
Padre Wagner Augusto Portugal
Jesus Cristo Rei do Universo, C.
“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele glória e poder através dos séculos”(Cf. Ap 5,12;1,6)
Meus queridos Irmãos,
Chegamos ao fim de mais um ano litúrgico celebrando a Festa de Jesus Cristo, Rei do Universo. O Reinado de Deus se estende e abarca toda a vida entregue por Cristo, o Redentor da humanidade. O Filho de Deus é rei, porque sua origem é divina: ele tem o primado e nele está a plenitude de todas as coisas criadas e de todas as criaturas. O seu reinado contempla a vida, a justiça e a fraternidade. É um rei que se pôs totalmente a serviço, invertendo os valores e entregando a sua vida para que todos a obtivessem plenamente, com total liberdade.
Assim vemos que Jesus hoje é chamado de Rei no Evangelho. Mas, porque Rei? Foi uma resposta imediata para os insultos que os soldados e o “mau ladrão” dirigiram ao Crucificado. Todos eles aduzem à realeza, ou o messianismo, de Jesus, uns com escárnio e outro, o bom ladrão, com glória e espírito de fé, ao que faz com que Cristo aclame: “Hoje mesmo ainda estarás comigo no paraíso”.
Lucas nos colocou na sua escola, no seu entendimento, neste ano que hoje chega ao seu termo, com a sua teologia que ensina que o Reino de Cristo realmente inicia na hora da cruz, e dele participa aquele que encarna o modelo do comum dos fiéis: o pecador convertido. Assim, o Reino de Jesus para Lucas, é essencialmente o Reino da Reconciliação do homem com Deus, conforme nos ensina a segunda leitura.
A verdadeira paz messiânica, para Lucas, não é tanto o lobo e o cordeiro pastarem juntos (Cf. Is 11,6-9), mas o homem ser reconciliado com Deus e participar da vida divina, no “paraíso”, restauração da inocência original. Deste Reino, o homem participa pela fé, que se expressa na oração: a prece do bom ladrão não é apenas um pedido, mas também confessa Jesus como Rei.
Meus caros irmãos,
A segunda leitura de hoje nos relembra uma série de títulos dados a Jesus como salvador e Senhor do céu e da terra: Filho amado de Deus, redentor, salvador, imagem visível do Deus invisível, primogênito de todas as criaturas, razão de ser de todas as coisas visíveis e invisíveis, origem de todo o poder e soberania, mantenedor de tudo, princípio de tudo, plenitude de Deus, laço de conciliação entre o céu e a terra.
A liturgia demonstra a nossa participação no Reino de Deus, as nossas obrigações. Assim proclamamos nesta missa Jesus, aquele “que nos amou, nos salvou dos pecados... e fez um reino para nós”(Cf. Ap 1,5-6).
O Reino de Deus sempre acontece no meio de nós, porque O SENHOR ESTEJA CONVOSCO! ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS! O Reino de Deus realiza-se na vida terrena e plenifica-se na glória eterna.
Os israelitas, devido às experiências negativas com seus reis, anunciavam um rei que fosse pastor pela força de Deus e estabelecesse a paz por toda a terra: “Ele apascentará pela força do Senhor... Ele será grande até os confins da terra. Ele será a paz!”(Cf. Mq 5,3-4).
O próprio povo do Evangelho de hoje muitas vezes via e confundia Jesus como um rei terreno. Mas Jesus era um Rei da vida eterna. Era é e será sempre rei pelos séculos dos séculos. Jesus veio para ser o rei da graça e da santidade, para tirar todo o pecado do mundo(Cf. Jo 1,29) e trazer “graça sobre graça”(Cf. Jo 1,16). Jesus veio para vencer a maldade e fazer triunfar o bem: é o rei da bondade. Jesus veio para desmascarar a falsidade: Jesus é o rei da verdade.
Jesus veio para derrotar a morte: porque Ele é o Rei da vida plena, da vida eterna. Jesus veio para restaurar a criatura humana: Jesus é o Rei da santidade. Jesus veio para refazer o equilíbrio: Jesus é o rei da justiça. Jesus veio para exterminar o ódio: Jesus é o reio do amor e da partilha. Jesus veio para reorganizar o mundo, assim se colocando como o Rei da Paz e da concórdia.
Tudo isso começa aqui na terra e se estende como portal da eternidade, nas alegrias eternas. O Reino de Cristo já existente na plenitude, realiza-se para cada um à medida que construir em sua vida a bondade, a verdade, a santidade, a justiça, o amor e a paz, qualidades que descrevem o que Jesus chamou de “Reino de Deus”.
Meus queridos irmãos,
Vivemos hoje na liturgia a dialética do mundo mau que zomba de Cristo, que o insulta, o ridiculariza e do outro lado o Cristo pacífico e manso, cordeiro imolado que dá, por amor e liberdade, a vida pelos homens e mulheres pecadores. No meio da dialética está o homem e a mulher, a criatura humana convertida, que reconhece e confessa os seus pecados, volta-se para Jesus à procura de perdão e salvação.
Jesus era, é e será sempre o salvador da humanidade, de todos, especialmente dos pecadores. Jesus acolhe o pecador arrependido e lava-lhe as suas culpas, porque “Deus nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho amado, tornando-nos dignos de, na luz, participar da herança dos santos”(Cf. Cl. 1,12-13).
O reino e o reinado de Jesus é o reinado do amor, da partilha e da misericórdia. Viva Cristo Rei do Universo. Amém!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO