalém, acontecida no ano de 70. Segundo a opinião de vários especialistas, o evangelho de Marcos foi precedido por uma primeira redação do evangelho de Mateus, feita em aramaico.Redação essa que depois foi reelaborada, dando origem à nossa atual edição grega. Não podemos saber exatamente quando isso aconteceu.

O evangelho de Lucas não temos com precisão quando foi escrito. Alguns acham que foi antes do ano 70; outros preferem dizer que os evangelhos de Lucas e Mateus (o atual) surgiram lá pelo ano 80. Esses três evangelhos são bastante semelhantes entre si, apresentando quase os mesmos fatos, quase na mesma ordem. Por isso são chamados de Evangelhos Sinóticos, isso porque poderiam ser colocados lado a lado para serem lidos ao mesmo tempo.

Os Atos dos Apóstolos, que narram os primeiros tempos da Igreja, dando um realce maior às pessoas de Pedro e de Paulo, são como que uma continuação do Evangelho de Lucas. Possivelmente esse livro foi escrito lá pelo ano 80.

A parte mais recente do Novo Testamento, temos finalmente o evangelho, as cartas e o Apocalipse de João. Até algum tempo atrás havia escritores que atrasavam até o século segundo o aparecimento desses livros. Atualmente, há um certo acordo que marca o aparecimento desses escritos entre os anos 90 e 100.


Por isso, “toda escritura divinamente inspirada é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e capacitado para toda boa obra” (2Tm 3,16).

Somos o Povo de Deus e esperamos que, um dia, a verdade e a justiça voltem a ser a marca de toda a palavra que sai da boca de toda a humanidade. Que a verdade, a solidariedade, a justiça, a alegria, a ética e a paz, vivam no coração de todos os que abrem a Bíblia com Fé.

Colaboração: Diác Rômulo Guerra



 
 
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