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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

Segundo Domingo Da Páscoa – B.

“Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crecerdes na salvação, aleluia!”(Cf 1Pd 2,2).

Meus queridos irmãos e Minhas queridas irmãs em Jesus Ressuscitado!
Aleluia, Jesus, o Ressuscitado está em nosso meio, Aleluia!!!

O tempo pascal pode ser resumido na seguinte frase: A ESPERANÇA VENCEU O MEDO! A esperança cristã pela vitória da vida sobre é a morte é o resumo da liturgia deste segundo domingo da Páscoa.

O tempo pascal é o tempo propício de renascer, crescer, produzir frutos e viver, a partir do impulso da vitória de Jesus sobre todos os sinais de morte da história humana. Depois de ter celebrado os mistérios de Cristo presentes na Páscoa, importa viver esse período como desdobramento do mesmo mistério da fé cristã.

Por isso somos convidados a refletir sobre a fé vitoriosa no amor de Cristo. As duas primeiras leituras de hoje nos convidam a uma reflexão sobre o amor fraterno à luz da Páscoa, ou seja, da vitória do Ressuscitado.

Na sua primeira carta, São João explicou que em Jesus se manifesta o amor de Deus; mais: que Deus é amor, relembrando a máxima latina: DEUS CHARITAS EST, ou seja, DEUS É AMOR, conforme, também, já nos lembrou o Sumo Pontífice Bento XVI em sua Encíclica sobre o amor de Deus pela humanidade.

Porque Deus nos amou primeiro, nós também devemos amar e, como Deus não se vê, devemos amá-lo no irmão que vemos, no irmão excluído, no irmão pobre que está na sarjeta, no irmão que não tem casa, não tem comida, não tem remédio, não tem plano de saúde, não tem previdência social.

Pois nossos irmãos são filhos de Deus, porque acreditam em Jesus Cristo; ora, quem ama o Pai, deve amar também seus filhos. Que amamos seus filhos, verifica-se na observância de seus mandamentos – o mandamento do amor, que Cristo nos deixou e pede que sigamos e coloquemos em prática.

O MANDAMENTO DO AMOR não é um peso, mas antes, uma doce alegria, pois significam vitória sobre o mundo: a vitória daquele que crê em Jesus Cristo, que pelo sangue de sua cruz e pelo Espírito que nos deu – e também pela água do Batismo, que significa tudo isso – vence o processo contra o mundo.

Meus irmãos,

A primeira comunidade reunida é relatada sempre no segundo domingo da páscoa. Este domingo, chamado de domingo da “pascoela”, ou seja, “domingo in albis”, por causa dos paramentos brancos, que são usados e as vestes batimais que eram usadas durante todo o tempo pascal pelos batizados na Vigília Pascal.

Este domingo, por doce desígnio do Sumo Pontífice João Paulo II é chamado de DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA, relembrando o Salmo Responsorial: “Louvai o Senhor, porque ele é bom e eterna é a sua misericórdia” (Cf. Sl 118,1). O próprio Evangelho nos relembra a misericórdia de Deus para com a humanidade,(Cf. Jo 20,23) misericórdia que teve o seu ponto alto na paixão, morte e ressurreição pela nossa salvação, para a nossa vida plena em Deus.

Mas o Evangelho, recordando a incredulidade de Tomé, nos fala que a fé vai além dos sentidos. A fé ultrapassa qualquer inteligência ou qualquer esquema pré-fabricado. A partir do momento em que aderimos a Jesus Cristo temos que crer com grande entusiasmo, com grande fé, esperança e amor. Porque Deus tanto amou o mundo que mandou seu Filho para que morresse pelos nossos pecados e, mais, ressuscitando ao terceiro dia, para inaugurar a vida eterna.

Meus irmãos,

O Cristo que estivera entre os discípulos, comendo e caminhando com eles, ensinando-os e sustentando-os, comendo e caminhando com eles, ensinando-os e sustentando-os sempre com sua presença, é o mesmo que está no meio da comunidade até o fim dos tempos. É o mesmo, mas não mais perceptível pelos sentidos.

A frase de Jesus: “Felizes os que não vêem e crêem”(Cf. Jo 20,29) se refere a todos os que, sem negar o valor aos sentidos e ao entendimento, vão além e aceitam o campo da fé. Pedro dirá: “Sem vê-lo, o amais; sem vê-lo, nele tendes fé. Isso será para vós uma fonte de alegria”. (Cf. 1Pd 1,8).

A comunidade de ontem e de hoje ama Jesus, o Senhor Ressuscitado; crê e sabe que ele está realmente presente, ainda que os olhos não o vejam e as mãos não o toquem. A dúvida e a incredulidade de Tomé são símbolo da dúvida e incredulidade que acompanham nossa mente.

Mas junto com a incredulidade de Tomé vem a sua belíssima profissão de fé: “MEU SENHOR E MEU DEUS”!(Cf. Jo 20, 28) Essa deve ser a nossa profissão de fé nesta páscoa: “MEU SENHOR E MEU DEUS, EU CREIO MAIS AUMENTAI A MINHA FÉ”!

Irmãos caríssimos,

Jesus institui nesta Missa o sacramento da penitência e o sacramento da santificação. O homem, que nasce com o pecado mortal, é renegerado pelo batismo e depois pela confissão sacramental, de forma auricular.

Por isso é o domingo da Divina Misericórdia, a Divina Misericórdia que vem ao nosso encontro para que saiamos do pecado e vivamos a graça santificante do batismo e a nova evangelização como a santidade como meta e meta absoluta da vida cristã.

Jesus nos dá uma vida nova com a Sua Ressurreição. Por isso Pedro exorta a sermos “como crianças recém-nascidas, desejando o genuíno leite do Espírito!” Fazer-se criança é o sentido de renascer de que falava Jesus a Nicodemos.

O Espírito Santo que Jesus hoje sopra sobre a comunidade reunida é graça e força para sairmos da ira para a mansidão, do ódio para a bondade, da discorrida para a unidade, da ganância para a solidariedade, da libertinagem para a contingência.

O Espírito nos reconstitui sempre de novo a alegria do amor e da unidade fraterna, sem os quais, não sobrevive a comunidade.

Meus amigos,

Crer que Jesus é o Filho de Deus, enviado pelo Pai para nos dar a vida da graça, a vida eterna. Esta é a razão da encarnação de Jesus. Esta a razão da ressurreição na Páscoa. Não há duas ressurreições. É uma única, por isso todas as nossas ações se voltam para a ressurreição de Cristo.

A mensagem de paz e a missão do mútuo perdão, que Jesus nos lega a seus discípulos no dia de sua ressurreição, dando-lhes o seu Espírito, é, em primeiro lugar, esta missão da plena comunidade. O Espírito lhes é dado para ser a alma desta comunidade. Porém, não deixará de irradiar também para fora.

Mas isso só se encontrar morada no coração da comunidade fraterna, a nossa comunidade de fé. Por isso, diante do sofrimento do mundo, os cristãos são chamados a ser um sinal de esperança, alicerçado na fé e demonstrado em gestos concretos. Deus não espera que sejamos infalíveis.

Ele nos oferece sempre o seu perdão e nos convida a perdoar, para todos podermos sempre recomeçar e crescer em santidade e em amor. Esse é o mistério bonito do mistério que celebramos nesta oitava da ressurreição, Aleluia!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO