
Padre Wagner Augusto Portugal
25º. Domingo do Tempo Comum - C.
“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre”.
Meus queridos Irmãos,
O Evangelho de hoje nos fala que é incompatível servir a Deus e ao dinheiro concomitantemente. Temos muitos fiéis que observam tudo o que diz respeito ao culto divino e a disciplina dos santos sacramentos. Entretanto estão muito longe de Deus, o Salvador.
Assim foi no Antigo Testamento: os judeus observavam a “lua nova” – festa religiosa tradicional no antigo Israel – e o sábado, mas interiormente pensam em como explorar os pobres e os oprimidos, com uma avareza sem fim: até o refugo do trigo sabem converter em lucro, conforme nos ensinou a primeira leitura. O que adianta participar de cultos e cumprir as orações se o fiel não tem um coração aberto para Deus e para o irmão? E, qual é a nossa atitude em favor dos oprimidos? Deus levantará os oprimidos e os colocará em lugar de destaque na vida eterna.
Estimados amigos,
Jesus coloca hoje o cristão diante do tema da riqueza, depois de ter falado no domingo passado da misericórdia. O tema tem sido de grande atualidade em todas as gerações e em todas as culturas. Não se pode dizer que os bens e as riquezas sejam más em si mesma, porque são dons de Deus. O problema está no seu uso e no fato de as riquezas, geralmente, prenderem as criaturas de tal maneira que se esquecem dos bens melhores, que são os espirituais.
Assim o cristão deve saber usar as coisas que passam em função das coisas eternas. A riqueza passa, mas a vida eterna permanece.
A parábola de hoje é a parábola do administrador tido como “esperto” aos olhos dos financistas. Esperto é aquele que tem a lucidez de perceber a gravidade de uma situação, a rapidez em encontrar uma boa solução e a coragem de tomar decisões certas. Ora, essas eram exatamente as qualidades que Jesus pedia dos discípulos em todas as situações, mas, no Evangelho de hoje, sobretudo diante do forte apego aos bens materiais e da necessidade de tudo deixar para seguir a Jesus, ao Calvário e à Ressurreição.
Ser rico não é pecado. Ser apegado que é uma falta grave. Mas grave, ainda, é o materialismo que é o apego exagerado às coisas materiais, ao dinheiro, ao prazer, ao luxo e ao dinheiro. Isso se chama materialismo e é um câncer na sociedade moderna. Não podemos odiar os bens, porque são criaturas de Deus, e isso seria odiar as criaturas de Deus. Quem despreza os bens que Deus criou despreza o próprio Deus. A lição de Jesus hoje es’ta no nosso relacionamento com os bens.
Irmãos e Irmãs,
O Criador é a nossa única origem e o nosso único destino: a TRINDADE. Fomos feitos por Deus e para Deus. Somos dele. Somos propriedade de Deus. A razão e a vontade que dele recebemos não nos dá o direito de esquecer que ele é o único Senhor de nossas vidas. Se esquecemos a Deus nós pecamos gravemente.
As Escrituras nos ensina que devemos amar a Deus acima de todas as coisas. O serviço a deus e o serviço ao dinheiro tem lógicas diferentes de ação: o serviço a Deus se move no plano do amor, da doação, da generosa fraternidade; o serviço ao dinheiro, no plano do proveito próprio, da competição, do ter e do dominar.
Nós não podemos ter dois deuses: o Deus que nos criou e ao qual pertencemos, e alguma criatura – saída da mão de Deus – que encontramos ao longo do caminho, criatura animada e racional ou criatura inanimada como o dinheiro. O pecado está em transformar uma criatura em Criador.
Jesus nos ensina, ainda, a sermos desapegados, generosos e caridosos para com os pobres e desvalidos da sociedade. Por isso todos nós somos convidados a sermos fiéis nas coisas pequenas e nas coisas grandes. Uma maneira de dizer que devemos ser fiéis sempre a Deus, o sumo Bem, mas que se manifesta tanto em coisas pequenas quanto em coisas grandes. Ser fiel a Deus em certos momentos insignificantes é, de certa forma, garantia de que o sermos nos grandes momentos da vida.
Caros irmãos,
Na segunda leitura continua a reflexão de Paulo em torno do anúncio da reconciliação, que lhe foi incumbido entre os gentios. Neste espírito, insiste na oração da comunidade, oração de agradecimento e intercessão pelos homens. Nós devemos traduzir nossa busca de unidade e reconciliação, tornando-nos mediadores de todos, assim como Cristo reconciliou a todos, tornando-se mediador, por sua morte salvadora.
Vamos, pois, dar graças pelo bem que se realiza através dos bens materiais e peçamos para que no Brasil haja mais honestidade na administração dos bens, a fim de que, por meio deles, se possa promover a vida de todos e a superação da miséria e da fome para que todos tenham vida e vida em abundância.
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO