Encontro 08
Namoro e casamento

Introdução

O tema é bastante amplo e muitas são as informações a serem apresentadas em poucas palavras. O mais importante é ouvir o jovem em seus questionamentos sobre o assunto, partir dos próprios interesses, pois o material deve nascer da realidade em que o grupo se encontra.

Depois de uma discussão aberta sobre sexualidade no encontro anterior, trataremos agora do namoro e do casamento dentro de uma visão cristã.

Sugerimos que a equipe de catequistas procure ajuda específica, caso tenha dificuldade em algum assunto, principalmente sobre casamento. Há mais a saber sobre o sacramento do matrimônio do que se imagina. Por exemplo, saber quando ele é válido ou não. Muita gente acaba sofrendo quando se separa e contrai novas núpcias por achar que está transgredindo uma lei da Igreja. Há o Tribunal Eclesiástico que verifica se houve ou não o sacramento. O ideal, obviamente, não é corrigir enganos, mas se preparar bem antes. Casar não é só escolher os móveis e os padrinhos... Envolve maturidade, comunhão de vida, sinceridade ao mostrar quem se é e o que quer... Por isso, o tempo do namoro é importante.

Objetivo

Refletir sobre o que a sociedade nos apresenta hoje sobre namoro e casamento e a riqueza da visão cristã sobre essas mesmas realidades.

Estratégias

Continuar celebrando o amor, tema do encontro anterior e deste. Cantar a música "Monte Castelo" (Legião Urbana). Se houver tempo, ler a passagem de l Coríntios 13, que, juntamente com a poesia de Camões, compõem a letra da música.
Dividimos o assunto em dois blocos:

1º BLOCO: Namoro
1º Dinâmica
Objetivo

Trabalhar o tema a partir da realidade dos jovens, levantando suas experiências, anseios, perguntas e também certezas. Em especial, desenvolver o senso crítico de moças e rapazes.

Material necessário

Texto impresso, canetas ou lápis.

Descrição da dinâmica

lº passo - Separar as moças e os rapazes, dividindo-os em pequenos grupos.

2° passo - Propor algumas perguntas para os grupos, como sugerido abaixo:
1. Que tipos de relacionamento vocês conhecem entre homem e mulher?
2. O que é namoro para vocês?
3. O que acham mais importante no relacionamento entre uma moça e um rapaz?
4. Que preconceitos vocês percebem no relacionamento entre homem e mulher?
5. O grupo das moças escreva cinco itens que desejam encontrar nos rapazes.
6. O grupo dos rapazes escreva cinco itens que desejam encontrar nas moças.

3° passo - Apresentação das respostas. Comparação entre os pontos de vista masculino e feminino sobre namoro. O que o grupo pode concluir a partir disso?

2º Dinâmica
Objetivo

Traçar características de um relacionamento alicerçado no amor verdadeiro.

Material necessário
Texto impresso, canetas ou lápis.

Descrição da dinâmica
1°passo - Leitura do texto:

Amar é dar-se

A fome dos homens é terrível: ela mata milhares de seres a cada ano. As privações de amor são mais assassinas ainda: e/as desintegram o homem e a humanidade. Quantas vezes o homem não sabe amar, quantas mais ainda crê amar, e o que faz é amar a si mesmo! Ao longo do grande caminho que leva ao amor, muitos param seduzidos pelas miragens do amor: se você estiver "emocionado até às lágrimas" diante de um sofrimento, se você sente seu coração "bater descompassadamente" diante de certa pessoa, isso não é amor, é sensibilidade.

Se você "foi pescado"por sua força viril ou pela beleza dela, se, seduzido, você "entrega os pontos", isso não é amor, é uma demissão.

Se, perturbado, você se extasia diante de sua beleza e a contempla para desfrutar dela, se você acha o seu espírito brilhantismo e vive procurando o prazer de sua conversa, isso não é amor, é admiração. Se, com toda a insistência, você quiser obter um olhar, um beijo, uma carícia, se você estiver disposto a tudo para tê-la em seus braços e possuir seu corpo, isso não é amor, é um desejo violento nascido da sua sensualidade.

Amar não é ficar impressionado por alguém, ter afeição sensível por alguém, abandonar-se a alguém, desejar alguém, querer possuir alguém. Amar, em essência, é dar-se a alguém e aos outros.

Amar não é "sentir". Se você espera, para amar, ser empurrado por sua sensibilidade, você amará pouquíssimas criaturas sobre esta terra e, evidentemente, não seus inimigos. Amar não é algo instintivo, é a decisão consciente de sua vontade de ir ao encontro dos outros e dar-se a eles.

Muitas vezes você se parece com o Pequeno Polegar: sempre encontra o caminho de volta a você mesmo. Perca-se, esqueça-se, e você amará muito mais seguramente. A fome faz você sair de si para ir comprar pão. Você abre a janela para olhar um maravilhoso pôr-do-sol. Você corre ao encontro do amigo, assim que o avista. O desejo, a admiração, a afeição sensível podem arrancá-lo de si mesmo e empurrá-lo para o caminho do dom, mas nada disso é ainda amor. O Senhor os oferece a você como meios - especialmente na união do homem e da mulher -para ajudá-lo a esquecer-se e conduzi-lo ao amor.

O amor é uma estrada de mão única. Ela sai sempre de você para ir para os outros.
Cada vez que você toma um objeto ou alguém para você, você cessa de amar, porque pára de dar. Você anda na contramão.

Tudo aquilo que você encontra em seu caminho é feito para permitir que você ame cada vez mais:
- o alimento, para sustentar a vida que você deve dar minuto por minuto;
- o carro, para que você possa doar-se mais depressa;
- o disco, o filme, o livro para enriquecê-lo, distraí-lo e ajudá-lo
a dar mais e melhor;
- os estudos, para conhecer e permitir que \ocê sirva melhor os outros;
- o trabalho, para dar sua parte de esforço na construção do mundo na obtenção do pão de cada dia;
- o amigo, para se darem um ao outro e, juntos, mais ricos, entregarem-se aos outros;
- o esposo, a esposa, para juntos darem a vida à criança, para dá-la ao mundo e depois a um outro... Siga a estrada. Acolha tudo o que for bom, mas para dar tudo. Se você guardar para si alguma coisa ou alguém, não diga que ama esse objeto ou essa pessoa, pois, no instante que você o separa para retê-lo - mesmo que for por um só instante - o amor morre em suas mãos.
(Michel Quoist, Construir o homem e o mundo. Rio de Janeiro, Livraria Duas Cidades, 1987, pp. 172-174)

2°passo - Divisão da turma em pequenos grupos. Refletir:
1. Quais são as ilusões sobre o amor que o poema apresenta? Vocês concordam com o poeta?
2. Como viver um amor verdadeiro no namoro nos dias de hoje?

3°passo - Apresentação das respostas. Conclusão.

 

2º BLOCO: Casamento

l- Dinâmica
Objetivo

Aprofundar o tema casamento: o que é necessário para que a opção de se casar seja madura e positiva, condições de validação, paternidade responsável, controle de natalidade, aborto, sabedoria para fazer do casamento um constante namoro...

Material necessário
Palestrantes.

Descrição da dinâmica
Convidar um casal ou um médico, engajado na comunidade, para uma reflexão com os crismandos sobre temas voltados para a vocação matrimonial. Os convidados podem abordar os primeiros tempos de seu casamento, desenvolvendo a partir daí os demais temas. Mostrar que, vivendo a própria vocação matrimonial, os jovens se tornarão adultos na fé, sendo igrejas domésticas e apóstolos. Seria interessante abrir espaço para perguntas e colocações dos jovens.

2º Dinâmica

Objetivo
A partir das opiniões dos jovens, falar sobre o tema casamento.

Material necessário
Papéis com perguntas, canetas ou lápis.

Descrição da dinâmica
Colocar para os jovens algumas perguntas que deverão ser respondidas em grupos e depois em plenário orientado.
1. O que significa casar-se para vocês?
2. Acham importante haver preparação para o casamento? O que entendem por preparação?
3. Será que são necessários o casamento civil e o religioso? Por quê?
4. Existe diferença entre amor de namorados, de noivos, de recém-casados e de casados há mais tempo?

Leitura de apoio

Poemas de amor e de vida (livro do Cântico dos Cânticos)
O amado:
Como você é bela, minha amada,
como você é bela!...
São pombas
seus olhos escondidos sob o véu.
Seu cabelo... um rebanho de cabras
ondulando nas encostas de Galaad...
Seus dentes... um rebanho
tosquiado
subindo após o banho,
cada ovelha com seus gêmeos,
nenhuma delas sem cria.
Seus lábios são fita vermelha,
sua fala melodiosa.
(Cântico dos Cânticos 4,1 -3)

A amada:
Filhas de Jerusalém, eu conjuro vocês: se encontrarem o meu amado, que lhe dirão?... Digam que estou doente de amor! "O que o seu amado é mais que os outros, ó mais bela das mulheres?" [...] Sua boca é muito doce... Ele todo é uma delícia! Assim é o meu amigo, assim o meu amado, ó filhas de Jerusalém. (Cântico dos Cânticos 5,8-9.1 6)

As estrofes do livro do Cântico dos Cânticos, na Bíblia, falam de realidades de vida.

Descrevem o anseio profundo de amar, o valor do corpo nas relações humanas e os sonhos que povoam a imaginação dos enamorados. Nele, encontramos graça, poesia, beleza e realidade. É um livro diferente. Segundo alguns estudiosos, o Cântico faz parte de um conjunto de poemas populares, cantados os declamados em cerimônias ou festas de casamento, bem como constitui a leitura pascal da liturgia judaica e cristã. Expressa, além do sentido da união de um homem e uma mulher, o casamento entre Deus e seu povo. Nele, podemos:
• perceber o valor do amor entre homem e mulher;
• sentir que esse amor tem a ver com Deus;
• deixar-se embalar pela dimensão do pessoal, do afetivo, do sentimento;
• denunciar o sistema que desvirtua o sexo e o amor;
• valorizara mulher enquanto ser que ama e é amada;
• saber que sem dança e sem festa não se consegue vivenciar o Reino;
• renovar a Aliança com o Deus da Vida.

("Sete chaves de leitura para o Cântico dos Cânticos" em: Carlos Mesters, "Amor e paixão: o Cântico dos Cânticos". Revista Estudos Bíblicos 40. Petrópolis, Ed. Vozes, 1993, pp. 9-13)
Nesse livro, descobrimos que o amor é inexplicável e indizível. Ele é um mistério que só pode ser experimentado, porque é nessa experiência que as pessoas tocam o mistério da presença e da manifestação do próprio Deus. Dessa forma o Cântico resgata e consagra definitivamente o amor humano como lugar privilegiado da experiência do Deus vivo [...].

Lutar contra o amor ou tentar diminuí-lo, suprimi-lo, reprimi-lo, oprimi-lo ou explorá-lo é o mesmo que lutar, diminuir, suprimir, reprimir, oprimir ou explorar o próprio amor de Deus... Inútil, porque o amor sempre vencerá, pois ele "vem de Deus" (l João 4,7) e contra Deus ninguém pode nada.

("Cântico dos Cânticos: o grandioso mistério do amor humano" em: Ivo Storniolo, "Fraternidade e juventude (I)". Revista Vida Pastoral 162, jan/fev 1992, São Paulo, Paulus Ed., pp.13-20)


Namoro: conhecer para amar melhor
Namorar é um jeito de se expressar que ocorre não só no beijo ou no abraço: é também um conjunto de palavras e ações que buscam nos deixar ainda mais apaixonados. É um dar e receber amor. Amor que desabrocha. Como é gostoso namorar quando se tem por base a amizade, quando os dois jovens sentem-se responsáveis, um pelo outro, e partilham carinho, afeto, compreensão e entendimento.

Contudo, corre-se o risco de perder esse momento precioso. Muitos brincam de namorados... Pode acontecer um mero "ficar". Substitui-se o namoro pela experiência do juntar-se, do amigar-se. Entretanto, a falta de estrutura do casal pode levar a situações como aborto, gravidez na adolescência, abandono de crianças, separações irresponsáveis, gerando problemas sociais e éticos gravíssimos.

A experiência de namoro é marcada muitas vezes pelo ciúme, pelas cobranças, pela falta de confiança de ambos; por outro lado, também pela honestidade, vibração, fidelidade e amizade. É importante não se iludir com a atração física, com presentes caros ou contas bancárias promissoras... Quem assim age está se preparando para a desilusão e o desengano.
Outro equívoco é o machismo. Como resposta a esses desafios, fica a certeza: só o amor maduro é capaz de trazer felicidade à vida a dois.

É preciso se preparar para o futuro afetivo da mesma forma como se prepara para uma profissão. Por isso o tempo do namoro é especial. É nele que se busca viver profundamente a experiência de conhecer o outro. O diálogo é fundamental. No namoro se constroem as bases de um matrimônio válido, onde é necessário:

conhecer-se bem: às vezes nos propomos a assumir o compromisso de constituir uma família, mas não sabemos ao certo o que é isso. Lógico que não se sabe tudo, entretanto, há um mínimo necessário de maturidade para que o casamento dê certo;

dar-se a conhecer: seja sempre sincero. Não caia na ilusão de esconder quem você é para agradar ao(à) namorado(a). Ninguém merece que você se anule. Dê o melhor de si e tente melhorar, mas fale a respeito de suas dificuldades e limitações. Todos têm seus pontos altos e baixos. Você não é diferente. Além disso, se a pessoa o ama ela vai aceitá-lo do jeito que você é. É traumatizante casar e descobrir que o cônjuge não é bem aquilo que dizia ser;

conversar, conversar, conversar: o diálogo é a ferramenta do conhecimento mútuo. É, também, o remédio eficiente para as crises conjugais. Nessas conversas é importante, como vimos acima, conhecer bem o outro e dar-se a conhecer;

ter comunhão de vida: é preciso cumplicidade nos sonhos, ideais, respeito, paciência, saber pedir perdão e perdoar, conseguir rir e chorar juntos. Sem comunhão de vida o matrimônio não acontece, pois, afinal, recebe-se a bênção para fazer da família uma comunidade. No namoro já se pode perceber se essa comunhão existe;

ter certeza da escolha: o coração não mente. Ele indica se o sentimento que experimentamos é amor ou não. Também, se esse amor existe em função de uma única pessoa, uma pessoa especial. Por isso o namoro é importante. É uma busca da alma gêmea.

Se você não tem certeza, espere mais um pouco. O casamento muda radicalmente a vida de alguém. Não dá para manter os hábitos de solteiro. Se seus projetos de vida estiverem ainda confusos, ou se as prioridades forem outras, converse com o(a) namorado(a). E, principalmente, escute o seu coração. Se sentir que ainda não é a pessoa certa, tenha coragem de assumir o que sente. Mantenha a amizade. Entretanto, siga seu caminho e deixe que a pessoa busque sua felicidade com outro (a);

desejar sinceramente o sacramento do matrimônio: o casamento na Igreja não é mera ocasião para se colocar roupa nova, vestir-se de branco ou dar uma festa. Casar-se sem acreditar no sacramento ou sem concordar com suas deliberações, é uma farsa. Não se pode casar-se porque todo mundo casa. Matrimônio é quando o casal busca a bênção de Deus e torna-se uma igreja doméstica, capaz de, pelo testemunho, anunciar e fazer visíveis os sinais do Reino em nosso meio;

saber que o caminho se faz caminhando: não há fórmula mágica para o casamento dar certo. Entretanto, duas realidades são fundamentais - amar e ter maturidade. Sem isso, não dá para ficar junto com alguém, pois casar é ver-se todo dia, por anos... Sem amizade, diálogo -frutos do amor e da maturidade - fica difícil realizar-se na vida a dois.

Estas são algumas dicas para o casamento ser válido - ou seja, ter condições mínimas para ser sacramento. Há outras recomendações específicas, mas escolhemos estas mais gerais para ajudar na vida do jovem, principalmente para clarear o namoro. Nosso objetivo é que ele seja feliz no amor...

Casamento: sacramento da família

A celebração do matrimônio apresenta o casamento como uma vocação. É uma opção de vida. Os dois formarão a comunidade conjugal. Casando-se diante da comunidade cristã, os dois se comprometem livremente a aceitar a aliança de amor.

Enquanto não se casam, são livres para essa opção. Mas uma vez que decidiram optar pelo matrimonia, seguindo os pressupostos que apresentamos anteriormente para que seja válido, devem assumi-lo como é, com seus valores, com suas exigências de amor, de unidade, de fidelidade, de indissolubilidade e de comunhão íntima de vida. Quanto à presença dos filhos é interessante que haja um planejamento familiar. Os filhos precisam ser aceitos, assumidos, educados e formados como seres humanos e cristãos.

Marido e mulher, vivendo a própria vocação matrimonial, tornam-se adultos na fé. Viverão a própria vocação como igreja doméstica e se tornarão apóstolos. Viverão o que Santo Ambrósio chama de o ministério da fertilidade.

O que sustenta a família, o casal, é o amor. Esse amor se manifesta em quatro níveis: 1. sexualidade: Deus nos criou homens e mulheres para que nos completássemos. Uma vida sexual saudável é fonte de realização e auto-estima; 2. alguém especial: o ser amado precisa de carinho, de atenção. Liberte-se um pouco da correria do dia-a-dia e dedique-se àquele que ama. Também, é preciso cultivar a amizade, pois é ela que vai prolongar o amor de vocês; 3. irmãos em Deus: é importantíssimo respeitar a pessoa amada e vê-la como filha de Deus, repleta de dignidade; 4. viver em comunidade: é participando da comunidade que adquirimos força e discernimento para superar juntos os conflitos da vida e educar os filhos, aumentando nossa fé em Deus.

Celebração
Apresentar uma aliança de casamento para o grupo. Cada um pode pegá-la e falar um pouco sobre o que ela significa para si depois de tudo que foi partilhado no encontro, pedindo força e abertura de coração para viver um grande amor.

Próximo encontro

Se a equipe coordenadora optar pela 2a dinâmica do próximo encontro, sugerir aos crismandos que durante a semana façam uma pesquisa sobre a educação no Brasil, utilizando jornais, revistas, internet, livros, entrevistas etc.

Citações Bíblicas

• o casamento é realidade oportuna para Deus manifestar-se: João 2,1-12;
• que os esposos amem suas esposas como o Cristo ama a sua Igreja: Efésios 5,25-33;
• Deus criou o homem e a mulher para multiplicarem o género humano: Génesis l ,28;
• livro do Cântico dos Cânticos 4,1-3; 5,8-9.16, onde o amor humano é descrito com lindas palavras (livro do crismando);
• o sacramento do matrimônio, se válido, é indissolúvel: Mateus 19,1-12.