
Padre Wagner Augusto Portugal
Segundo Domingo da Páscoa, C.
“Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação, aleluia!”(Cf. 1Pd 2,2)
Meus queridos Irmãos,
Este é o tempo que o Senhor fez para nós, Alegremo-nos e Nele Exultemos!
Todos nós somos embaixadores do Cristo Ressuscitado! Assim, depois de termos refletido sobre os mistérios do Senhor, o Rei do Universo, é necessário que neste domingo volvemos nossos olhares para o que a IGREJA CHAMOU DE DOMINGO DA MISERICÓRDIA DIVINA!
A Misericórdia permeia toda a liturgia deste domingo. Numa cena que lembra a criação do mundo e parecida com a manha de Pentecostes, João conta-nos como, na tarde de Páscoa, Jesus apareceu aos Apóstolos e enviou-os com a mesma missão salvadora com que ele fora enviado pelo Pai. João dá uma conotação teológica nova: o envio dos Apóstolos é relacionado ao envio de Jesus da parte do Pai. Fica claro que a Igreja é a continuadora da missão de Jesus. Não só o prolongamento do Corpo de Jesus ressuscitado, como a chamou São Paulo, mas também o prolongamento de sua voz e de sua graça. A Igreja não tem outra missão na terra a não ser a de continuar a obra de Jesus.
Essa doce missão evangelizadora da Igreja só pode cumprir na força do Espírito Santo. Fazendo uma comparação, diríamos que a Igreja é o carro que nos conduz ao porto feliz da eternidade, mas o motor é o Espírito Santo. Numa cena que recorda a criação do ser humano, Jesus sopra sobre os Apóstolos o Espírito Santo. É o Espírito Santo a grande testemunha, isto é, aquele que deve proclamar Cristo Ressuscitado, caminho, verdade e vida da humanidade redimida. Sem o Espírito Santo de Cristo, a Igreja seria instituição meramente humana.
A evangelização tem a meta da SANTIDADE. Todos nós temos que abandonar o pecado e voltar, depois de obtermos a graça santificante, a amizade com Deus. Caminho que exige fé e humildade.
A fé envolve o encantamento com o Ressuscitado: envolve a inteligência, à vontade, os sentimentos. Temos que ter fé com o coração, porque é Feliz aquele que crê sem ver!
Meus queridos Irmãos,
Em ambas as aparições estão trancadas as portas por medo dos judeus. Jesus supera as portas trancadas não só porque possui agora um corpo ressuscitado, mas também para dizer-nos que devemos superar o medo da perseguição, da incompreensão, da decepção e da morte. Por causa dessas e de outras razões, fechamo-nos em nossa casa e em nós mesmos. Todos temos experiência desse fechamento, que não é pascal, que não é cristão. Fechar-se é morrer. A presença de Jesus enche-nos de alegria. E abrimo-nos como flor de quintal. O cristianismo é abertura para os outros. É porta aberta para receber e ir ao encontro.
Jesus presente em nosso meio não nos deixa parados. Ele faz de nós seus braços, pés e coração. Ele reparte conosco sua missão salvadora. Sua presença de ressuscitado tem a força de recriar as criaturas. Observe-se quanta semelhança tem a cena da aparição de Jesus na tarde da Páscoa com a cena da criação do mundo. De fato, a Paixão e a Ressurreição de Jesus criaram uma nova humanidade, onde o Espírito Santo de Deus fez de cada discípulo de Jesus um continuador responsável da missão de Cristo.
Irmãos,
Jesus reparte com os Apóstolos o poder de condenar e de salvar. Jesus envia seus apóstolos para a missão. Os apóstolos de ontem e de hoje somos todos nós, um povo sacerdotal pelo batismo. Por isso todos nós somos embaixadores de Cristo, e é em nome de Cristo que todos nós somos convidados a espargir o perdão, a misericórdia, a fraternidade, a paz, a justiça, o amor, tudo baseado na pessoa de Jesus Ressuscitado.
Jesus hoje nos fala da paz. Quanta paz falta no mundo? Quanta paz estamos precisando no exterior e no nosso próprio país. A paz é o centro principal da Páscoa! Cristo reintroduziu a harmonia entre o Criador e as criaturas. E é dessa paz que os Apóstolos devem encher-se para levá-la a todos os povos. Essa paz é a conseqüência do perdão dos pecados. Essa paz é a plenitude do Espírito de Deus entre as criaturas. Por isso Paulo podia escrever aos Efésios que Deus entre as criaturas.
Que nós não tenhamos a atitude de Tomé que disse que só acreditaria se tocasse nas chagas de Jesus. Tomé hoje sente Jesus ressuscitado pelo olho – viu – pelo ouvido – escutou – e pelo tato – tocou – em Jesus. Os principais sentidos humanos atestam a ressurreição de Jesus.
Meus amados Irmãos,
A comunidade seja familiar, seja eclesial, é o lugar privilegiado da ressurreição de Cristo, porque é o lugar do amor. Agora não mais dos Atos dos Apóstolos, mas dos atos dos cristãos. Importante é que eles sejam colocados na vida para que os outros vejam e, vendo, creiam e tenham a vida eterna.
Assim hoje, no dia da misericórdia, podemos cantar a seqüência do dia pascal:
“daí graças ao Senhor, porque Ele é bom! Eterna é a sua misericórdia! Este é o dia em que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! Amém!”
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO