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Padre Wagner Augusto Portugal

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10º Domingo do Tempo Comum – A.

“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucubem”(cf. Sl 26,1s).

Meus irmãos,

Celebramos hoje a misericórdia de Deus que não tem parâmetros para excluir, mas para incluir todos, principalmente os que estão à margem da sociedade. Uma sociedade que valoriza mais o individualismo, o consumismo, o ter em detrimento do ser, do prazer em detrimento do amor gratuito, a liturgia de hoje nos convida a construir o Reino de Deus, a partir do apelo para que todos se convertam e venham para o seguimento de Jesus, nunca fechando nossos corações, mas sempre abertos para ouvir a Palavra de Deus.

Irmãos e Irmãs,

A Primeira Leitura de hoje nos oferece um entendimento de que os julgamentos externos devem ser deixados de lado em favor da gratuidade do Senhor Deus da Vida. O amor sempre agrada a Deus. Os sacrifícios, por outro lado, nem sempre agradam a Deus, porque sempre vem desvinculada dos vínculos de justiça, caridade, amor, acolhimento. Oferecer a Deus bens que foram injustamente ajuntados ou subtraídos de outras pessoas mais pobres é como seguir a advertência do Eclesiástico: “É como imolar o filho na presença do pai oferecer um sacrifício retirado dos bens dos pobres”.

O importante na vida do cristão é amar sem limites, com misericórdia, acolhimento, partilha, sem “retratos falados” ou reducionismos que mais oprimem do que acolhem os que estão fora do aprisco. O anúncio missionário nos pede que amemos aqueles que estão ao largo, distante da Igreja, para que eles entrem dentro de nossa realidade pastoral, eclesial e comunitária.

Meus amigos,

O Evangelho de hoje nos pede unidade no meio do pluralismo. O que vem a ser isso? Para o Salvador não é a pureza ritual da lei que conta, mas a pureza do coração, isto é, é a amizade com Deus, a busca contínua de debater com o pecado, acolhendo não o pecado, mas o pecador, procurando tirar dos corações das pessoas as maldades para que dêem testemunho do Senhor Ressuscitado.

Ninguém hoje pode ser como os fariseus, saduceus, escribas e chefes do povo do tempo de Jesus que cumpriam toda a lei ritual, mas esqueciam de viver o amor e a caridade. Dentro do próprio Direito Canônico o último cânon ilumina toda a vida jurídica da Igreja: se for preciso salvar as almas vamos salvá-la, porque a SALUS ANIMARUM SUPREMA LEX, ou seja A SALVAÇÃO DAS ALMAS, COMO O AMOR, A ACOLHIDA, A PARTILHA, É A SUPREMA LEI DA IGREJA, é doce página do Evangelho que hoje refletimos indo contra “toda esperança humana, mas guiados pela fé” a exemplo de Abraão, nosso Pai na Fé.

Jesus acolheu aqueles que estavam à margem da classe sacerdotal e ritualista de seu tempo anunciando que o Reino de Deus é para todos. Basta seguir o preceito maior da Lei da acolhida: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Essa é a pedagogia, o jeito de ser Igreja que nós queremos. Como Jesus acolheu e pregou para todos, nós também queremos imitá-Lo e segui-Lo.

Nisso está a riqueza da Igreja: aqueles que pensam diferente de minha espiritualidade ou de meu “modus pastoralis” também tem direito de pertencer ao grêmio da Igreja. Pelo Batismo todos somos constituídos cidadãos da Igreja, portanto, estamos credenciados para vivificar nossa fé, na UNIDADE, em meio a tanta diversidade de espiritualidades.

Irmãos,

Saber todas as ciências humanas e eclesiásticas, como Filosofia, Teologia e mestrados e doutorados nisso e naquilo somente terá valor se o coração do Ministro e do Fiel, do Padre e da Liderança, estiver contaminado de Misericórdia, a exemplo da Misericórdia “do Coração de Jesus e de Maria que marcam profundamente a vida de nossa Igreja”.

Em virtude da suma misericórdia que Jesus sentou-se à Mesa do impuro cobrador de impostos Mateus e jantou com ele. Partilhar uma refeição na linguagem bíblica é ser amigo, fazer-se presença amorosa e generosa de partilha, acolhimento, amor, caridade. Porque se os fariseus criticavam Jesus de sentar-se à mesa com pecadores, o médico das almas procura os doentes, porque os sãos já estão credenciados, pela coerência de sua fé, a ter acesso ao Reino das Bem-aventuranças, atendendo ao apelo do Profeta: “Eu quero amor, e não holocaustos”( cf. Os 6,6.).

Deus se aproxima dos homens não para julgar, mas para amar. Dentro deste contexto nosso Arcebispo nos dá uma prova de grande sabedoria, própria dos Sucessores dos Apóstolos, Dom Eurico sabe amar com a intensidade e a acolhida do Coração de Jesus, que molda os corações dos homens para a beleza do seguimento com misericórdia, na diversidade de carismas, na prontidão da busca da santidade cotidiana.

Meus irmãos e Irmãs,

Jesus hoje nos convida para segui-Lo diuturnamente, no quotidiano de nossas vidas. Deus nos chama, respeitando nossa liberdade, nos mostrando um caminho, nos chamando a abrir a porta, sentando-se à mesa com o Senhor da Vida, nunca duvidando que a fé nos encaminha, a lançar de corpo e alma na proposta de minimizar nossos pecados, procurando emenda de vida, com obsequioso e misericordioso dever de sentar a Mesa, da Palavra e da Eucaristia, para dar, na diversidade, testemunho da UNIDADE TRINITÁRIA.

Tenhamos todos a mesma atitude que teve Mateus ao chamado de Jesus: a prontidão. Mateus ouviu o convite: “Segue-me!”(cf. Mt 9,9). Em virtude do doce convite levantou-se e seguiu Jesus. Em seqüência veio o momento sublime da ceia, em que tomaram refeição juntos. A prontidão em atender ao chamado agrada o Senhor. A mesma atitude teve a Virgem Maria que escutou a proposta de Deus e lhe disse um imediato e pronto SIM, e passou a ser abençoada por todas as gerações. Vamos lançar nossa confiança absoluta em Deus. Não importa os nossos pecados ou as nossas limitações. As condições para seguir a Jesus são as seguintes: ter um coração misericordioso, assim, a conversão de vida, escutar o chamado e seguir o Senhor, fazendo com Ele, Nele e Por Ele um só Coração e uma Só Alma. Assim todos nós seremos protagonistas da construção do Reino de Deus!

Ao convite de Jesus para o pecador Mateus todos nós devemos ter a atitude do cobrador de impostos. Imediatamente deixando as preocupações do mundo somos convidados ao discipulado-missionário de Jesus, recebendo em cada Eucaristia que recebemos, o renovado ânimo de adesão a Jesus, ao seu Reinado, levando a todos, particularmente os mais pobres e pequenos, a confiança da misericórdia de Deus, que é a verdadeira medicina para as nossas almas e para a santificação de nosso cotidiano. Que Jesus, nosso Redentor, médico pleno, nos ajude, Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO