Especial - A Bíblia
 
Celebrando o mês da Bíblia
 
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A Bíblia é a Palavra de Deus, semeada no meio do povo. Assim cantamos em nossas celebrações, recordando a sua importância em nossa vida e em nossas comunidades. Com o objetivo de nos conscientizar sobre a importância desse livro sagrado, desde 1971, a Igreja no Brasil celebra setembro como o Mês da Bíblia.

A Igreja sempre nutriu um grande amor e respeito pela Palavra de Deus. E, após o Concílio Vaticano II, valorizou-a ainda mais, propondo que nas celebrações, ao lado da Mesa Eucarística, esteja também a Mesa da Palavra.

A Bíblia - palavra grega que significa "livros" - é o conjunto de 73 livros que contém a revelação divina. Dividida em duas grandes partes - o Antigo e o Novo Testamentos - tem como centro a pessoa de Jesus Cristo. Testamento é uma palavra latina que significa "aliança". A Bíblia é, portanto, o livro da aliança de Deus com seu povo.

O Antigo Testamento relata a experiência religiosa do povo hebreu, preparando-se para a vinda do Messias prometido. No início os relatos eram orais e só mais tarde, a partir do século X a.C., passaram a ser registrados por escrito.

O Novo Testamento mostra a vida e os ensinamentos de Jesus de Nazaré, o Messias prometido, e a experiência das primeiras comunidades na vivência desses ensinamentos. Foi escrito nos séculos l e II d.C., refletin-o as experiências das primeiras comunidades em relação a Jesus, à luz do Antigo Testamento.

VERDADE DIVINA – A Bíblia sempre foi a alma da Igreja. Inspirada por Deus, ela foi escrita por autores diversos, em épocas diferentes. Os hagiógrafos (autores sagrados) procuraram transmitir a mensagem divina mas com a linguagem e a cosmovisão de sua época. Por isso não se pode lê-la com espírito fundamentalista, interpretando tudo literalmente, mas sabendo ver na linguagem humana as verdades divinas.

Também são diversos os géneros literários: celebrações, histórias reais ou lendárias, leis, poesias, orações, provérbios, sabedoria popular, ensinamentos. Essa grande variedade forma a riqueza da Bíblia. Mas, em toda essa obra humana, reconhecemos também a autoria de Deus, pois o apóstolo São Pedro nos ensina que "homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." (2Pd 1,20-21)

A Bíblia é a "Palavra de Deus escrita na linguagem dos homens". O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática "Dei Verbum", ressalta que Deus é o autor principal de toda a Bíblia, mas Ele se serviu dos homens para concretizar seu plano: "Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo Ele próprio neles e por eles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que Ele próprio quisesse." (DV, 11)

Por isso, quando lemos a Bíblia, é o próprio Deus que através dela entra em contato conosco, para nos comunicar sua vida. Essa certeza levou Santo Ambrósio a exclamar: "Ainda agora Deus passeia pelo paraíso quando leio as Escrituras".

LIVRO DE FÉ - Toda a Bíblia quer revelar o projeto de Deus: a libertação integral dos homens. Mostra um Deus que se preocupa com seu povo, libertando-o da escravidão do Egito; que busca a justiça dos pobres e excluídos; que não quer a morte mas o arrependimento e a vida do pecador. Mostra um Deus que deseja que todos tenham vida, e a tenham em plenitude.

É necessário lembrar que a Bíblia não é um livro de ciência ou de história, mas livro de fé. E faz-se necessário conhecer a época e o contexto cultural em que viveram os hagiógrafos, bem como conhecer a diversidade dos gêneros literários para que possamos fazer uma interpretação correta dos livros sagrados.
O fundamentalismo, que entende tudo ao pé da letra ignorando esses aspectos, leva a interpretações errôneas e distorcidas da mensagem de Deus. Como consequência, muitas vezes o texto sagrado, em vez de palavra que liberta e salva, torna-se moralismo opressor ou espiritualidade alienante.

VIVER A PALAVRA - A Bíblia é a Palavra de Deus a nos guiar, por isso é importante que busquemos nela nosso sustento espiritual. Somos convidados a ler, entender, viver e comunicar essa palavra, vendo nela a carta de amor que Deus escreveu para nós.

"O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarna¬do e vivo. Por conseguinte a Sagrada Escritura deve ser proclamada, escutada, lida, acolhida e vivida como Palavra de Deus, no sulco da tradição apostólica de que é inseparável." (Papa Bento XVI)

"Beijar a Bíblia é beijar o rosto de Deus"- assim nos ensina Santo Agostinho. Palavra viva e eficaz, nela encontramos a revelação de Deus Pai a transmitir a seus filhos os ensinamentos para a plena realização e para a verdadeira felicidade.

 
 
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