
Padre Wagner Augusto Portugal
Quarto Domingo Da Páscoa – B.
Neste domingo a Liturgia da Igreja nos
convida a refletir sobre a figura do SENHOR BOM PASTOR.
A figura do BOM PASTOR é uma das figuras mais antigas
da iconografia católica. A grande riqueza da parábola
do capítulo décimo, de São João,
lendo-o todos os anos no quarto domingo da Páscoa. Na
liturgia do ano litúrgico B a figura que nos apresenta
é a do Cristo que nos ama e dá a sua vida por
todos nós.
Jesus apresenta-se como o único capaz de guiar e salvar
o povo. E o faz com extremo amor de sua vida. E como se não
bastasse dar a vida como prova de seu amor, Jesus afirma que
tem o poder de retomar a vida – promessa da Ressurreição
– para que, em sua vida, todos tenhamos vida em plenitude
para sempre, ou seja, que todos nós sejamos salvos.
A figura do BOM PASTOR é a mesma figura de JESUS SALVADOR.
O povo que ouviu Jesus conhecia bem a vida dos pastores, tendo
em vista que o povo era de origem rural, e o pastor era aquele
que conduzia as suas ovelhas para pastar. Ser bom pastor é
realmente ser aquele que apresenta as ovelhas, ou seja, ao povo
de Deus, a Salvação que nos veio pela Ressurreição
do Senhor Jesus.
Por isso a missa de hoje, especialmente, tem um significado
de salvação, de céu, de vida eterna, de
amizade permanente com Deus. E nós só alcançaremos
este pedacinho de céu ouvindo, colocando em prática
os ensinamentos de JESUS que nós são confirmados
diuturnamente e reafirmados pela ação pastoral
do CRISTO BOM PASTOR pelo seu Vigário, o Papa, pelos
Bispos, e pelos Párocos em cada comunidade de fiel.
Meus irmãos,
O Bom Pastor é o próprio Cristo. Como Bom Pastor
Cristo morreu na Cruz pela salvação da humanidade.
Aqui reside a novidade cristã: o verdadeiro, o bom, o
justo e o santo pastor é capaz de morrer para que suas
ovelhas tenham vida e vida em abundância. Jesus hoje fala
do empregado mercenário e do dono das ovelhas.
Isso não é nenhuma novidade, porque quem cuida
melhor das ovelhas será sempre o seu dono. O empregado
sempre, por mais dedicado, deixará a desejar. Isso para
que nós possamos entender que Jesus terá para
conosco o cuidado que tem o dono por suas propriedades. Assim
Jesus tratará aqueles que aderirem ao projeto de salvação.
Abel, no Antigo Testamento, foi Pastor. Pastores também
foram os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. Todos
tiveram que andar muito com o rebanho na Palestina a procura
de comida e de água. Além das grandes caminhadas,
tinham que dormir com as suas ovelhas, sendo necessário
um rodízio para que as ovelhas não fossem assaltadas
por ladrões e lobos famintos.
Assim como os pastores do Antigo Testamento agiram, age Jesus
conosco: como Bom Pastor, ele tem coragem de lutar pela salvação
de suas ovelhas, para que não se perca nenhuma delas.
Por isso Jesus morreu pelas suas ovelhas, irrompendo a morte
ao terceiro dia, para dar a vida eterna para todas as suas ovelhas:
o Bom e Generoso Pastor que morre para dar vida e vida plena
a suas ovelhas.
Meus irmãos e Minhas irmãs,
A salvação que entra em nossa casa pela parábola
do Bom Pastor é cheia de simbolismos e de significados
festivos. O céu é uma festa permanente, aonde
não há a distinção mesquinha do
mundo moderno, de dinheiro, de poder, de prazer: no céu
há a edificação de uma comunidade de fiéis
que partilham tudo em comum, um se preocupando com o outro,
como o Pastor se preocupa com as suas ovelhas.
A figura do pastor vai mais longe do que o significado profissional.
Compreenderam que significava pastor como guia, como condutor,
como legislador: mas o Bom Pastor é aquele que mostra
o caminho do povo para a vida eterna, para a salvação.
Meus amigos,
Todas as nossas aflições devem ser depositadas
nas mãos do Senhor Jesus, do Senhor BOM PASTOR. Assim
canta a liturgia: “O Senhor é meu Pastor, nada
me faltará”(Cf. Salmo 23).
Depositando nas mãos de Deus a confiança de nossa
vida, de nossa caminhada eclesial, de nosso engajamento nas
missões populares que se desenvolvem em nossa Arquidiocese
de Juiz de Fora, de nosso engajamento no projeto do Céu
que é a salvação, todos nós comeremos
do alimento que brota das verdes pastagens de Jesus: a santa
EUCARISTIA.
Verdes pastagens é beber o sangue e comer o corpo de
Jesus pela Eucaristia, presença permanente do Bom Pastor
que conduz a vida da Igreja, a vida da comunidade e a nossa
vida pessoal.
Conhecer a Deus tem um significado eminentemente pastoral: uma
vida religiosa, moral e social do cristão voltada para
a mensagem de Deus contida nos Evangelhos e vivida à
luz da Tradição e da práxis da Santa Igreja
de Cristo.
Meus irmãos,
A atuação dos primeiros cristãos em Jerusalém
– Primeira Leitura – deve ser entendida à
partir de Jesus Cristo e de sua práxis. Pedro e João
são presos e levados diante do Sinédrio.
Este pergunta em que nome eles anunciam o chamado Evangelho
e agem. Complexo de instituições autoritárias,
o Sinédrio não permite que alguém aja por
conta própria, a não ser que seja pelos interesses
de seus membros. Mas os Apóstolos não agiam por
conta própria: “No nome de Jesus Cristo Nazareno,
crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus.... Em
nenhum outro nome há salvação, pois nenhum
outro nome foi dado sob o céu por quem possamos ser salvos”.
(Cf. At 4,10-12).
Esta é a conclusão do sinal do aleijado da Porta
Formosa: a cura que lhe ocorreu significava a vida em Jesus
Cristo. Esta deve também ser a conclusão de todo
agir cristão no mundo; todo nosso agir deve ser: dar
a vida de Cristo ao mundo, pelo testemunho do amor e o convite
à participação deste mesmo amor, do qual
Jesus nos fez participar, dando sua vida pelos seus amigos.
Meus irmãos,
A Vida que Jesus nos dá é o amor do Pai, que nos
faz viver verdadeiramente e nos torna seus filhos. Já
agora temos certa experiência disso, a saber, na prática
deste amor que nos foi dado. Mas essa experiência é
ainda inicial, conforme anunciou a segunda leitura.
Manifestar-se-á plenamente quando o cristo for completamente
manifestado na sua glória: então, seremos semelhantes
ao Cristo. Desde já, nossa participação
desta vida divina nos coloca numa situação à
parte: na comunidade do amor fraterno, que o mundo não
quer conhecer e, por isso, rejeita(Cf. 1 Jo 3, 1c). É
a “diferença cristã”.
Alegremos no Senhor fazendo o bem, mesmo quando encontramos
oposição, enriquece a nossa vida, porque o amor
de Jesus é Salvação, é Páscoa,
é Ressurreição, Amém!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO