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São José: Silêncio e comtemplação
 
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Como você se chama? José, responderão muitos! No­me tão fácil de pronunciar e tão carregado de senti­do e significado. José é também o esposo de Maria, pai adotivo de Jesus, e a ele também foi revelado o grande mistério da encarnação de Cristo (Mt 1,18-25).

Impressiona a mim, e espero que também a você, o silêncio de José no evangelho. Deus fala com ele, revela-lhe seu plano de amor, ele toma a decisão de cumprir a von­tade de Deus, como Nossa Senho­ra, mas nunca disse nenhuma palavra. É uma dessas pessoas que muito faz sem dizer nada; enquanto outros dizem muito, mas nada fazem.

José é uma figura meio esquecida por todos nós. E ainda o se­paramos de Nossa Senhora. Na verdade ele teve a mesma missão de Nossa Senhora. Por isso, como homem justo e piedoso, silenciosa­mente assumiu, juntamente com Maria, a vinda de Cristo. Não nos deixou nenhuma palavra dita ou escrita. Só silêncio! Mas seu silên­cio é contemplação.

A narração da criação do mundo nas primeiras páginas da Bíblia mostra um mundo mergulhado no silêncio. E Deus contemplava cada obra nascida de suas mãos. Olhemos para José: Ele também permaneceu em silêncio, contemplando os desígnios divinos: O Filho de Deus sendo gerado em Maria!

São José é o Patrono universal da Igreja Católica, e o é de verdade. Com ele aprendemos a contemplar a universalidade da salvação, do Deus que veio para libertar-nos, e correu, correu mesmo, ao encon­tro dos que jaziam sem vida: os pobres, os pecadores, os doentes, os sofredores, os excluídos.

O silêncio de José, ao mesmo tempo em que nos faz pensar no por que existem hoje tantos irmãos e irmãs nossos jazidos à margem da vida, também nos pergunta por que não vamos ao encontro desses jovens abando­nados, crianças jogadas nas ruas e praças, por que não contestamos as decisões palacianas que favorecem grupos privilegiados e machucam a dignidade de tantos irmãos?

Uma religião preocupada em cumpri­mento de normas, de ritos perfeitos e rubricistas, de liturgias impecáveis, mas que não vai ao encontro do sofredor e do marginalizado, não é religião verdadeira nem agrada a Deus. Há quem está preocupado com a perfeição litúrgica, mas os pobres podem ficar à margem, que isso não tem importância alguma!

O que Deus me dirá diante disso? Com José aprendemos a con­templar o Deus da vida, mas tam­bém a cumprir seus desígnios no hoje, no aqui e agora, como ele cumpriu silenciosamente a vontade de Deus juntamente com Nossa Senhora. Não separemos José de Nossa Senhora, mas também não separemos nossa vida da fé, nem a fé da vida. Contemplemos o Deus que nos salva hoje!

Autor: Pe. Ferdinando Mancílio, C.SS.R.
Fonte: Revista de Aparecida

 
 

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