27. A comunicação de Jesus por
meio de parábolas - Capítulo 01
Qual a função das parábolas na catequese?
As parábolas sempre ocuparam um lugar
privilegiado na catequese, porém, muitas vezes, mais
por motivos de ética, de psicologia e de pedagogia religiosa
que por explícito reconhecimento do primado da palavra.
Consideradas fáceis de ser explicadas e de ser aprendidas,
além de capazes de despertar o interesse dos ouvintes,
as parábolas foram, às vezes, empregadas na catequese
como suporte para uma verdade dogmática ou moral. Este
papel de apoio afasta as parábolas de seu natural contexto
bíblico, as empobrecendo e selecionando de ambíguo.
Neste caso, o resultado é não deixar de falar
o texto sagrado, mas fazê-lo dizer o que ele não
pretende afirmar ou que propõe como secundário,
deixando de lado seu conteúdo original.
O Concílio Vaticano II declarou que não podemos
limitar o citar a Bíblia apenas e sobretudo para ilustrar
ou motivar uma verdade da doutrina cristã. É,
sem dúvida, um sinal dos tempos a redescoberta do primado
da Escritura e a convicção de que ela, ainda hoje
– como acontecia na Igreja primitiva – deve ser
o centro de ensinamento da catequese. A constituição
Dei Verbum afirma que “a Igreja sempre venerou as divinas
Escrituras... É necessário, portanto, que toda
pregação eclesiástica, como a própria
religião cristã, seja alimentada pela Sagrada
Escritura” (n21).
Nos 20 anos sucessivos ao Vaticano II, já se fez uma
notável caminhada na relação Bíblia-catequese,
embora ainda reste muito a fazer na aquisição
prática desse novo estilo catequético.
A Catechesi Tradendae (n27) nota que a “catequese alcançará
sempre seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus”.
O doc. 26 da CNBB, Catequese Renovada, diz que “todo roteiro
catequético deverá incluir estímulos e
orientações com vista a uma leitura da Bíblia,
segundo um plano adequado à idade e às condições
culturais do leitor. O plano deve favorecer uma leitura interessante,
viva, com acesso direto aos textos, ajudando a compreensão
da mensagem, assim como o Magistério da Igreja à
interpreta” (n.88).
A acentuação do valor da Escritura e o esforço
para a renovação da catequese fizeram com que
também as parábolas não fossem mais usadas
de modo paralelo ou apenas integradas no texto de catequese.
Foi gradualmente amadurecendo a convicção de que
as parábolas já são uma forma de catequese
e não simplesmente uma exemplificação de
catequese enquanto revelam o projeto de Deus em Cristo em favor
do homem.
Colaboração: Maria Helena L. de
Carvalho - Novo Hamburgo
Fonte: Luiz Guglielmoni – Revista Catechesi, Itália
(1983/15, pp.11-19)
Orientações gerais e indicações
práticas para uso das parábolas na catequese.
R. M. O. traduziu.
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