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Padre Wagner Augusto Portugal

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4º Domingo do Tempo Comum –A.

“Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor”(Cf. Sl. 105, 47).

Meus queridos Irmãos,

Vivemos neste domingo o encantamento da liturgia das Bem Aventuranças. Os caminhos de Deus são completamente diferentes dos nossos. Os homens e mulheres sempre acham que o grande e o forte há de vencer. Deus, na contra-mão dos homens, acha que não. Deus prefere trabalhar com um povo pequeno e humilhado, com aqueles que sempre estão fora do sistema dominante. Isto porque os poderosos são auto-suficientes e não querem entender o que Deus deseja. Deus atrapalha aos interesses dos poderosos. Com o pobre resto de Israel, depois das deportações, exílios e perseguições, Deus consegue mais do que com o povo próspero e rico que pactuava com os egípcios e os assírios, até eles os engolirem. Pois a situação de Deus situa-se num outro nível: concerne à retidão do coração, e, aí, o poder não tem força nem pode oprimir. Por isso, os pobres de Deus são felizes. Essa é a mensagem da Primeira Leitura de hoje do Livro de Sofonias. Deus não se deixa pressionar pelo poder do mais forte. Se os outros não o fazem, ele cuida dos pobres, dos humildes e dos fracos e lhes faz justiça, conforme canta o Salmo Responsorial.

Estimados Irmãos,

O Evangelho de hoje nos aponta como ideal de santidade a ser vivida por todos e por cada um.Um ideal que Jesus viveu e quer que as criaturas humanas alcancem e vivam. As bem-aventuranças são a porta estreita(Cf Mt 7,13-14) por onde só passa o “pequeno rebanho”(Cf. Lc 12,32 e 13,24).

As bem-aventuranças traçam um caminho na contramão do que estamos acostumados a viver – o ter, o poder e o fazer. As bem-aventuranças não corrigem desvios; corrigem o rumo inteiro. As bem-aventuranças não pregam uma terapia imediata, mas parâmetros eternos. As bem-aventuranças não ensinam um bem-estar individual, mas a nossa felicidade como um todo inserido na convivência de todas as coisas criadas e na comunhão com o próprio Deus, origem e destino de tudo.

Assim é necessário, ao ler o Sermão da Montanha, contemplar o resumo dos ensinamentos de Jesus. Como está nosso relacionamento com Jesus diante destes ensinamentos e metas de vida? Quem vive as bem-aventuranças compreendeu e compreende a missão de Jesus no mundo e o que Ele quer de cada um de nós. As bem-aventuranças contém a doutrina do Reino, as qualidades de quem deixou de ser o homem carnal, o “homem velho”, e passou a ser o homem espiritual, renascido pelo Espírito Santo.

O fato de nosso Evangelista colocar o anúncio das Bem-Aventuranças do alto da montanha quer demonstrar que elas tem o caráter de autoridade para a vida do povo fiel. A montanha significa a estabilidade e a eternidade, o que significa que estes ensinamentos são eternos e estáveis para a vivência do povo de Deus.

No desapego de tudo, a certeza dos bens que não passam: os bens eternos! Bem-aventurança que quer significar felicidade, bênção e paz. Bem-aventuranças que significa o realizado. Uma pessoa se sente realizada quando alcançou tudo o que queria. E é exatamente isto que expressam as bem-aventuranças. Na nova família de Deus, é realizado quem é pobre de espírito, humilde, manso, misericordioso, pacífico e pacificador, puro de coração e de intenções, e sabe suportar as contrariedades. Evidentemente, estamos numa outra escala de valores, que difere profundamente das escalas de valores humanos, que é centrada na felicidade efêmera, barata e passageira, de certa forma, egocêntrica, que procura a paz à custa dos outros e confunde bênção com ganho.

O novo povo de Deus é chamado a viver a novidade do anúncio do Reino: fazer-se pobre com Cristo para viver a felicidade eterna na vida em Deus. Felicidade que é desapego, confiança inabalável na vontade do Pai.

O Evangelho falará sempre no desapego dos bens materiais, ou seja, a pobreza em espírito, é uma das condições fundamentais para se entrar no Reino de Deus, isto é, na nova família de Deus. Daí a primeira bem-aventurança se referir à pobreza. não à pobreza como falta ou miséria. Mas, a pobreza como desapego de coração.

A piedade e a fidelidade são bem-aventuranças especiais. Mas elas só poderão ser vividas se o homem tiver um coração desapegado, de pobre e humilde. Acentuando os contrários, Jesus ensina que o desapego absoluto é o ideal a ser alcançado. Ele mesmo é o modelo perfeito e acabo de desapego. Entre os que conseguiram compreender o significado da pobreza e a escolheram como estrada para penetrar no Reino de Deus, estão os irmãos que nos precederam fazendo do itinerário espiritual a pobreza como irmã e companheira.

Estimados amigos,

Sejamos, pois, homens misericordiosos e construtores da paz, condenando a ganância e do apego demasiado. O apegado ao poder não reparte com ninguém. Ter misericórdia é ter o coração aberto aos miseráveis, àqueles que nada podem: é repartir com eles o que se tem e o que se é. É nessa partilha que está a fidelidade. Como o Cristo – encarnação da misericórdia – que repartiu conosco tudo, inclusive sua filiação e sua eternidade.

O homem sempre quis a auto-suficiência. Mas este é incapaz de consolar, de fazer justiça e de ser misericordioso. Ao contrário, Jesus quis ser dependente da vontade de Deus e fazer sempre a sua vontade, construindo no nosso meio a sua Justiça, construção da paz duradoura.

Meus amigos,

A Segunda Leitura da primeira carta aos Coríntios confirma o ensinamento da Primeira Leitura e do evangelho, mostrando que Deus não escolhe o que é forte, neste mundo, mas o que é fraco, como, de fato, muitos dos primeiros cristãos eram. Isso porque ninguém deve gloriar-se de Deus; se alguém quiser gloriar-se se torne pequeno, para se gloriar naquilo que Deus realiza, conforme a sua justiça.

Que sejamos todos, neste dia, abertos a pobreza, a consolação, a mansidão, aos famintos, aos injustiçados, para que a misericórdia, a pureza, a paz e a justiça reinem neste mundo para vivermos com Cristo a paz duradoura, amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO