30. A comunicação de Jesus por
meio de parábolas - Capítulo 04
A parábola como “laboratório”
A parábola constitui, sem dúvida,
uma das páginas da Escritura que consegue envolver os
catequistas e os destinatários de seu anúncio,
tornando-se fonte de muitas pistas e iniciativas catequéticas.
Tudo isso só é possível se antes se realizou
a pesquisa e o aprofundamento, de que se falou. Caso contrário,
cairíamos no antigo risco de “servirmo-nos”
da palavra, em vez d “servir” à palavra,
enquanto Palavra de Deus.
Eis alguns exemplos de como a parábola pode realmente
tornar-se um “laboratório” para a catequese
às crianças, aos adolescente, aos jovens e aos
adultos.
O catequista depois de proclamar e comentar a parábola,
pode pedir aos ouvintes que representem em desenho os personagens
ou aqueles aspectos que mais os impressionaram. Deste modo,
o significado global da parábola aparece exatamente da
seqüência dos desenhos de todos.
Com as crianças, convém ler a parábola,
depois projetar o filme ou slides e depois proclamar de novo
o texto bíblico, que será então recebido
com maior profundidade.
A dramatização é também importante
forma de comunicação que exige reflexão,
expressão corporal e criatividade. Se for possível,
os personagens recitem em voz alta o texto sagrado, ou então
façam os gestos, enquanto um leitor proclama a parábola.
Seria ainda melhor se, como apêndice à parábola,
se pudessem dramatizar outras cenas que tornam atual o ensinamento
do Senhor. Isto permite realçar que a parábola,
mais que ser recordada, é vivida hoje.
Para a leitura da parábola, requer-se no grupo um clima
de concentração e de silêncio, exatamente
em sinal de respeito à Palavra de Deus e de acolhida
de sua proposta. Quem então proclama o texto sagrado,
deve fazê-lo com seriedade e de solenidade, de pé.
Algumas vezes a parábola pode ser lida por mais pessoas,
cada uma representando a parte de um personagem ou do cronista.
Mesmo quando os textos de catequese (para cada faixa etária)
citam uma parábola ou a apresentam só em parte,
é preferível ler seu texto integral diretamente
do Evangelho.
Entre os cantos a serem aprendidos, convém dar preferência
àqueles que são o próprio texto da parábola
musicado. O grupo todo das crianças ou pré-adolescentes
pode unir-se no canto das parábolas ou escutar a gravação
em religioso silêncio. Isto se pode fazer também
durante a celebração eucarística (especialmente
quando o Evangelho proclama a mesma parábola), no silêncio
depois da homilia.
Na catequese é sempre muito educativo recordar outras
parábolas semelhantes à que foi proclamada e recordar
outras expressões evangélicas, que se adaptam
bem ao seu conteúdo, como também identificar as
palavras-chave do texto sagrado para concentrar nelas a atenção
e a pesquisa.
É também frutuoso o esforço de reformular
as parábolas utilizando episódios e linguagem
correntes. Tal transcrição deve, de uma parte,
salvaguardar a integridade original do texto bíblico
e, de outra, encaminhar uma mediação, através
de situações e terminologia novas.
Com os adolescentes e os jovens, pode-se preparar uma série
de entrevistas relativas a uma parábola, avaliando depois
as respostas para ver se estão em sintonia com o texto
evangélico.
A análise das parábolas permite também
delinear uma “identificação” de Deus,
de Cristo, do Reino e dos discípulos. Estas características
podem ser escritas num cartaz, tornando-se uma pequena profissão
de fé, a ser recitada em coro, ou um esquema para o exame
de consciência.
A parábola é também um ótimo ponto
de partida para a revisão de vida de um grupo (além
de servir, para cada um em particular), para a comunicação
e para o confronto da própria experiência interior,
solicitada e justificada pelo texto sagrado. Exerce função
libertadora e enriquecedora deixar cada um expor em que personagem
ou situação da parábola ele mais se reconhece.
É também animador fazer seguir a uma parábola
o relativo comentário, escrito por um Padre da Igreja
ou por um Santo ou por uma Testemunha viva.
É certamente útil, alguma vez, centralizar o sacramento
da reconciliação ou um dia inteiro de oração
numa única parábola, apresentado-a em seus aspectos
e em suas incidências. Da mediação da parábola,
é fácil passar depois à súplica,
ao agradecimento e ao louvor. Na escolha da parábola,
convém ter sempre presente o tempo litúrgico em
curso e a caminhada de fé de cada grupo.
Para lembrar que Cristo foi aquele que viveu a parábola
por primeiro e melhor que todos, pode-se colocar uma sua imagem,
tendo diante uma vela acesa, antes de começar a proclamação
do trecho do Evangelho. O mesmo se diga para Maria e os Santos.
As parábolas permitem caracterizar algumas celebrações
litúrgicas, guiadas pelo catequista ou pelo Padre. Por
exemplo, depois de ter lido a parábola do semeador, pode-se
simbolicamente entregar aos presentes uma espiga que lembra
o mistério e a responsabilidade do amadurecimento, ou
se evidencia com solenidade o livro da Palavra, porque “a
semente é a Palavra”.
A parábola do bom samaritano (Lc 10, 30-37) é
uma ótima introdução à entrega do
mandamento novo (Jo 13, 34), porque o amor é a característica
dos cristãos. Lendo as parábolas do vigilante
e das virgens (Mc 13, 35-36); Lc 12, 35-38), pode-se entregar,
aos presentes, uma vela acesa, símbolo da atenta vigília
de oração do cristão no mundo, na expectativa
da volta do Senhor.
A parábola da grande ceia (Lc 14, 16-24), ajuda a descobrir
os sinais típicos do banquete eucarístico e a
veste batismal (Mt 22, 11-14), como condição para
nele participar.
A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14), ilumina
profundamente os gestos de inclinar-se e do bater no peito diante
de Deus, como também ajuda a valorizar o momento penitencial
dentro da missa.
A narrativa das parábolas evangélicas é
enfim muito adaptada como base de comunicação
para a catequese diferencial, em vantagem, por exemplo, dos
deficientes mentais e dos retardados. Para estes, com efeito,
a narrativa bíblica, cantada e visualizada, é
muito eficaz e substitui a teoria abstrata.
Colaboração: Maria Helena L. de
Carvalho - Novo Hamburgo
Fonte: Luiz Guglielmoni – Revista Catechesi, Itália
(1983/15, pp.11-19)
Orientações gerais e indicações
práticas para uso das parábolas na catequese.
R. M. O. traduziu.