
Padre Wagner Augusto Portugal
29º. Domingo do Tempo Comum - C.
“Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me”(Cf. Sl 16,6.8).
Meus queridos irmãos,
Mais um domingo nos é colocado para a nossa vida de oração, oração insistente que provoca a Justiça. Assim neste domingo as leituras, iniciando pela primeira leitura, nos lembra a história de como Moisés conseguiu a vitória de seu general Josué sobre os amalecitas, os eternos inimigos de Israel.
Enquanto Moisés, segurando o bastão da força divina, ergue as mãos por cima dos combatentes, Israel ganha. Quando ele as deixa baixar, perde. Sendo Moisés o enviado de Deus é evidente que se trata de uma maneira de tornar a força do Senhor presente no combate.
O gesto pode bem significar que Deus mesmo é o general do combate. O próprio gesto de levantar as mãos indica o relacionamento com o Altíssimo. Levantar as mãos a Deus sem cessar, eis a grande lição da leitura do livro de Êxodo.
Estimados Irmãos,
O Evangelho de hoje nos relata a qualidade da oração. Jesus nos é apresentado como um Jesus orante a caminho de Jerusalém, estando próximo de sua morte, de sua ressurreição e de sua glorificação, a oração vem colocada no viés da escatologia, isto é, das coisas últimas da vida humana e do destino que é reservado a criatura humana. Jesus o justo Senhor e Juiz Universal.
O contexto dos primeiros tempos depois da paixão, morte e ressurreição de Jesus para alguns de seus seguidores seria que Jesus voltaria logo. Assim muitos se desfaziam de seus bens, porque já não haveria tempo para desfrutá-los. Havia até os que deixavam de trabalhar porque já não se precisaria de sustento. Mas sempre era feita a seguinte indagação: “Qual será o dia do retorno de Jesus?”.
Passados dois mil anos ainda aguardamos o Juízo final dentro do contexto cristão, devendo estarmos bem firmes na fé. Devemos estar em espera confiante. Jesus nos ensinou que viria o fim, mas não determinou o tempo exato. Como Jesus disse que viria de repetente, quanto menos às pessoas podem esperar, Ele poderá retornar. A parusia, ou seja, os últimos tempos, virá. Os que estiverem acordados verão a Deus.
O que, então, fazer neste tempo de espera? Devemos frutificar os talentos, socorrer os irmãos, praticar o bem e mudar de vida buscando uma conversa sincera e absoluta. Assim, a oração continuada, confiante e humilde é a melhor forma de esperar a segunda vinda, a vinda gloriosa do Cristo Senhor, que certamente acontecerá. Rezemos neste sentido!
Caros amigos,
De esperança em esperança em Cristo Senhor os homens e mulheres vão vencer todas as adversidades do mundo. O Evangelho nos fala em um juiz humano. Um juiz sem fé que faz justiça apenas para não se aborrecer quanto mais fará Deus, que é todo atenção para o seu povo eleito? Deus, o justo, o misericordioso, o verdadeiro Juiz que luta contra o mal vai vencer a iniqüidade. Deus veio morar em nosso meio para tirar o nosso pecado e a maldade do mundo.
Assim a viúva do Evangelho de hoje representa a humanidade, os homens e as mulheres, que lutam contra a maldade do mundo. Assim Deus nos ensina a pedir, a lutar e a esforçar-se em procurar em ver a Deus. O sofrimento e o desespero se prolongam. Mas Deus fará justiça bem depressa, porque para Deus mil anos são como o dia de ontem.
Os textos da Sagrada Escritura pediam proteção e carinho para as viúvas: “Defendei as viúvas”(Cf. Is. 1,17). A viúva é a humanidade pecadora, com fome de pão e de sede de Deus, cercada de injustiças por todos os lados. O desespero não é a saída. O desespero foi o caminho tomado por Judas. As bem-aventuranças apontam para o caminho não-violento.
O cristão é um lutador paciente, corajoso, mas não guerreiro; dinâmico e não resignado, contra todas as formas de maldade dentro e em torno de si. Todos nós devemos lutar com fé, único caminho capaz de abrir as portas e caminhos de Deus.
A fé, capaz de remover montanhas, transplantar árvores na crista de uma onda, de acalmar o mar, é também capaz de sustentar nosso esforço, reanimar o cansaço da espera, iluminar o mistério da caminhada, dar certeza à nossa esperança, mesmo que seja contra todas as esperanças humanas, porque Deus nunca nos abandona; mas nos abre seus braços e nos chama: Vem e segue-me!
Assim vamos manter viva e confiante a fé no meio das tribulações e escândalos, como os que o próprio Cristo enfrentou em Jerusalém, sem perder, em momento nenhum a confiança no Pai, tão lindamente expressa em sua última frase do Evangelho de hoje que deve ser a nossa profissão de fé jubilosa: “Em tuas mãos, Pai”(Cf. Lc, 23,46).
Meus irmãos,
A segunda leitura insiste também na pregação da própria palavra do Evangelho, oportuna ou inoportunamente! O tempo sempre é breve! O homem moderno, mais do que secularizado, é sobretudo objetivo: gosta de saber logo qual é o assunto. Por isso sejamos claros. Não se trata de fanatismo, que é disfarce de insegurança. A insistência que Paulo aconselha é a exteriorização da convicção, sobretudo, porque o evangelho que ele propõe é o da “graça e benignidade de Deus, nosso Salvador”.
Irmãos, rezemos sempre e com muita fé! O homem deve ser solidário! O homem deve estar a serviço do próximo para torná-lo mais humano e mais divino, tanto no âmbito da secularidade, consagrando o mundo a Deus, como no âmbito da pastoral orgânica. O homem que sofre poderá unir o seu sofrimento ao de Cristo para a salvação da humanidade. Não devemos separa a oração da vida e nem nos intimidar perante a calúnia, a queixa fácil. Porque confiando na misericórdia de Deus que venceu o mundo nós poderemos cantar colocando tudo
“Em tuas mãos, Pai, amém!”.
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO