Encontro 04
Afinal de contas, quem é você?

Introdução
Numa sociedade consumista como a nossa, onde tudo é massificado em nome do lucro, as pessoas acabam por perder suas características próprias. É de primeira necessidade mostrar a importância do ser eu mesmo, o valor de cada indivíduo e desenvolver sua própria identidade.

Este encontro pode ajudar muito no processo de maturidade do jovem, que nessa fase da vida questiona os papéis que a sociedade lhe impõe, mas, ao mesmo tempo, ele está aberto a idéias e ideais que lhe pareçam verdadeiros e dignos de seu entusiasmo.

Na linha dos encontros anteriores, os catequistas devem continuar valorizando tudo o que os participantes são e apresentam. Cabe, nesse momento, não fazer críticas, mas sim, sugestões. Assim, será mais fácil reforçar neles a necessidade de respeitar os companheiros e companheiras, bem como fazer com que analisem e julguem suas próprias atitudes.

Objetivo

Ajudar cada participante a buscar a consciência de si próprio, a descobrir a própria identidade, com seus valores e seus limites. Refletir sobre a necessidade de amar ao próximo como a nós mesmos: amar a si e ao outro - um dos maiores desafios da existência humana.

Estratégias

Após um momento de acolhida e de cantar juntos, fazer memória do encontro anterior, que será um "gancho" para a reunião. Apresentamos abaixo algumas dinâmicas para a equipe coordenadora.

1º Dinâmica
Objetivo

Perceber a importância do outro no processo de auto-conhecimento.

Material necessário
Texto do crismando ou folha impressa.

Descrição da dinâmica
1°passo - Iniciar com a seguinte afirmação: "Para ser eu mesmo preciso dos outros".

2°passo- Para ajudar no entendimento e na discussão dessa frase, fazer a leitura individual ou grupal do seguinte texto:

O amor pode levar à solução de nossos problemas, mas temos que encarar o fato de que, para ser amados, precisamos nos tornar dignos de amor. Quando orientamos nossa vida rumo à satisfação de nossas necessidades e saímos em busca do amor que precisamos, por mais que os outros procurem dourar a visão que têm de nós, somos realmente egocêntricos. Não somos dignos de amor, mesmo que sejamos dignos de compaixão. Estamos centrados em nossa própria pessoa e, por isso, nossa capacidade de amar sempre fica tolhida, impedida de se desenvolver, e continuamos sendo eternas crianças.

No entanto, quando não procuramos conquistar o amor dos outros direta-mente para nós, mas, sim, dá-lo, podemos nos tornar amáveis e muito provavelmente também seremos amados. Essa é a lei imutável sob a qual vivemos: preocupação consigo mesmo e convergência para o próprio eu só nos isolam e levam a uma solidão mais profunda e torturante ainda. É um círculo vicioso e terrível que se fecha à nossa volta, quando a solidão e a busca de alívio por meio dos outros só se intensificam. A única forma de romper esse círculo formado por nosso ego carente é parar de nos preocupar conosco e começar a dar importância aos outros. Claro que não é fácil: mudar o foco da consciência de si para os outros pode, na verdade, significar uma vida inteira de esforço e trabalho. É mais difícil ainda porque temos que colocar os outros em primeiro plano, e não nós. Precisamos aprender a atender às necessidades dos outros sem buscar a satisfação de nossas próprias necessidades. (John Powell, As estações do coração. São Paulo, Ed. Loyola, 1997, p. 141)

3°passo - Após a leitura do texto de John Powell, os jovens discutem a história e, em pequenos grupos, respondem:

1. É fundamental ou não a pessoa do outro para que eu seja eu mesmo?
2. Quais são as pessoas que mais me ajudam a descobrir como eu sou?
3. Você consegue perceber em algumas "brincadeiras" que lhe fazem discretas tentativas de chamar a sua atenção para se corrigir ou para perseverar no que está fazendo?
4. Como amar a si mesmo e ao outro, conforme o mandamento de Jesus: "Amai ao próximo como a ti mesmo"?

4°passo -Terminada a discussão, o catequista lança uma segunda frase: "Cada um de nós é revelação de si mesmo".

5°passo - Refletir sobre isso com o auxílio de algumas perguntas:
1. Você acha que as nossas emoções são a chave para compreendermos a nós mesmos?
2. As pessoas que vivem ao seu redor provocam e estimulam as suas emoções?
3. Já parou para se perguntar por que em certos momentos sente determinadas emoções?

6°passo - Exposição das conclusões dos grupos e síntese final apresentada pelo catequista. Dizer que, ao descobrirmos quem somos e o que podemos ser, aos poucos vamos tomando conhecimento da nossa identidade. Qual será então o nosso papel na sociedade? Essa busca possui algumas características: perturbação e angústia, questiona-mento daquilo que antes era certeza, falta de firmeza no novo que ainda está em construção.

2º Dinâmica
Objetivo

Ajudar cada catequizando a iniciar o processo de descoberta mais profunda de si mesmo.

Material necessário
Texto do crismando ou folha impressa.

Descrição da dinâmica
1º passo -Apresentar sentenças a serem completadas individualmente pelos jovens. Elas motivarão a reflexão sobre certas atitudes e sentimentos que lhes são próprios.

Meu retrato falado por mim mesmo

Vou me olhar atentamente:
O que penso...
O que deseja meu coração...
O que deseja minha mente...
Que coisas amo...
Que coisas odeio...
O que sinto...
O que desejo ser...
Eu me importo demais com o que fui...
Eu me importo demais com o que sou...
Interessa-me o que posso ser...
Consigo ter idéias claras do que eu quero...
Consigo ter idéias claras do que eu não quero...
(Bianca Carolo, Formação humana: libertação. Adaptação de Josefina Franco. São Paulo, Ed. Loyola, 1987, p. 81)

2°passo - Após a etapa de reflexão/ discussão, lançar um novo questionamento. As sentenças agora são mais direcionadas a um auto-exame. Os crismandos respondem e escolhem uma para refletir/discutir com o grupo.

Uma entrevista com você

Eu sou uma pessoa que...
Eu fico muito feliz quando...
Eu gostaria de ser...
Uma coisa que eu faço bem é...
Um amigo pode contar comigo para ...
Eu gosto de pessoas que...
Eu me sinto orgulhoso de mim mesmo quando...
Daqui a dez anos eu...
A pessoa que eu mais admiro é...
Meu passatempo favorito é...
Um dos meus pontos fortes é...
Um dos pontos fortes de outra
pessoa que eu admiro é...
Neste exato momento eu me sinto...
Se eu pudesse ter um desejo realizado, eu pediria...

3° passo - Apresentação das frases escolhidas e conclusão (ver as reflexões apresentadas no 6° passo da primeira dinâmica deste encontro).

Celebração

Sugerimos, para finalizar, uma pequena celebração centrada na entrega de si mesmo a Deus. Cada um, apresentando uma pedra, se auto-define brevemente: "Eu sou uma pedra ajudando a construir quando..." ou "Eu sou uma pedra de tropeço no caminho da minha vida e demais pessoas quando...".

Concluir com a leitura de Mateus 7,24-27.

Próximo encontro

Este tema da busca da própria identidade continuará no encontro seguinte: quem se conhece bem é autêntico e desenvolve mais seu senso crítico.

Citações Bíblicas

• buscar os tesouros escondidos dentro de si: Lucas 15,8-9 (livro do crismando);
• necessidade de "beber no próprio poço": Provérbios 5,15-16 (livro do crismando);
• devemos construir nossa identidade sobre a rocha: Mt 7,24-27;
• Deus nos valoriza e nos faz executores de sua vontade: l Coríntios 1,26-29.