
Padre Wagner Augusto Portugal
12º Domingo do Tempo Comum – A.
“O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos”(cf. Sl 27,8s).
Irmãos e Irmãs,
Retomamos neste domingo do discurso missionário de Jesus Cristo. Ele coloca como condições básicas para anúncio do Reino de Deus a Misericórdia e a compaixão, a gratuidade e a consciência de que não pregamos nossas idéias, mas a Palavra de Deus, como seus embaixadores.
A Primeira Leitura(cf.Jr 20,10-13) nos fala que o verdadeiro profeta não se silencia diante da perseguição do inimigo. Sua confiança e coragem provêm de Deus, pois Nele está a certeza da Vitória. A razão desta advertência da Primeira Leitura é de que os cristãos não estão sozinhos, porque contam com o apoio do Onipotente: “Eu estarei convosco todos os dias” (cf. Mt 28,20). A coragem que brota do fato de que Deus por ele fala.
Meus irmãos,
Por causa das perseguições do Imperador Nero, por volta do ano 60, tendo em vista que o Evangelho de Mateus foi escrito entre os anos 80 e 90 da era cristã, os cristãos estavam um pouco amendrontados. Os cristãos não podem ficar no seio da mãe por muito tempo. O parto é necessário. A evangelização urgia e se fazia candente. O discípulo deve sair à luz do dia e proclamar a Boa-Nova de Jesus Cristo em alta voz. Proclamar o Evangelho é reconhecer que Jesus é o Filho de Deus Salvador.
Crer em Jesus é viver segundo os seus ensinamentos, dando testemunho na vida e no trabalho, no quotidiano dos mistérios da fé cristã. As palavras são necessárias, mas o entusiasmo da vivência da palavra encarnada é mais forte, mais coerente, mais convincente aos olhos de uma sociedade secularizada. As palavras voam e os exemplos permanecem. Por isso a Palavra de Deus deve ser transportada para a vida diária, para os gestos concretos de caridade, de amor ao próximo, de acolhimento, de enxugar o rosto do irmão oprimido, dando-lhe pão e, acima de tudo, saciando a sua fome de alimento e de Deus.
O pregador, o discípulo ou o apóstolo, deve ser o homem da denúncia e do anúncio da salvação que faz com que abandonemos o pecado e busquemos a santidade e coerência de seguimento cristão.
Irmãos e Irmãs,
Ontem e hoje nossos irmãos continuam sendo perseguidos. A Igreja continua sendo perseguida, o que não é nenhuma novidade para nós. Cristo está presente na Igreja. Ele nos previne sobre as perseguições, calúnias e martírios, garante o amparo divino, maior que a ferocidade humana. O sangue dos mártires é um hino de confiança a Deus: “Ainda que eu tenha que andar por um vale tenebroso, não temo mal algum, porque tu estás comigo”(cf. Sl 23,4). A garantia do martírio é a vida eterna, no convívio das Bem-Aventuranças, junto de Deus. Nesse sentido, a coragem deve ser o apanágio de nossos evangelizadores. É não ter medo e nem ficar intimidado com as possibilidades que são colocadas de perseguição, calúnia e destruição. Em meio a uma sociedade marcada pela violência, agressividade e perseguição, a Palavra de Jesus vem encorajar-nos: Não tenham medo, Eu Venci o Mundo!
O medo não é uma atitude cristã. O temor sim é uma atitude dos seguidores de Jesus, como atitude reverencial diante de Deus, do mistério divino, do destino humano.
A coragem dos cristãos do novo milênio é não desanimar diante dos fracassos e frustrações de nossa caminhada pastoral, pelas limitações e insuficiências de nossos agentes. A coragem de superar nossos próprios interesses e planos, e colocar a meta de Deus para nossa vida e de nossa comunidade é o grande desafio na formação de uma pastoral de conjunto, acolhedora, numa comunidade misericordiosa, voltada para a formação de rede de comunidades e para o atendimento social, minorando a dor e a fome dos excluídos.
Diante das tentações do mundo, a coragem do apóstolo é deixar que o projeto de Cristo apareça, colocando-se como instrumento de sua mão.
Meus irmãos,
A nossa atitude deve ser a atitude da Segunda Leitura(cf. Rm 5,12-15) desta liturgia. Aonde abundou o pecado, aí superabundou a graça. Esta leitura de hoje não é uma aula sobre o pecado original. É, entretanto, uma mensagem que pervade a Carta dos Romanos do início ao fim. O pecado estragou tudo, não podíamos mais nada por nós mesmos – mas também, a graça de Deus superou tudo isso: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos”(cf. Rm 5, 15).
Assim o espírito fundamental deste domingo é de profundo reconhecimento e gratidão pela graça de Deus, manifestada no dom da vida de Jesus Cristo. Este reconhecimento nos leva a uma convicta profissão de que Jesus é o Salvador de nossa vida. Devemos testemunhar Jesus no quotidiano na busca da justiça e da paz, apanágios de um autêntico seguimento do homem que venceu a morte e anunciou a vida eterna.
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO