Encontro 26
Crisma: sacramento da maturidade

Introdução

Este encontro é o resultado da soma de todos os outros encontros que o precederam. Se eles foram proveitosos e interpelantes, os testemunhos dos crismandos serão carregados de verdade e entusiasmo.

É interessante que esta e a próxima reunião, que tratam da vivência do sacramento da crisma, sejam trabalhadas com especial afinco - se possível, num retiro. Cada jovem precisa ter claro o que é o sacramento que vai receber, por que está optando por recebê-lo e a missão decorrente dessa opção.

Orientem bem os jovens para a recepção do sacramento da reconciliação, realizada normalmente na semana de preparação ao sacramento da crisma.

Um ótimo presente para cada crismando, para coroar o momento de recepção do sacramento e apontar para sua missão de anunciador da Boa Nova, é uma Bíblia (ou Novo Testamento) dada pêlos pais e padrinhos, por exemplo.

Objetivo

Mostrar a dimensão pessoal e eclesial da crisma, sacramento inaugurado em Pentecostes, quando a Igreja nasce para o mundo.

Estratégias

Num clima de amizade e alegria, cada um pode falar o que está sentindo às vésperas de receber o sacramento da crisma.

l- Dinâmica
Objetivo

Aprofundar os temas centrais do sacramento da confirmação.

Material necessário

Diversos itens de apoio (ver lista abaixo).

Descrição da dinâmica

l° passo - Dividir a turma em oito grupos. Cada um refletirá sobre uma palavra-chave: Batismo, Crisma, Pentecostes, Mistério Pascal, Unção do Crisma, Imposição das mãos, Espírito Santo, Confirmação, Celebração. Escolher um símbolo que sintetize as descobertas do grupo.

2° passo - Apresentação. Conclusão.

2- Dinâmica
Objetivo

Falar sobre o sacramento da crisma a partir das colocações do grupo.

Material necessário
Oito pedaços de papel contendo palavras-chave.

Descrição da dinâmica
1° passo - Dividir a turma em pequenos grupos. Solicitar que respondam às seguintes perguntas:

1. O que é ter maturidade cristã?

2. O sacramento da crisma nos ajuda a ser maduros?

3. O que é realmente esse sacramento?

2° passo - Depois de conversar sobre o assunto, cada grupo escolherá uma forma diferente de apresentação: cartaz, leitura bíblica, mímica, símbolo, encenação, música, dinâmica...

3° passo - Partilha das descobertas. Conclusão.

Leitura de apoio

Relação da confirmação com o batismo e a eucaristia

Na Igreja Oriental, até hoje, esses três sacramentos constituem uma unidade. A separação, na Igreja Latina, que é a nossa, se deu por razões de ordem prática, não teológica. Isso ocorreu por vários fatores. Um deles é que o cristianismo teve suas origens principalmente nas cidades.

Cada comunidade urbana era presidida pelo bispo auxiliado pêlos seus presbíteros e ministros. Estes últimos batizavam, enquanto o bispo realizava a unção pós-batismal. Com a expansão da fé cristã, principalmente nas áreas rurais, ficou cada vez mais difícil a presença do bispo nas celebrações.

Ou este delegava aos presbíteros essa função crismai (caminho seguido pela Igreja do Oriente) ou a unção ficava para outra hora, quando o bispo visitasse a região (escolha da Igreja Latina).

Com essa separação, no decorrer do tempo, perdeu-se a consciência de unidade desses sacramentos. Depois, veio a prática do batismo de crianças pequenas e da primeira comunhão para crianças maiores.

Mais recentemente, instituiu-se a crisma para os jovens a partir dos 14 anos. Por motivos pastorais, hoje há uma ordem diferente dos sacramentos: batismo, reconciliação, eucaristia e confirmação. Mas, a iniciação para adultos, de forma geral, resgata a unidade original.


Crisma: vivência de Pentecostes hoje

O sacramento da confirmação está essencialmente ligado ao episódio de Pentecostes (Atos 2,1-8). Nesse mistério de Pentecostes nós revivemos o nascimento da Igreja. É no momento que a Igreja se abre ao serviço que ela se torna sacramento.

Como em Pentecostes, o crismado é convocado a exprimir sua fé no tes temunho do Reino. A festa da confirmação é a festa do Espírito agindo na Igreja. Esse sacramento acentua o envio, a missão. O crismado é fortalecido com a força do mesmo Espírito de Pentecostes para atuar na comunidade e no mundo. A confirmação é um começo e não um ponto de chegada. Manifesta-se, assim, seu caráter de iniciação.

A palavra confirmação tem o sentido de tornar firme e forte. Esse nome apareceu pela primeira vez no Concílio de Orange (ano de 441). Apóia-se no texto de Paulo:

Quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito (2Coríntiosl,21-22).


Comunidade celebra e se renova

Como todos os sacramentos, a confirmação é celebração da comunidade. Nela a Igreja faz sua profissão de fé no Espírito Santo.

A confirmação, se realizada na celebração eucarística, possui o mesmo rito até a homilia. Isso inclui ritos de entrada e o rito da Palavra (com leituras do Antigo e do Novo Testamento).

Depois da homilia, dá-se o rito específico do sacramento, que se encerra com a oração dos fiéis. Então, a celebração segue seu curso normal: preparação das ofertas, oração eucarística...

Apresentamos abaixo algumas dicas para celebrar com profundidade esse momento rico da Igreja.

Ritos de entrada

Começam com a prática de acolhimento, promovendo-se um clima de amizade, que leva as pessoas a uma efetiva participação. Sugerimos um conhecimento mútuo através de conversas, cumprimentos, ensaio de cantos, marcação das leituras bíblicas do dia, arrumação do ambiente, divisão das tarefas com o auxílio da assembleia, na medida do possível.

A seguir, a procissão de entrada e o canto. Nesta primeira parte se colocam os objetivos da celebração, faz-se o ato penitenciai, no qual se pede perdão ao Pai, pelo Filho, na força do Espírito Santo das vezes em que não colocamos em primeiro lugar o Projeto Divino.

Os ritos iniciais se encerram com o canto do glória e a oração da coleta.

Rito da Palavra

Pode iniciar-se com uma procissão da Bíblia. Quando lemos as Sagradas Escrituras, estamos fazendo presente o próprio Deus que nos fala (Dei Verbum, n. 21).

Muitos são os textos da primeira leitura, tirados do Antigo Testamento. As sugestões são: Isaías 11, l-4a; 42,1-3; 61,l-3a.8b-9; Ezequiel 36,24-28; Joel 2,23a.26-30a. O salmo de meditação entremeia as leituras e nos leva a interiorizar as suas mensagens.

A segunda leitura é tirada do Novo Testamento. Se for preciso omitir alguma leitura, normalmente é esta, pois será proclamado um outro texto do Novo Testamento, tirado de um Evangelho. Os textos são muitos. Assim, se poderá optar entre Atos 1,3-8; 2,l-6.14.22b-23.2,33; 8,1.4.14-17; 10,1.33-34a.37-44; 19,1b-6a; Romanos 5,1-2.5-8; 8,14-17; 8,26-27; l Coríntios 12,4-13; Galatas 5,16-17.22-23a.24-25; Efésios I,3a.4a.l3-19a; 4,1-6.

A aclamação ao Evangelho poderá ser feita através de um canto alegre, que exprima a felicidade da assembléia que está prestes a ouvir a Boa Nova de Jesus Cristo. Sugerimos: Mateus 5,1-12a; 16,24-27; 25,14-30; Marcos 1,9-11; Lucas 4,16-22a; 8,4-10a; 10,21-24; João 7,37b-39; 14,15-17; 14,23-26; 15,18-21.26-27; 16,5b-7.12-13.

Na homilia, o bispo explica e atualiza as leituras. Faz a Palavra de Deus circular e tornar-se atual. Busca levar a assembléia a uma compreensão mais profunda do sacramento da confirmação.

Rito da confirmação

A seguir, se fará a renovação das promessas do batismo. Ela representa a profissão de fé dos crismandos e da assembléia na Trindade e na Igreja. Ocorre, então, a imposição das mãos por parte do bispo e dos presbíteros concelebrantes.

Acompanha essa imposição a oração consecratória, que explica o significado do rito. Nela se pedem os dons da sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Conforme Isaías 11,1-3, vemos que esses dons são relacionados como atributos do Messias, o verdadeiro rei que veio para servir e não para ser servido.

O cristão, pela confirmação, recebe a força do Espírito para ser missionário a serviço, como Jesus. A imposição das mãos é um rito comum a quase todos os sacramentos. Tem o sentido de bênção (Gênesis 48,14-20; Marcos 9,13), de consagração a Deus (Números 8,9.14.21), investida em uma missão (Números 11,16-17) e gesto de cura (Lucas 13,13; Atos 14,3).

A seguir, vem a unção com o óleo do crisma.

Cada confirmando se aproxima (utilizando um crachá), e o padrinho/ madrinha (se houver) coloca a mão direita sobre seu ombro, dizendo o nome do candidato (ou ele mesmo o diz).

O bispo, tendo mergulhado o polegar no óleo, marca o confirmando na fronte com o sinal-da-cruz, dizendo:

- (Nome), recebe por este sinal o dom do Espírito Santo.

O confirmado responde:

-Amém.

O bispo:

- A paz esteja contigo.

O confirmado:

- E contigo também.

Durante o rito da unção, a comunidade pode cantar. Depois, segue-se a oração dos fiéis.

Aqui encontramos outro símbolo da comunicação do Espírito Santo. No Antigo Testamento, a unção simbolizava força, poder, cura (Isaías 1,6), saúde, alegria (Provérbios 27,9), bom odor, beleza, consagração (l Samuel 10,1; Isaías 61,1-3). O óleo era utilizado, normalmente, após o banho (Daniel 13,17). Na crisma, após o banho batismal, o cristão é perfumado para exalar o bom odor de Cristo (2 Coríntios 2,15). É o símbolo do testemunho vivo do cristão no seu dia-a-dia, graças ao Espírito.

No Novo Testamento, vemos que o ungido de Deus é Cristo (Atos 10,38). Cristo não é nome próprio. É um título, que significa Messias, Ungido de Deus, Rei.

O cristão, ao receber a unção, torna-se também ele um ungido. Somos ungidos no Ungido para realizarmos nossa missão no anúncio (querigma) da Boa Nova do Reino, no serviço (diaconia) aos irmãos, através da comunhão (koinonia), do testemunho (mártiria) e da celebração (liturgia). Esse envio é feito pelo bispo, como aquele que pastoreia, une e confirma a comunidade em nome de Cristo.

Rito eucarístico

Apresentação das oferendas: pão e vinho e outros dons da comunidade; oração eucarística: prefácio, santo, epiclese (invocação ao Espírito Santo para realizar o milagre de transformar o pão e vinho no corpo e sangue do Senhor), narração da instituição da Eucaristia, memorial do Senhor, sacrifício de Jesus, intercessões, glorificação da Trindade.

Rito da comunhão

Pai-nosso, abraço da paz (seria interessante deixá-lo para o final da celebração), Cordeiro de Deus, fração do pão, comunhão, canto e ação de graças.

Ritos finais

Bênção especial e envio, despedida, abraço da paz, canto.

Celebração

No centro do grupo, colocar uma vasilha com água e um pouco de perfume. Explicar a simbologia. De dois em dois, molhar o polegar na água e fazer o sinal-da-cruz na testa do companheiro. Dizer, por exemplo:

- Amigo (a), renova em tua vida a fé no Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.

Próximo encontro

Refletir durante a semana: "E aí, o que você vai fazer depois de receber o sacramento da crisma?".

Citações Bíblicas

• a palavra confirmação tem o sentido de tornar firme e forte: 2 Coríntios 1,21-22 (livro do crismando); crisma é o nome do óleo utilizado na unção;

• textos do Antigo Testamento: Isaías ll,l-4a; 42,1-3; 61,l-3a.8b-9; Ezequiel 36,24-28; Joel 2,23a.26-30a;

• textos do Novo Testamento: Atos 1,3-8; 2,l-6.14.22b-23.2,33; 8,1.4.14-17; 10,1.33-34a.37-44; 19,lb-6a; Romanos 5,1-2.5-8; 8,14-17; 8,26-27; l Coríntios 12,4-13; Galatas 5,16-17.22-23a.24-25; Efésios I,3a.4a.l3-19a; 4,1-6; Mateus 5,l-12a; 16,24-27; 25,14-30; Marcos 1,9-11; Lucas 4,16-22a; 8,4-lOa; 10,21-24; João 7,37b-39; 14,15-17; 14,23-26; 15,18-21.26-27; 16,55-7.12-13;

• imposição das mãos por parte do bispo e dos presbíteros concelebrantes, quando se pedem os dons da sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus: Isaías 11,1-3; tem também o sentido de bênção (Génesis 48,14-20; Marcos 9,13), de consagração a Deus (Números 8,9.14.21), investida em uma missão (Números 11,16-17) e gesto de cura (Lucas 13,13; Atos 14,3);

• unção com o óleo do crisma, simbolizando força, poder, cura (Isaías 1,6), saúde, alegria (Provérbios 27,9), bom odor (Daniel 13,17), beleza, consagração (l Samuel 10,1; Isaías 61,1-3), o ungido de Deus (Atos 10,38; Lucas 4,16-21). Na Crisma, após o banho batismal, o cristão é perfumado para exalar o bom odor de Cristo (2 Coríntios 2,15). É o símbolo do testemunho vivo do cristão no seu dia-a-dia, graças ao Espírito.