28. A comunicação de Jesus por
meio de parábolas - Capítulo 02
Diante das parábolas
O catequista precisa ser ajudado a tomar
um atitude correta diante das parábolas, para não
cair no grave risco de diminuir a riqueza de conteúdo
e de “provocação” que elas possuem.
A “primeira etapa” para uma correta aproximação
do catequista à parábola evangélica consiste
na leitura calma e atenta da própria parábola.
Esta deve ser conhecida em suas leis narrativas, situada em
seu contexto e compreendida à luz da teologia do evangelista
ao qual pertence (Os Sinóticos ou João).
O material das parábolas é, muitas vezes, distante
da mentalidade é, muitas vezes, distante da mentalidade
de hoje, em vista das mudanças das condições
sociais, econômicas, culturais e políticas da vida
(confrontemos, por exemplo, o costume nupcial de hoje com o
daquele tempo, descrito em Mt 25, 1-13).
É portanto conhecer os usos e os costumes da Palestina,
para preencher a distância entre aquele tempo e o hoje.
O interesse objetivo pelo texto sagrado deve vir antes de qualquer
outra consideração. O catequista, entretanto,
é levado a preocupar-se logo com os destinatários
de seu anúncio, sem deter-se adequadamente no texto bíblico
tal como é, sem outras considerações que
possam interessar à sua tarefa.
A “segunda etapa” de uma séria valorização
das parábolas na catequese consiste em indagar: “Que
diz a mim, catequista, aqui e agora, o texto sagrado”?
É o aspecto da espiritualidade do catequista, ao qual
não se pode simplesmente que repita a parábola,
mas que a acolha e viva em primeira pessoa, para poder depois
anunciá-la aos outros.
Antes de ser explicada a outros, a parábola deve tornar-se
significativa e estimulante para a conversão do próprio
catequista, o qual não pode ter a pretensão de
já conhecer e viver todo o mistério de Cristo
(CT 5-9; DV 25).
Uma leitura personalizada torna-se meditação,
revisão de vida, propósito para o futuro. A parábola
não é um revestimento imaginoso de verdades pedagógicas,
éticas ou religiosas. É a “boa nova”
que tende a pôr em movimento as pessoas, fazendo com que
se encontrem com Cristo.
A “terceira etapa” deste itinerário, trabalhoso
mas frutuoso, que procura recuperar o valor das parábolas
na catequese, é fornecida pela pergunta: “A quem
anuncio este texto evangélico? A quem me dirijo?”
Como Jesus conhecia em profundidade seus interlocutores (Mt
9, 4), assim também o catequista precisa conhecer bem
os destinatários do seu anúncio, sua mentalidade
e problemática, suas aspirações e dificuldades.
O verdadeiro catequista não improvisa. Ele assume inteiramente
o humano de seus ouvintes para ser o mediador do encontro deles
com Cristo. Como João Batista )Lc 3, 1-8), também
o catequista tem a preciosa missão de “preparar
o caminho” para Cristo, para o encontro com o homem.
A tomada de consciência da situação existencial,
psicológica, cultural e social do homem faz-se em vista
da vida de fé, à qual tende a obra do catequista
(CT 39). Por meio das parábolas, Jesus envolve as pessoas
de hoje. Os primeiros destinatários e ouvintes são
substituídos por outros. Mas a proposta de salvação
continua a mesma.
A tomada de consciência da situação existencial,
psicológica, cultural e social do homem faz-se em vista
da vida de fé, à qual tende a obra do catequista
(CT 39). Por meio das parábolas, Jesus envolve as pessoas
de hoje. Os primeiros destinatários e ouvintes são
substituídos por outros. Mas a proposta de salvação
continua a mesma.
A “quarta etapa” convida o catequista a definir
bem o conteúdo de sua mensagem: “Que quero anunciar”?
Enriquecido de um conhecimento orgânico e sistemático
da fé (CT 26-30) e consciente das características
de seus destinatários, o catequista é chamado
a inserir as parábolas na caminhada catequética
do grupo que lhe é confiado.
Exatamente porque tem presente o significado original da parábola,
o catequista pode sublinhar os seus aspectos que mais condizem
com o roteiro (temas e experiências) dos destinatários.
Este trabalho exige do catequista clareza de exposição
no encontro, sabedoria em escolher a parábola apropriada
e flexibilidade na apresentação de seus conteúdos.
A “quinta e última etapa” se refere à
procura dos instrumentos ou meios capazes de comunicar a parábola.
Trata-se de responder à pergunta: “como posso transmitir
a mensagem desta parábola, para que seja compreendida
e acolhida”?
Como se pode notar, este aspecto está no último
lugar, embora, freqüentemente, seja a primeira e até
a única preocupação do catequista. Sem
ter percorrido as quatro etapas acima descritas, esta última
sozinha resultaria muito empobrecida e, certamente, insuficiente.
Mas é também verdade que os aprofundamentos precedentes
seriam estéreis para a catequese sem esforço de
procurar como transmitir e tornar atual o anúncio contido
na parábola. É por isso que se exige que o catequista
adquira gradualmente uma competência pedagógica
e metodológico-didática, para estar a serviço
de um anúncio da fé que atinja realmente as pessoas
a quem se dirige (CT 31, 35-45, 58).
Os cinco critérios aqui expostos servem para toda página
da escritura, mas devem ser aplicados particularmente nas parábolas,
pelo fato de ser mais fácil a ilusão de conhecê-las
já suficientemente e a tentação de chegar
logo “ao prático”.
Não se deve então admirar se a primeira reação
dos catequistas diante deste projeto de pesquisa bíblico-espiritual-didática
sobre as parábolas seja, às vezes, de indiferença
e recusa. Se não estão adequadamente iluminados
sobre a importância das parábolas, os catequistas
podem pensar que tal exposição “faz perder
tempo, leva para fora do tema, é reservada só
para os especialistas...”
Pelo contrário, este é o caminho obrigatório
para uma séria valorização das parábolas,
sobretudo numa catequese que ainda se esforça por reconhecer
o primado da Palavra.
Colaboração: Maria Helena L. de
Carvalho - Novo Hamburgo
Fonte: Luiz Guglielmoni – Revista Catechesi, Itália
(1983/15, pp.11-19)
Orientações gerais e indicações
práticas para uso das parábolas na catequese.
R. M. O. traduziu.