SER PROFETA NO MUNDO DAS COMUNICAÇÕES
1. O discípulo de Cristo é aquele que primeiro
escuta e depois faz e fala.
A escuta, o testemunho e a palavra são as três
pilastras do edifício espiritual, imprescindíveis
na Catequese, na Comunicação da Boa Nova.
A comunicação é um assunto antigo e novo.
Tão antigo quanto a palavra, característica do
ser humano, tão novo quanto os meios que nos surpreendem
por sua incrível abrangência e instantaneidade.
2. Nosso mundo vive um sistema que desencadeou uma série
de forças, sem saber ainda como domesticá-las,
como fazê-las convergir num progresso ascensional.
3. Quem não esteve recentemente na Coréia e no
Japão (na Copa do Mundo) vendo e ouvindo sons diversos,
grafias diferentes, costumes, culturas? Na escola estudamos
a Ásia, na Faculdade aprofundamos o estudo, mas agora
estivemos lá sem sair de casa.
Em um mundo em que as notícias são praticamente
instantâneas, chegam como enxurrada e envelhecem em 15
minutos, como fazer para que nossos irmãos prestem atenção
às mensagens impactantes e aos ensinamentos maravilhosos
que desejamos ardentemente transmitir, segundo a ordem de Jesus:
“Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura”
(Mc 110,15).
4. O profeta é aquele que conjuga a inspiração
do Alto com a respiração da realidade. Ele prolonga
o mistério da Encarnação do Verbo, partilha
seus aniquilamentos. Anuncia e denuncia.
Aquele que anuncia sente-se impuro como Isaías (Is 10,5)
e incapaz como Jeremias (Jer 1,10) e deseja que o Senhor purifique
seus lábios com brasas ardentes (Is 10,7) e coloque Suas
palavras em sua boca (Jer 1,9).
Quem nunca se sentiu tão distante da transparência
exigida no apostolado e na catequese?
A Graça de Deus age o tempo todo, no que semeia e no
que acolhe.
5. Também é necessário ter a coragem de
dizer NÃO à mentalidade do mundo.
“Seja o seu sim, sim, seja o seu não, não”
(Mt 5,37) , sem ambigüidades, sem concessões.
É necessário desenvolver um sadio juízo
crítico para discernir o joio do trigo nas informações
que nos vêm pelos jornais, rádios, TV, Universidades,
etc.
7. Superemos o medo de não sermos aceitos se não
seguirmos o estilo do mundo.
A massificação provoca o desinteresse: tudo fica
previsível.
Como alertar para a Grande Novidade do Evangelho?
Mais do que estudar é preciso pensar.
“Aprender a pensar, eis o princípio da moral”,
disse Pascal.
Aprender a pensar, discernir, prestar atenção
e orar são requisitos permanentes para o
progresso espiritual necessário aos discípulos
de Cristo.
8. Destaco outro ponto importante para nós, catequistas:
não esvaziemos o Mistério, o sacral, o transcendente.
Não banalizemos a Boa Nova.
O Mistério não é uma muralha onde nossa
inteligência vai se esfacelar, mas um oceano em que ela
vai mergulhar como uma gota d?água.
Todo ser humano tem impresso em sua consciência, o abecedário
sagrado que o impele
para a transcendência.
9. Há algo que cause mais espanto, ternura e reverência
do que o Mistério do Verbo Encarnado?
Não diminuamos o esplendor dessa verdade central do
cristianismo, com um antropocentrismo, ou melhor, egocentrismo
que nos esvazie do divino, do sagrado.
10. O Senhor não precisa de propagandistas mas de discípulos.
O catequista é aquele que prepara os corações
e aponta para o Messias esperado, há tanto tempo desejado
– Jesus, que é o centro de nossa catequese.
11. Tudo quanto precisava de ser dito já o foi pelo
Verbo, a “dicção” do Pai. Desejaríamos
ser um pequeno eco de algumas verdades eternas.
12. Cristo veio reconciliar as coisas da terra com as coisas
do céu.
“A Catequese deve ser uma escola permanente de fé
e seguir as grandes etapas da vida como um farol que ilumina
o caminho. Vivemos num mundo difícil, no qual a angústia
que decorre do fato de ver as melhores realizações
do homem escaparem-lhe das mãos e voltarem-se contra
ele, cria um clima de incerteza. É dentro deste mundo
que a catequese deve ajudar os cristãos a serem ‘luz?
e ‘sal?, para a sua felicidade e para o serviço
de todos”.
Conclusão:
Em todas as épocas a Igreja acerta o passo entre o tempo
e a eternidade.
O catequista de hoje deve utilizar todos os recursos e meios
de comunicação que estão a seu dispor.
Nosso D.N.A. batismal exige que todo cristão seja também
apóstolo.
Os meios de comunicação, os mais modernos e eficientes,
podem e devem ser utilizados. Eles são de grande eficácia
sempre que a tecnologia é colocada a serviço do
Espírito, sempre que o conteúdo for mais importante
do que o meio.
Felizes aqueles que unidos ao Verbo Encarnado, aprendem a Dicção
do Pai e prolongam, pelas mãos de Maria, o Mistério
da Encarnação em todos os meios e por todos os
meios.
Esse é o bom combate a que somos chamados. É
o nosso campeonato.
Acabei rezando, como tantos, pela vitória do Brasil
mas acrescentei:
“Senhor, fazei que eles e nós não percamos
as oportunidades de Vos tornar mais conhecido e amado. Não
há gol mais bonito! Gol que vara as redes do tempo e
alcança a
Eternidade. Fazei com que todos gozemos da vossa herança
de paz!”
Só uma chama acende outra chama!
(Resumo da mensagem proferida por Madre Maria Helena Cavalcanti,
Fundadora e Superiora Geral da Congregação de
Nossa Senhora de Belém, no 3º Congresso Arquidiocesano
de Catequese – 20 de julho de 2002)