
Padre Wagner Augusto Portugal
Domingo da Páscoa – Missa do
Dia na Ressurreição do Senhor – B.
Meus irmãos e Minhas Irmãs no Senhor Ressuscitado!
Aleluia, Jesus Ressuscitou Verdadeiramente, Aleluia!!!
Celebramos neste dia santo o mistério central de nossa
vida cristã: a vitória da graça sobre o
pecado e a inauguração de um novo tempo, tempo
de graça, de santidade, de vida, vida plena e vida eterna.
Tempo de esperança e tempo de paz no Senhor Ressuscitado!
Vivemos hoje o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição
narrado pelo Evangelista João na liturgia deste dia santo.
A vida venceu a morte. A ressurreição de Cristo
é a consciência dos seus discípulos de que
ele vive e não é abandonado pelo Pai, mas confirmado
na vida e confirmado também na obra que ele levou a termo.
Hoje, Deus dá abertamente razão a Jesus: “Deus
ressuscitou-o ao terceiro dia, e tornou-o manifesto...”
Hoje congratulamos Cristo, porque Deus mostrou que ele tem razão!
É o mesmo sentido que aparece no Evangelho de Emaús,
lido na celebração vespertina da missa de hoje:
Jesus mesmo mostra que as Sagradas Escrituras prefiguravam seu
caminho. Mas agora, Ele vive, e, quando o pedimos, ele fica
conosco e se dá a conhecer no “partir o pão”,
a celebração da comunidade cristã.
Na missa matutina, o Evangelho é outro: a corrida de
Pedro e do misterioso “discípulo amado” ao
sepulcro. Pedro tem a precedência, embora o outro impulsionado
pelo generoso amor tenha corrido mais rápido. Pedro entra
primeiro e vê. O outro vem depois: vê e crê!
O amor é que faz reconhecer nos sinais da ausência
– as faixas, o sudário, a presença, transformada
e gloriosa de Cristo. “Crê, só agora, porque
até então não tinha entendido as Escrituras
que significam a ressurreição de Cristo dos mortos
ao terceiro dia”.
Meus irmãos,
Celebramos hoje o grande milagre da nova criação.
Domingo é o dia do Senhor, o Dies Domini, dia do Senhor.
A ressurreição de Jesus, como também a
nossa ressurreição, é assunto de fé.
Pode-se buscar explicações e conveniências.
Elas estarão sempre aquém do fato divino. É
diferente do brotar do trigo no campo e dos astros que se mantém
no espaço. Porque eles tem explicações.
A Páscoa não se explica. A Páscoa se crê.
É o maior dos milagres. Só a fé é
capaz de assimila-lo.
Diante do milagre as palavras se apequenam. Compreende-se a
sobriedade dos Evangelistas em narrar a Páscoa. No Evangelho
de Hoje está acentuado o ver. Viu Maria Madalena, Viu
Pedro, viu João. E João completa: ‘Viu e
Creu”. O verbo ver, no Evangelho de hoje, tanto o ver
físico quanto o ver espiritual, carrega em si as sementes
do crer e faz brotar a fé. Por isso todos nós
somos convidados a ver, a crer e a compreender a Escritura.
A escritura serve de base e garantia lídima de nossa
fé. A garantia da verdade não são os olhos
que vêem nem a mente e o coração que compreendem.
Sabemos que experiência que eles nos podem enganar. Mas
a Palavra de Deus é segura: “Eterna e estável
como os céus é a tua Palavra, Senhor!” (Sl
119, 89).
Meus irmãos,
No Cristo Ressuscitado renascem o novo homem e a nova mulher,
e com eles a nova criação. A grande e secreta
esperança da humanidade se realiza. Livres do que poderia
nos manter escravos de nós mesmos e de nossos caprichos,
livres também daqueles que nos manteriam escravos de
seus próprios planos opressores, podemos marchar para
a vida, num novo êxodo. Estamos livres para amar e para
cantar com a Liturgia deste dia Santo:
“Cantai, cristãos, afinal/ Salve, ó vitima
pascal! Cordeiro inocente, o Cristo, abriu-nos do Pai o aprisco!”.
Cristo nos faz novas criaturas e no batismo somos imersos nesta
vida nova que nos vem dele. Nossa vocação é
crescermos em Cristo em direção a esse homem/mulher
novos, livres, maduros, puros e lindos, tal como o Criador nos
pensou desde a eternidade. Reassumir como novo vigor a nossa
vocação batismal é um compromisso irrecusável
nesta Páscoa. Já temos a certeza de Cristo venceu.
Agora só nos resta viver e celebrar essa vitória
na esperança de que também nós venceremos,
chamados que somos à luz, à vida, à liberdade,
à alegria imorredoura.
Meus irmãos,
Se é verdade que a ressurreição é
obra exclusiva de Deus, é também verdade que ela
tem a ver com a vida presente, restaurada pela morte e ressurreição
de Jesus. A vida presente, modifica-se na medida de nossa fé
na ressurreição.
Por isso os Apóstolos, em suas pregações
e cartas, insistiram tanto que a vida presente deve ser pautada
pela esperança da vida futura. Não como um consolo
pelas possíveis desgraças sofridas aqui, mas como
um retorno pleno à vida divina, de onde saímos.
Fomos criados por um gesto de amor. Ressuscitamos por outro
gesto de amor extremado: a morte e ressurreição
de Jesus Cristo.
Ao celebramos o dom da vida elevemos a Deus, o autor e restaurador
da vida plena, na nova vida eterna, pelo dom da nossa vida para
que configurados pela ressurreição do Salvador
possamos ser testemunho desta luz brilhante que é o Senhor
Ressuscitado! Amém. Aleluia!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO