
Padre Wagner Augusto Portugal
Quinto Domingo Da Páscoa – B.
“Cantai ao Senhor um canto novo,
porque ele fez maravilhas; e revelou sua justiça diante
das nações, aleluia!”. (Cf. Sl 97, 1s).
Meus irmãos e Minhas irmãs,
Celebramos hoje a missa que nos faz uma referencia à
VIDEIRA. No Antigo Testamento “a vinha de Javé”
era Israel, era o povo eleito de Deus. Mas este povo não
produziu os frutos esperados por Deus. Daí, o Novo Testamento
traz a parábola de Jesus, dizendo que foram os vinhateiros,
que não quiseram dar a devida parte do produto ao proprietário:
este, depois de ter mandado servos, enviou finalmente seu próprio
filho, mas os vinhateiros o mataram, e a vinha foi dada a outros
arrendatários. Assim, a vinha se tornou imagem do novo
povo de Deus. É neste sentido que João recorrer
à imagem da videira no Evangelho de hoje – Ev.
de João 15,1-8.
A parábola de hoje se aplica, inicialmente, a Jesus em
primeiro lugar, porque: “Eu sou a verdadeira videira”.
Mas trata-se de uma videira comunitária: de Cristo ligado
aos seus discípulos, aos seus apóstolos, aos seus
seguidores. É nestes que estão unidos com ele,
que Jesus produz os frutos que glorificam ao Divino Pai Eterno:
os frutos da caridade, do amor, da acolhida.
Meus queridos irmãos,
Jesus Cristo glorioso sobe aos céus, mas permanece como
raiz e centro da humanidade redimida, recriada pelo seu Sangue.
Jesus permanece como fonte de vida para todos nós. Por
isso os fiéis são prolongamento de Cristo: a figura
da videira para simbolizar o povo não era estranha. Já
havia sido usada em Isaías 5, 1-7, em Ezequiel 15,1-8.
Jesus recolhe a velha comparação entre os homens
e a videira e a ilumina: Deus é o agricultor. A videira
é Jesus, a melhor cepa possível, que produzirá
os melhores frutos, que são inteiramente do gosto e do
agrado do Deus Pai. Dessa videira o Pai jamais se queixará.
Pela Paixão e Ressurreição de Jesus nós
fomos enxertados no tronco. Agora fazemos parte da nova videira.
Enquanto estivermos inseridos no tronco como os sarmentos na
cepa, é certo que também nossos frutos serão
agradáveis a Deus, porque a seiva, a vida de Cristo-tronco,
é a mesma que corre em nós-ramos.
Somos, portanto, prolongamento de Cristo: um com o Cristo somos
também em nossas obras. Como Cristo é um com o
Pai em todos os passos de sua peregrinação terrena.
Esta verdade, sobre a qual Jesus tanto insistiu, é das
que mais devem despertar nossa confiança nele, o nosso
esforço para conformar nossos pensamentos, planos e ações
à sua maneira de agir.
Meus irmãos,
Se formos prolongamentos de Cristo, somos sócios ou parceiros
de um projeto divino de salvação: por isso temos
que pedir como o Rei David, a graça da sabedoria para
que possamos vivenciar nosso batismo e nossa crisma dentro do
projeto de libertação e de salvação
que é proposto pelo Salvador. Por isso Jesus promete
esses frutos ricos de fecundidade aos ramos que fizerem enxertados
nele.
Todos nós temos que ser co-participes do mistério
da salvação, temos que procurar dar nosso contributo
para que possamos permanecer unidos a Cristo e ao seu projeto
de reino das Bem-Aventuranças.
Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado é o Senhor da
História e da Graça. Por isso ele precisa dos
homens e da mulher para implementar seu projeto de salvação.A
História depende de Cristo, como os ramos do tronco.
Sozinhos nada faremos, porque o ramo que não está
ligado ao tronco perece, morre, desaparece. Unidos ao tronco,
o Senhor da Vida, responsável maior, transformaremos
cada dia num milagre de vida e de amor, um milagre vindo do
Tronco que abençoa os seus ramos fiéis.
Aqui reside a novidade da missa de hoje: a comunhão da
criatura humana com Deus na vida presente, que se plenifica
na eternidade. Por isso devemos hoje repetir com o apóstolo
Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu, é
Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne eu a vivo
pela fé no Filho de Deus”. (Cf. Gl 2,20)
Queridos irmãos,
Ao formamos comunhão com o tronco os ramos edificam a
comunidade de fiéis. Comunhão e comunidade vêm
da mesma raiz de fé: temos que nos engajar e arregaçar
a manga para fazer acontecer o reino de Deus entre nós.
Por isso nós contamos com a graça especial da
Igreja de Cristo, a sua única Igreja, a Igreja católica,
que é uma comunidade que se esforça por viver
em comunhão, dando ao mundo testemunho dos frutos da
salvação que brotam do Senhor Ressuscitado.
O que consiste esta união vital com Cristo? Nada mais,
nada menos do que o amor fraterno. É o amar, não
só com palavras, mas em atos e verdade. A segunda leitura
fala deste amor eficaz, ou seja, um amor que provem de Deus
e que deve iluminar a nossa caminhada de comunidade de fé,
de comunidade familiar, de vida pessoal de fé em Deus
Trindade.
A primeira Leitura fala da conversão de Paulo, seu contacto
com os apóstolos de Jerusalém, mediante Barnabé,
suas discussões com os judeus do helenismo e a sua missão
em Tarso.Este relato nos demonstra que já existia a comunhão
eclesial desde os tempos de Paulo.
A liturgia deste domingo oferece oportunidade para realçar
a relação entre a Mesa da Palavra e a Mesa Eucarística,
mediante o simbolismo do vinho. Por isso a videira verdadeira
produziu, como primeiro de seus frutos, o vinho da salvação,
ou seja, o sangue derramado na cruz pela nossa salvação.
Assim, nossos frutos deverão ser da mesma natureza!
Meus irmãos,
Crescer em todos os sentidos é uma aventura emocionante,
que dura o tempo todo da nossa vida. O mesmo Deus que nos estimula
a dar o máximo, compreende melhor do que nós mesmos
nossas fragilidades e nos acolhe como realmente somos para nos
ajudar a crescer. Peçamos ao Ressuscitado nos conceder
uma fé corajosa que aumente muito a nossa capacidade
de realizar boas obras e vencer os desafios, porque “quem
em mim permanece, esse dá muito fruto”. Assim seja
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO