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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, C.

“Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias”

Meus queridos irmãos,

O Brasil está unido, de norte a sul, de leste a oeste, para a grande festa de nossa Angélica padroeira: a Virgem da Conceição, Aparecida das águas do Rio Paraíba, no vale do mesmo nome, no ano de 1717. A devoção a Virgem Maria que nos abre o caminho mais rápido para contemplarmos a Santíssima Trindade.

No majestoso Santuário Nacional de Nossa Senhora, na paulista Aparecida, ou nas Catedrais, Igrejas Matrizes, Igrejas Filiais e Capelanias de todo o imenso território nacional os fieis precedidos de seus Pastores, louvam a Deus, por intermédio de sua Mãe que nos legou o mais simples e profundo modo de seguir a Jesus Cristo, o Redentor: “Fazei tudo o que Ele vos Disser!”.(Cf. Jo. 2, 5)

Irmãos e Irmãs,

Maria deve ser colocada, dentro de um bom entendimento da liturgia de hoje, como a intercessora do povo, como principal padroeira do povo Brasileiro. A Primeira Leitura nos ensina que a intervenção da Rainha Éster junto ao Rei Assuero em favor do povo judeu, ao qual ela mesma pertencia. Ao mesmo tempo, menciona-se a graciosa beleza desta “flor do seu povo”.

Veneramos a Virgem Maria, que nos trouxe a salvação, quando todos somos chamados a amar a Virgem com o coração de filhos, tendo em vista que em Jesus, tornamo-nos todos irmãos pelo batismo.

A Virgem Aparecida nos traz recordações importantes na vida cristã: como a ternura maternal da Virgem, sua dedicação a Jesus como mulher de fé, seu serviço prestado a toda a humanidade. Em MARIA temos o mais perfeito exemplo do discípulo e da discípula de Jesus, que sabe cumprir os mandamentos e fazer realizar a única vontade do Pai, que se concretiza na salvação do povo de Deus.

Meus amigos,

A Virgem Maria deve ser apresentada como o Modelo acabado de fidelidade do ser humano a Deus. Maria da fraternidade. Maria da acolhida. Maria da graça. Maria da partilha. Maria da misericórdia. Maria da graça santificante. Maria da generosidade. Maria do serviço!

Relembramos assim, a visita do Conde de Assumar, em 1717, em Guaratinguetá, quando os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso foram escalados para pescar peixes para a refeição da visita ilustre, sendo este dia uma sexta-feira, dia de abstinência de carne. Os homens simples do Vale do Paraíba nada pescaram. Quando já estavam quase desanimando jogaram a rede e retiram uma imagem pequena de Nossa Senhora da Conceição, um pouco enegreada pela água, sem a cabeça. Outro arremesso. Veio a cabeça da imagem. Assim prosseguiu mais um arremesso e veio a pesca abundante. Deus abençoava, naquele momento, os três pescadores.

A imagem da Virgem da Conceição, feita de barro cozido, enegrecida pelas águas e pelo tempo, medindo 36 cm, foi levada para o culto divino. Em 1745 foi construída uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros. Nascia, assim, a devoção a Virgem Aparecida, Mãe do Povo Brasileiro. Em 1888 foi substituída a primitiva capela por uma Igreja. Em 1894 a Igreja e a devoção a Nossa Senhora foi enriquecida pela presença dos Missionários Redentoristas que passaram a gerir o Santuário Nacional.

Desde 1953, a festa de Nossa Senhora Aparecida, tem como dia de celebração o dia 12 de outubro. Desde 1930 Nossa Senhora Aparecida abençoa o povo brasileiro como sua Padroeira Nacional. Em 4 de Julho de 1980 o Sumo Pontífice João Paulo II, de venerável memória, consagrou o novo Santuário Nacional. Em 13 de maio de 2007, o Sumo Pontífice Reinante, Papa Bento XVI, abriu a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho nos fazendo o doce convite para “sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo para que todos tenham vida e vida plenamente”. Na véspera deste memorável encontro, no interior da majestosa Basílica, o Santo Padre rezara o terço com os ministros sagrados e o povo de Deus, na mais cândida homenagem a Maria que abençoa o povo brasileiro.

Meus queridos amigos,

O evangelho de hoje, o das Bodas de Caná, tem como ambiente uma família. Nossa Senhora deve ser lembrada como a padroeira das famílias. Assim a nossa família, toda ela Mariana, deve buscar em Maria a protetora para as suas necessidades e a sua intercessora privilegiada junto de Deus, porque o que se pede a Mãe o Filho atende. Maria intercede junto a Jesus. Da mesma maneira ela haverá de interceder pelo povo brasileiro em suas múltiplas necessidades. Maria, nossa Mãe, mãe da misericórdia, cuja ternura toca o nosso coração, recebe e atende nossos pedidos, dos mais simples aos mais complexos e difíceis.

Maria deposita toda a sua confiança em Jesus, no seu poder salvador, na sua misericórdia e na largueza de seu imenso coração misericordioso. Faltava o vinho e Maria intercede pedindo aos funcionários que eles “ fizessem tudo o que Ele dissesse” .

Houve abundância do vinho que era água. A riqueza desta graça que Maria distribui, também ela com abundancia, aos filhos que a ela recorrem. Dela podemos dizer o mesmo que a carta aos Hebreus aconselhava a respeito do Sumo Sacerdócio de Jesus: “Aproximemo-nos confiantemente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia” (Cf. Hb 4, 16).

Irmãos,

A segunda leitura que hoje lemos nos remete a liturgia da Assunção. Maria que protege a humanidade e a Igreja – exerce a missão de Mãe e Mestra. Maria gerou e levou o Salvador ao mundo, e presenciou a sua vitória, eis o que une Maria e Igreja, que tem a missão de levar o Salvador ao Mundo e presenciar a Vitória de Cristo sobre o mundo, como Rei da Humanidade. Que fazem de Maria e da Igreja uníssonas na obra da salvação.
      
Salvos das águas pela fé e pelo Batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam na Virgem Aparecida, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: Fazei tudo o que Ele vos disser!”. Esta parte fica como a nossa missão na festa da Virgem Maria. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO