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Padre Wagner Augusto Portugal

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Terceiro Domingo Da Páscoa – B.

“Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e louvor, aleluia!(Cf. Sl 65, 1s)

Os sentimentos que invadem o nosso coração neste domingo são os mesmos sentimentos que invadiram os corações dos discipulos: a alegria pela ressurreição de Jesus, que é o centro de nossa fé.

E a ressurreição muitas vezes traz os sentimentos de medo, de surpresa, de dúvida e de alegria. O medo é o que mais inibe o povo, a capacidade de se surpreender rejuvenece; a dúvida é o meio caminho andado em direçao à verdade; a alegria é consequência da certeza do encontro.

Encontro com o Cristo, que nos convence de que, de fato, Cristo ressucitou, que Cristo continua sendo ele mesmo inteiro, que seu nome glorioso perdoa os pecados de todos que seremos testemunhas destes fatos.

Na primeira Leitura contemplamos São Pedro, antes covarde, agora anunciando com coragem diante de todo o povo: “O Cristo vós matastes. Mas Deus o ressuscitou dos mortos. E disso nós somos testemunhas”. E agindo; rpvoando com sinais... que Jesus ainda estava vivo. Cura o coxo na porta do Templo em nome de Jeus (Cf. At. 3,13-15.17-19).

Meus caros irmãos,

O capítulo 24 do Evangelho de Lucas, que lemos hoje, fala das provas da ressurreição de Cristo. E a primeira prova da ressurreição de Cristo é o sepulcro vazio. E a segunda prova da ressurreiçao de Cristo é, na voz do anjo que fala às mulheres. A terceira prova da ressurreição de Cristo, na voz do próprio Cristo aos discípulos de Emaús, que se revela na fração do pão. A quarta prova da ressurreição é a aparição aos Apóstolos reunidos com outros companheiros no cenáculo, onde se joga com todos os sentidos do corpo e qualidades da pessoa humana.

Meus caros Irmãos,

Jesus, no final do relato do Evangelho de hoje, aparece aos seus onze Apóstolos.Qual é a finalidade de Jesus aparecer hoje aos seus discípulos? Essa finalidade é tríplice: Primeiro: Jesus afirma que está vivo e continua ele mesmo, em toda a sua humanidade. O próprio Cristo pede que os seus apóstolos experimentem a verdade de que o Cristo está vivo: “vede minhas mãos e meus pés”(os olhos), “apalpai-me”(o tato); “Comeu à vista deles”(o gosto).

A glória da ressurreiçao transfigurou, mas não obscureceu sua humanidade. Segundo: Jesus abre a mente dos discípulos à compreensão das Sagradas Escrituras. Do ver-tocar-degustar passa ao ouvir-anunciar. Nada acontecera por acaso. Jesus explicara que tudo aconteceu por desígnio do Pai acerca da missão de Jesus no mundo.

Agora, as Escrituras vão iluminar e fundamentar a fé dos cristãos no mundo. Jesus, se torna, entáo, a chave interpretativa do Antigo e do Novo Testamento e de toda a revelação divina. Abrindo o coração dos discípulos Jesus afasta dos seus apóstolos e discípulos o medo do fracasso, ao perguntar: “por que estaris perturbados?”

Não havia motivo para perturbação, porque Cristo está vivo, Ele caminha com o povo, Ele está conosco. Terceiro: Jesus dá uma missão: ser no mundo as testemunhas da ressurreição. O Evangelista Lucas põe o testemunho no anúncio da conversão e do perdão, como chave de uma vida sempre pascal.

A páscoa requer sempre isso viver a vida nova de passagem do pecado para a graça, sempre firmes de sempre somos perdoados pelo Deus rico e compassivo em misericórdia. Fé no perdão que a Ressurreição fecunda nossas vidas com as sementes da imortalidade.

Irmãos e Irmãs,

Os apóstolos demoraram para crerem na ressurreição. Foi preciso a graça natural de Deus e as provas, à partir da abertura que Jesus fez com a sua presença gloriosa no meio deles. Por conseguinte, os apóstolos, ao pregarem a Ressureição do Cristo uniram ao perdao dos pecados e à conversão.

Por isso, todos nós devemos viver o tempo pascal, dentro deste espírito de abertura a renovação de nosso batismo, procurando uma vida sempre nova de santificação, de procura da vontade de Deus para nossa vida. Por isso, os Evangelistas acrescentam que o perdão é para todos, indistintamente, para todos aqueles que querem ter os seus pecados perdoados. Náo há povo, náo há classe sociail privilegiada que não possa ter os seus pecados perdoados, por mais absurdos que sejam. A graça do perdao é universal, veio para todos.

A condição imposta para receber o perdão de Deus é acreditar que Cristo é o Senhor, o Filho de Deus, o Salvador. Arrependidos de todos os pecados, o penitente estará reconciliado com Cristo, com a Igreja e com a Comunidade de fé. Por isso nós somos chamados, conforme exorta o próprio cristo no Evangelho de hoje, a sermos: “Testemunhas de tudo isso”(Cf. Lc 24,48).

Ser testemunhas do Cristo é proclamar a sua ressurreição, garantir a sua divindade, difundir e defender a dé pela palavra e pela açao, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relaçao à Cruz.

A isso todos somos conclamados, em palavras e em obras, se preciso for, até pelo martírio. Anunciar o Cristo, vivenciar o perdão dos pecados e sermos anunciadores de uma vida cristã que passe pela acolhida do diferente, na busca da santidade pessoal que seja a santidade do outro, na construção da comunidade de irmãos.

Meus irmãos,

São João na segunda Leitura de hoje nos interpela que para sermos testemunhas do Cristo devemos viver a nossa fé, à partir do que se se conhece, se anuncia: “Quem diz conhecer o Senhor e não vive a sua mensagem é mentiroso e a verdade não está nele”(Cf. 1 Jo2,1-5).

Não adianta proclamar que Jesus ressuscitou e continuar vivendo como se não tivéssemos responsabilidade com o projeto do Reino que ele anunciou e viveu. No amor fraterno da comunidade cristã, o mundo enxerga o Ressuscitado, o Cristo vivo. Essa é a nossa certeza, e essa deve ser a nosso compromisso de sermos testemunhas do ressuscitado. Aleluia!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO