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Padre Wagner Augusto Portugal

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Quarto Domingo da Páscoa –A.

“A terra está repleta do amor de Deus; por sua Palavra foram feitos os céus. Alleluia!” (Cf. Sl. 35,5s).

Meus queridos irmãos,

Celebramos neste domingo a festa do Bom Pastor. O Evangelho de hoje apresenta a cena campestre do vaivém de pastores e ovelhas, mas também de assaltantes e ladrões, no redil comunitário das aldeias da antiga Palestina. As autoridades judaicas não entenderam essa parábola, pois só quem crê entende Cristo. Jesus Cristo é a porta. Conduzidas através dele, as ovelhas encontrarão vida.

Antes dele vieram pessoas que entravam e saíam, não pela porta, mas por outro lugar: eram assaltantes, conduziram as ovelhas para a perdição e a maldade, para lhes tirar a vida.  Aqui pouco importa quem sejam os assaltantes. Jesus talvez poderia estar pensando que os assaltantes poderiam ser os mestres judeus de seu tempo e isto é uma pista que não se deveria seguir os mesmos. A mensagem principal é essa: só o caminho do Cristo é que conduz a salvação e que dá a vida eterna.

Jesus Cristo é a Porta. E esta porta está situada na comunidade dos crentes, na comunidade dos fiéis. Na Comunidade que representa o Cristo, depois da ressurreição encontramos o que nos serve para sempre; teremos o mesmo acesso ao Pai que os apóstolos tiveram em Jesus. Jesus com a sua comunidade é a porta que dá acesso ao Pai.

Estimados irmãos,

A Festa do Bom Pastor é a festa da ternura e da misericórdia de Deus pela humanidade. Jesus de Nazaré “comprou” as ovelhas com o preço de seu sangue, as redimiu na cruz e lhes garantiu na Páscoa a vida eterna. Por isso a festa de hoje sintetiza a misericórdia, o amor e a doação integral.

No tempo de Jesus três eram as profissões rurais dos judeus: os plantadores de trigo, os pescadores e os Pastores. Os Pastores estão presentes na noite de Natal. Jesus compara o povo a ovelhas sem pastor e, também, compara a Igreja como um rebanho. E, mais do que isso, Jesus se autoproclama o Bom Pastor. O Bom Pastor que conhece as suas ovelhas, as chama pelo nome, as abençoa e as envia para a missão.

Jesus usa a alegoria da Porta para se denominar. Os pastores costumavam construir nos campos um abrigo para a noite. Era um cercado ou um curral, cercado por um pequeno muro de pedras, com uma única porta e esta propositadamente estreita. Durante a noite vários pastores levavam ao curral as suas ovelhas e um deles ficava como vigia a noite toda. Pela manhãzinha, o pastor chamava as ovelhas pelo nome, elas saiam uma a uma, sendo contadas depois de passar pela porta estreita e iam para o pasto se fartar do que a natureza oferece de alimento aos animais.

Essa alegoria do curral se aplica também as cidades de então. Jerusalém era cercada, pelas famosas muralhas de Salomão e de Herodes. Entrava-se e saia-se da cidade somente pelo pórtico. A porta sempre significou proteção, segurança. Era na porta da cidade que se recebiam os que chegavam e se despediam os que partiam. A Porta sempre significou o acolhimento, mais do que isso o carinho. Era à porta da cidade que se faziam os negócios, que se comprava dos mascates e se vendia aos estrangeiros em viagem. A Porta era a manifestação da graça e da proximidade.

Mas, porque Jesus se compara como a porta? Isso para dizer que Ele é a única porta. Somente por ele se entra na cidade de Deus, no Reino dos Céus. Somente na porta estreita que é o Cristo que encontramos segurança e proteção. O Cristo nos acolhe sempre que a Ele recorremos. No Cristo teremos a mais feliz e certa das possibilidades como dirá São Pedro posteriormente: “Nele encontraremos as mais preciosas e ricas promessas e nos tornamos participantes da natureza divina”(Cf. 2Pd 1,4).

Jesus adverte aos fariseus e escribas chamando-os provavelmente de ladrões e assaltantes porque se haviam arrogado o direito de interpretar a lei divina, e a lei, em vez de ser um roteiro de santificação e vida, se tornara uma carga de escravidão e de morte. A lei, para os fariseus, já não significava segurança para ninguém, não tinha mais a força de consolar e abrigar os corações angustiados do povo e não dava a possibilidade de ver a Deus e buscar a verdade do Senhor.

Amados e Amadas,

Se o curral precisa de porta ou a cidade de pórtico é porque se precisa de defesa. Jesus se autodenomina a porta para demonstrar a todos os homens e mulheres de boa vontade que Ele é a Paz. Por isso nós rezamos na missa: “Senhor Jesus Cristo dissestes aos vossos Apóstolos: eu vos deixo a paz; eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja. Dai-nos segundo o Vosso desejo a paz e a unidade. Vós que sois Deus com o Pai e o Espírito Santo!”.

Jesus, com sua pessoa e sua doutrina, quis pacificar os homens, quis dar de beber no mesmo córrego ao lobo e ao cordeiro, porque ambos são criaturas de Deus; quis que as criaturas humanas experimentassem um novo modo de viver: na fraternidade e na justiça, na mansidão e na benquerença e, por conseguinte, na paz.
O mundo é a prefiguração das alegrias eternas. Mas um mundo com paz, com harmonia, com concórdia, com misericórdia, com comunhão.

O modo de ver o mundo de Jesus é diferente: Jesus anuncia a plenitude da vida no Evangelho de hoje. Por isso quem ouve a voz do pastor, reconhece em Jesus a autoridade de único Mestre, de único Guia e de único Senhor, e o segue, cumprindo Seus mandamentos e se faz com Ele, como Ele e o Pai do Céu são uma perfeita comunhão.

Estimados Irmãos,

A Segunda Leitura termina em termos que evocam igualmente a figura de Jesus-Pastor. Devemos seguir o caminho da não violência, procurando enxergar o caminho da misericórdia e da justiça. O Servo Sofredor que é o Cristo nos chama a fidelidade ao seu mandato que nos leva a superar todas as formas de sofrimento e de perseguição. E se preciso for morreremos pelo causa do Reino.

O servo é o justo que Pedro anuncia em Pentecostes. Pela aceitação do anúncio sobre o Cristo ressuscitado e pelo nosso batismo somos incorporados à Igreja, corpo místico de Cristo, e passamos a aderir ao círculo dos discípulos de Cristo.

Amados e Amadas,

A festa do Bom Pastor nos propõe uma conversão sincera e absoluta como reconhecimento do errado e adesão a Cristo como escolha do caminho reto. Cantemos, pois, com fé, pedindo o auxilio do Bom Pastor ao nosso propósito: “O Senhor é o pastor que me conduz, para as águas repousantes me encaminha!”. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO