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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

Quarto Domingo da Quaresma – B.

“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. (Cf. Is 66, 10s).

Meus irmãos,

Estamos vivendo um momento de aproximação do teatro da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este é o domingo LAETERE, ou seja, o domingo em que os paramentos podem ser róseos.

Por isso todos nós somos convidados a Restaurar nossas vidas em Cristo Senhor. Na Quaresma, a liturgia relaciona a caminhada de Israel com a revelação em Cristo e a nossa salvação pela fé, professada no Batismo. Por isso pela recepção do Batismo o fiel é convidado a formar uma comunidade de luz e de misericórdia.

O trecho que relaciona o episódio referente a Israel, narrado neste domingo, à primeira vista não parece ilustrar o Evangelho. Contudo, é bom que se observe que a liturgia de hoje aparece atravessada de um fio homogêneo: a passagem da morte à vida, das trevas à luz, do pecado à reconciliação, do pecado à graça santificante.

Israel estava morto: a terra e a cidade estavam destruídos. E, pior do que tudo isso, o povo hebreu estava exilado. Mas, Deus fez o povo hebreu reviver, levando-o de volta. E isso, sem mérito da parte daquele Povo, mas pelo intermédio de um pagão, o rei Ciro, conforme relata a primeira leitura, que se apresenta a si mesmo como encarregado de Javé para realizar esta obra.

Na mesma linha de entendimento, a segunda leitura fala de nossa revivificação com Cristo, numa terminologia eminentemente batismal. Acentua fortemente a gratuidade deste agir de Nosso Deus.

Não foi por nossos méritos, mas porque Deus assim o quis, em sua grande e insondável misericórdia. O que não quer dizer que não precisamos fazer nada.

Não somos salvos pelas obras, mas para as obras: para as obras boas que Deus nos preparou em sua eterna providência.

Irmãos e Irmãs,

Da morte de Jesus nasce a vida. Por isso celebramos este domingo que é chamado de domingo da Alegria, conforme a antífona da Entrada: “Alegra-te, Jerusalém! Exultai e alegrai-vos, vós todos que estáveis tristes!”.


É o Domingo do Amor de Deus: do amor narrado – primeira leitura retirada do Livro das Crônicas -; do amor anunciado – segunda leitura; e do amor plenamente revelado na pessoa de Jesus Cristo – Evangelho.

Um amor surpreendente e único de Jesus que assume a condição humana, inclusive a morte.

Da morte de Jesus, porém, nasce à vida, a vida eterna. Da maldição da cruz brota a graça salvadora para as criaturas.

Nicodemos era fariseu, magistrado e membro do Sinédrio. Foi um dos poucos da classe dominante a reconhecer que na pessoa de Jesus havia alguma coisa a mais que profeta. Mas se manteve sempre com discrição, tanto que foi procurar Jesus pela noite, ou seja, às escondidas.

Foi Nicodemos que teve oportunidade para defender Jesus, estando presente e agindo com desenvoltura no sepultamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Caríssimos irmãos,

Deus amou o mundo, assim anuncia o Evangelista João. Mundo significa o universo e as criaturas criadas. Mundo pode significar a humanidade invadida pelo mal, que não quer receber a doutrina salvadora de Jesus, que se opõe ao Reino de Deus, especialmente nos grandes momentos da paixão, morte e ressurreição. Por isso Jesus anunciou: “Coragem, Eu venci o Mundo!” (Cf. Jo. 16,33).

Por isso é necessário fazer uma transposição de mundo para o sentido da liturgia de hoje: “Deus amou o mundo”(Cf. Jo 3, 16a). Este amor de Deus mistura dois sentidos: o de enviar o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.

O mundo é englobado por tudo: pecadores, ovelhas desgarradas, corações transviados, os Zaqueus, os Dimas, as Madalenas, os Judas. A condição para todos é a mesma: crer que no nome do Filho único de Deus.

Crer é ter a experiência de Cristo, como temos do alimento, da alegria, das cores. Crer implica entrar em contacto com o Mistério da Salvação.

É preciso estar em comum união com Cristo. E isso implica em falar, em agir, em viver, em conviver com o mistério da Cruz, que é escândalo para uns, loucura para outros, e poder e sabedoria de Deus para os cristãos verdadeiros, porque enquanto o mundo gira a Cruz permanece de pé.

A cruz não é um incidente de percurso. A cruz está prevista e querida por Deus, ainda que espante o modo de pensar humano. Aqui reside a novidade da liturgia de hoje: na Páscoa podemos vestir as vestes da luz, da salvação, da comunhão com Deus, sob a condição de ser levantado com o Cristo na cruz.

A salvação que vem da Cruz é certa. Cristo não mente. Não será por acaso que no momento em que fala da salvação que vem da Cruz, menciona a palavra verdade e a palavra luz: Quem age conforme a verdade, se aproxima da LUZ. João aproxima no seu Evangelho a verdade da luz. Luz, com um sentido maior que claridade, significa presença de Deus e o estado em que se encontram os que foram redimidos por Jesus. São Paulo diz que os cristãos são filhos da luz, isto é, vivem envolvidos por Deus.

Jesus se identificou com a verdade e é um único caminho da verdade e da vida. Agir conforme a verdade significa pautar o pensamento, o sentimento e a ação no modo de agir, sentir e pensar de Jesus.

Assim, como São Francisco que fez da verdade um critério básico do seguimento de Cristo, iluminando sua vida e seu agir, podemos seguir o que nos ensinou Pio XI a respeito do pobre frade de Assis: “um quase Cristo redivivo”.

Meus irmãos,

Nós, como batizados, podemos nos perguntar: Participamos da comunidade? Nossa comunidade reflete a luz de Cristo? Nosso mundo é um pouco melhor porque nossa comunidade existe?

Neste ano em que a CNBB nos convida a refletir na CF sobre os deficientes todos somos convidados a dar mais atenção, de modo especial, à situação dos deficientes em nossa realidade familiar, comunitária, pastoral, paroquial, arquidiocesana e nacional. Somos convidados a chamar estes nossos irmãos e incluí-los fiéis ao chamado do Cristo: “Levanta-te e vem para o meio”.(Cf. Mc 3,3).

Crer em Cristo significa segui-Lo. Crer em Cristo significa amá-Lo. Crer em Cristo significa viver Nele e por Ele em Deus. Já nos aproximamos da festa da Páscoa. Por isso somos chamados a alegria de uma estreita preparação para esta grande festa. Não há lugar para a tristeza aonde o amor está vencendo!

A certeza do amor de Deus nos enche de consolação e afasta de nós qualquer atitude de desesperança e de tristeza. Apesar de nossas contínuas infidelidades, Deus, misericordioso e sempre fiel à sua aliança, procuramos incasavelmente, chamando-nos à obediência filial e à reconciliação.

Que Deus nos ajude e nos ilumine a percebermos os sinais de amor presente na vida quotidiana, porque da morte gloriosa de Cristo nasceu a vida plena, Amém!

Historiando e uma benção das Rosas:

DOMINGO LÆTARE

O quarto Domingo da Quaresma é chamado "Dia das Rosas" e também Domingo Lætare por causa das primeiras palavras do seu intróito: "Alegra te Jerusalém", e ainda "Domingo Mediano" porque marca a metade da Quaresma.

Na antigüidade cristã, este Domingo era chamado Dia das Rosas, pois os cristãos se presenteavam mutuamente com as primeiras rosas da primavera.

No século X, entrou na liturgia deste dia a singular Bênção da Rosa, sendo que em Roma a rosa passou a ser de ouro. O Papa ia à Basílica estacional de Santa Cruz de Jerusalém, levando na mão uma rosa de ouro que significava a alegria pela proximidade da Páscoa e, regressando, presenteava com ela o prefeito de Roma.

Disto derivou o costume, ainda hoje em vigor, do Soberano Pontífice benzer nesse dia uma rosa de ouro e a oferecer a uma pessoa, a uma igreja ou a uma instituição, em sinal de particular atenção.

No Brasil há duas rosas de ouro: uma que foi ofertada á Princesa Isabel, em 1888, pela abolição da escravatura; e outra ofertada à Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em 1966, devido à monumentalidade de sua edificação.

A Santa Igreja interrompe hoje a penitência Quaresmal e demonstra alegria pelo toque do órgão, pelos ornamentos dos altares e pela cor rosa dos paramentos.

Toda a missa respira alegria e júbilo pela grande festa que se aproxima.

BÊNÇÃO DA ROSA
( Antes da Oração sobre as Oferendas)

Cel: OREMOS : SENHOR NOSSO DEUS, OLHAI PROPÍCIO
SOBRE ESTA ROSA, QUE ABEN + ÇOAMOS, E FAZEI
QUE TODOS OS QUE SENTIREM A SUA FRAGÂNCIA
SEJAM RECONCILIADOS NO ODOR DOS VOSSOS
UNGÜENTOS, E, CHEIOS DE ALEGRIA E EXALTANDO
DE FÉ, CORRAM AO ENCONTRO DAS FERSTAS QUE
SE APROXIMAM. POR N.S.J.C.....

R: AMÉM!

Asperge-se a rosa, que foi levada ao altar no Ofertório, com Água Benta.

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO