Com a palavra...
 
Celebrando a Sagrada Família e as nossas
Por: Dom Fernando Mason
Bispo Diocesano de Piracicaba
 
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Ainda vivendo as alegrais do Santo Natal de Jesus Cristo, a Igreja celebra, a festa da Sagrada Família, apresentando-nos Jesus, Maria e José, a família da Nazaré que se tornou modelo para todas as outras.

A ordem dos nomes não é por acaso; indica a intensidade de santidade de seus membros: Jesus — Deus entre nós; Maria — a cheia de graça; José — o homem justo. Uma família sagrada!

Os textos bíblicos dessa festa litúrgica apresentam-nos qualidades e virtudes que devem ser buscadas para que realmente nossas famílias sejam sagradas. Mas a celebração também nos convida a refletir sobre a família hoje, seus problemas, desafios e esperanças.

Debruçar nosso olhar sobre esta realidade tão próxima de nossa vida cotidiana é bom. Ai de quem não o faz! Se nunca olharmos reflexivamente as realidades cotidianas mais próximas, elas perderão sua evidência vital e decairão inexoravelmente.

Refletir como cristãos sobre a família hoje é uma necessidade, pois estamos sujeitos a uma "pregação" constante, horas a fio, que em nada é cristã. Esta "pregação" imperceptivelmente, sem que o queiramos, transforma nosso pensar, e o transforma para pior.

Na "pregação" de revistas, novelas, filmes, livros e romances, o amor esponsal não é mais entendido como uma entrega da vida ao cônjuge num decidido amor oblativo que, passando pelas crises do convívio de individualidades diferentes, sempre ressurge, renasce, renova-se, cresce e amadurece; para eles, é entendido como busca da "minha" felicidade, isto é, como busca de si, tornando o amor esponsal superficial e frágil, em que a emotividade subjetiva toma lugar da decisão vital, não há capacidade de resistir às inevitáveis tempestades da vida.

O amor esponsal cristão como "decisão de toda uma vida" tem como referencial o amor com que o Senhor nos amou. é um amor que exige busca e luta, sim, mas que dá profunda realização ao viver conjugal, tornando-o elo conquistado de vigor indissolúvel, aliança eterna de duas existências.

É este o amor que tem a capacidade de criar os filhos, educá-los e torná-los aptos para uma vida de bem. Edificados em cima de um fundamento como este, eles não cairão facilmente nos desvios que a face decadente de nossa sociedade ostensivamente lhes oferece como drogas, sexo, alienação das questões sociais e políticas, exasperada afirmação de si, na indiferença e, muitas vezes, na exclusão e na exploração do outro.

Contemplando a Sagrada Família, somos convidados a olhar para as nossas que estão expostas a tantas dificuldades. E somos interpelados pelo Evangelho de Jesus Cristo para que façamos delas verdadeiras comunidades de fé e de amor, promotoras e defensoras da vida em todas as dimensões, alicerçadas nos valores da fidelidade e da indissolubilidade.

Ao celebrarmos a festa da Sagrada Família, somos convidados a viver os valores que as leituras bíblicas dessa celebração nos apresentam. O livro do Eclesiástico nos propõe amar e respeitar nossos pais: "Quem honra seu pai alcança o perdão dos pecados, quem respeita sua mãe é como alguém que ajunta tesouros." E o apóstolo Paulo, na carta aos colossenses, exorta a nos revestirmos de misericórdia, bondade, humildade e mansidão, insiste para que saibamos amar e perdoar. São os caminhos para se construir uma verdadeira família.

Que Jesus, Maria e José abençoem e encorajem nossas famílias para que ela sejam fiéis à missão que Deus lhes confiou, sendo verdadeiras "Igrejas domésticas" a testemunhar para o mundo os valores evangélicos, a exemplo da família santa de Nazaré.



 
 
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