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Padre Wagner Augusto Portugal

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Solenidade da Santíssima Trindade - C.

“Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho unigênito e bendito o Espírito Santo. Deus foi misericordioso para conosco”.

Meus queridos Irmãos,

Deus é o “mistério”. Isso não significa, estritamente, sua inacessibilidade ou incognoscoscibilidade. Significa muito pelo contrário que, enquanto “nele nos movemos e existimos” (Cf. At 17,28), nossa compreensão não consegue engloba-lo. Por isso, ele se manifesta exatamente naquilo que nos envolve, em primeiro lugar, na insondável sabedoria com que o universo foi feito. Assim, o judaísmo viu na sabedoria de Deus uma realidade preexistente ao próprio universo: a primeira criatura de Deus, conforme nos ensina a primeira leitura.

Assim ao longo do ano litúrgico vamos celebrando as grandes festas da vida cristã. Hoje celebramos o mistério da Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas – Pai, Filho, Espírito Santo, - uma verdade fundamental da nossa fé cristã, que expressamos inúmeras vezes, por palavras e gestos, na sagrada liturgia, na oração particular, na oração pública, todas as vezes que traçamos sobre nossa fronte o sinal da doce salvação, o sinal do cristão, a o “sinal da santa cruz!”.

Irmãos e Irmãs,

O Catecismo da Igreja Católica define a Santíssima Trindade como “O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus no-lo pode dar a conhecer, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo”.(Cf. Catecismo da Igreja Católica número 261).

A comunidade cristã é a nova família desse Deus uno e trino, origem e finalidade de toda a criatura humana. Portanto, este mistério é a maior novidade trazida por Jesus no Novo Testamento. Jesus confirmou o Deus único, criador e Senhor do mundo, em que os hebreus acreditavam e em torno de quem faziam girar, com rigor, suas vidas, leis, cultos e atividades.

Mas Jesus levou-nos para além dessa dimensão Deus-criaturas, mostrou-nos a vida de Deus no seu lado de dentro e revelou-nos que o amor do Pai personifica-se no Filho. Na Ceia Última, quando o Apóstolo Filipe pediu que Jesus lhes mostrasse o rosto do Pai, Jesus respondeu: “Quem me vê, vê o Pai...” “Eu estou no Pai e o Pai está em mim... Tudo o que o Pai possui é meu”(Cf. Jo 14,11; 16,15). E é na última Ceia, sobretudo, que Jesus fala do Espírito Santo, que o Pai haveria de mandar em seu nome(Cf. Jo 14,16-17).

Jesus é um com o Pai. Jesus é a imagem visível do Deus invisível(Cf. Jo 10,30; 14,10; 17,11.21; Cl 1,15). Em Jesus está a plenitude da divindade(Cl 2, 9), por isso mesmo, quem o vê, vê o Pai (Cf. Jo 12,45; 14,9).

É, sobretudo, o Evangelho de João que descreve o Espírito Santo como pessoa divina (Cf Jo 14,16-26), presente e operante nos fiéis como estão presentes e operam o Pai (Cf Jo 17,21-23) e o Filho(Cf. Jo. 14,18). O prefácio da Missa de hoje formula assim essa verdade básica da fé: “sois um só Deus e um só Senhor, não uma única pessoa, mas três pessoas em um só Deus. Adoramos cada uma das pessoas, na mesma natureza e igual majestade”.

Se Nosso Senhor Jesus é a encarnação do amor do Pai, foi também por amor que o Pai o enviou ao mundo. Se Jesus provém do amor do Pai para expressar o amor de Deus, todos os seus gestos, passos e ensinamentos serão feitos de amor. O gesto mais amoroso de todos foi dar às criaturas humanas a garantia da vida eterna, isto é, a certeza doce de que poderão participar da vida de Deus, do amor de Deus. A condição de Jesus pôs é lógica: que creiamos nele como enviado do Pai e na sua força salvadora.

Meus queridos Irmãos,

Entender a Trindade é bebermos da fonte do amor de Deus por nós. Trindade é amor. Nós somos frutos deste cândido amor.

Deus nos imaginou. Deus nos amou. Deus nos criou e nos colocou no mundo. Somos, por conseguinte, um ser saído do amor trinitário de Deus a caminho do retorno ao mesmo amor. Nossa origem e nosso fim é a Trindade, que nos espera para fazer-nos participantes de sua glória. Pertencemos à Trindade, porque somos criaturas queridas e criadas pela Trindade.

A Trindade faz parte de nossas vidas desde o momento do Batismo. Somos batizados em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A partir daí a Trindade passa a habitar em nossa vida, em nosso ser, em nossa existência.

Deus está conosco pela Trindade. Assim a Trindade não é uma coisa inacessível. Pelo contrário, a Trindade demonstra que nosso Deus é um Deus aberto, comunidade, dialogante que se manifesta, que nos ama, que age, que cria, que quer ser procurado e deixa-se encontrar.

Trindade que é riqueza inesgotável que a Igreja nos aponta para que saibamos onde Deus abre seu íntimo para nós: no seu Filho Jesus e no Espírito de Jesus que nos anima. Lá encontramos Deus, e o encontramos não como bloco de granito, monolítico, fechado, mas como pessoas que se relacionam, tendo cada uma sua própria atuação: o Pai que nos ama e nos chama à vida; o filho Jesus que fala do Pai para nós e mostra como o Pai é, sendo bom e fiel até o dom da própria vida na cruz; e o Espírito Santo, que doutro jeito ainda, fica sempre conosco.

O Espírito Santo atualiza em nós a memória da vida e das palavras de Jesus e anima a ação evangelizadora da sua Igreja. E todos os três Pai, Filho e Espírito Santo estão unidos e formam uma unidade naquilo que Deus essencialmente é: amor.

Irmãos e Irmãs,

Diante do mistério do Deus Uno e Trino propriamente não nos resta senão adorar e dizer: “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!”. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO