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Padre Wagner Augusto Portugal

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14º Domingo do Tempo Comum - A.

“Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estende, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos”(cf. Sl 47,10s).

A liturgia de hoje nos pede que procuremos o Senhor com a simplicidade do nosso coração.

O contexto em que o Evangelho de hoje se situa é aquele em que Jesus acaba de censurar as cidades da Galiléia por causa de sua auto-suficiência e orgulho. Em oposição a este orgulho, surge a figura do Messias humilde, de revelador de Deus que se dirige aos simples e pequeninos.

O Evangelho deste domingo se aproxima muito do discurso de Jesus na última Ceia. Ele nos revela o modo de rezar de Jesus, como grande lição de vida e, por outro lado, está um dos momentos em que Jesus revela Deus Pai, seu Pai, e se declara Filho deste Pai. Com esta revelação, Jesus toca no ponto central de toda a sua pregação: o fato de Deus ser Pai, Pai sobretudo dele, e através desta paternidade, Pai  de todos os que têm fé no “Cristo Senhor”.

Para entender o mistério é necessário ter um coração aberto, um coração simples, como de criança. Aqui neste convite encontramos um auto-retrato de quem quer ser discípulo ou apóstolo de Jesus.

Meus irmãos,

Rezar pressupõe aceitar o plano de Deus. A oração se confunde com a própria experiência de Deus. E a experiência de Deus é totalmente pessoal, única de cada um, irrepetível, singular.

Jesus agradece ao Pai. Nesse agradecimento está a aceitação do plano de Deus. Esse passo de inteligência e do coração só consegue dar quem se considera pequenino, vazio de preconceitos, transparente como uma gota de orvalho. Jesus ensina que, para rezar verdadeiramente ao Pai, devemos ter o coração desarmado de interesses egoístas e prontos a aceitar o plano de Deus, ainda que difícil de entender.

Irmãos e Irmãs,

Todos nós somos convidados a sermos íntimos do Pai, pela oração e pelo seguimento de Jesus Cristo.

Jesus fala com Deus em tom coloquial e o chama de Pai. Aí está uma das grandes novidades que Jesus Cristo trouxe: Deus é Pai no mais pleno sentido da palavra. Não apenas porque é criador e Senhor de tudo o que há nos céus, na terra e debaixo da terra. Mas é um Pai em comunhão conosco, um Pai, porque seu Filho bendito assumiu a carne humana, e nela a todos nós. Um Pai familiar, acessível. Em outra ocasião, Jesus o chamou de “papai” ou “paizinho”(cf. Mc 14,36).

Por causa de Jesus todos nós podemos ter a mesma intimidade com Deus, porque Deus em Jesus Cristo nos adotou por filhos. Talvez nos falte uma consciência maior desse imenso dom de Deus: o de sermos um só corpo com o Cristo, ou, na figura do próprio Jesus, ramos de um só e mesmo tronco, que é Ele.

Minhas irmãs e meus irmãos,

O Evangelho de hoje é o da simplicidade como meta de cumprimento da Lei.  A Lei que é feita para ajudar, para purificar, para salvar as almas e para promover a pastoral.

O coração puro não é um tesouro de moralidade com que quiséramos presentear Deus e que nos daria o direito de vê-lo face a face. É puro e simples o coração que sabe que tudo é dom gratuito de Deus e tudo deve ser gratuito.

Jesus é o rei prometido, que traz plena alegria a Jerusalém. É pobre, vem montado num jumento, dispensa todas as armas de guerra. Sua força é a mansidão e a humildade. A sua palavra é de paz para todas as nações. O contingente de seu exército não é composto basicamente dos sábios e dos entendidos. São os pequeninos, que rejeitam seus próprios fardos de glória, de poder, e se armam com os fardos leves de Jesus: a mansidão e humildade. São os seus discípulos, que continuam na história os sentimentos, os pensamentos e as atitudes de Jesus. São de Cristo, porque tem o seu Espírito!

Que todos possamos ver qual suave é o Senhor e que seja feliz o homem que tem Nele o seu refúgio, Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO