
Padre Wagner Augusto Portugal
Solenidade da Ascensão do Senhor –
B.
“Homens da Galiléia, por
que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus
há de voltar, do mesmo modo que o viste subir, aleluia!”.
Meus queridos irmãos,
A festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo é
transferida para o domingo seguinte por uma decisão da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A liturgia
desta solenidade nos encanta pela palavra do Redentor: A
SANTIFICAÇÃO DA VERDADE que Jesus na
hora de sua despedida, pede ao Pai, para os seus discípulos.
A verdade em São João é antes de tudo a
revelação do ser de Deus no seu Filho, mais especificamente,
na “hora” deste, ou seja, na sua
morte, que é a manifestação da glória
de Deus, isto é, de seu mais íntimo ser, pois
Deus é amor, conforme a liturgia do domingo precedente.
A verdade é o amor de Deus que se revela para nós,
na doação de seu Filho. Jesus pede que seus discípulos
sejam santificados nesta verdade. Jesus se dedica a Deus, assumindo
a obra da revelação do amor até o fim;
nisto, torna-se inteiramente palavra de Deus, e esta palavra
é a verdade.
Irmãos e Irmãs,
A Ascensão celebra a glorifica de Jesus que voltando
ao Pai, depois de cumprida a sua missão na terra, ele
reaparece em sua gloriosa condição divina que,
no momento da encarnação, havia ocultado. Jesus
volta vitorioso sobre o pecado e vence a morte. O Filho de Deus
que hoje sobe aos céus não é o mesmo que
desceu.
Ao se encarnar no seio da Bem Aventurada Virgem Maria, ele era
só Deus. Hoje ele retorna ao Pai também com sua
humanidade, com a nossa carne humana.
Por isso hoje a Igreja celebra a solenidade e a festa
do envio para a missão. A exaltação
de Jesus está intimamente ligada ao mistério da
Igreja e sua missão. Hoje Jesus entrega à comunidade
eclesial a continuidade de sua missão. A missão
é única de Jesus e da Santa Igreja Católica,
uma missão salvadora que se realiza com a mesma graça
santificante.
Por isso somos membros do Corpo Místico de Cristo Ressuscitado
e a sua subida não significa afastamento, mas um novo
modo de estar presente no meio de nós: “Não
sou eu que vivo é Cristo que vive em mim”,
já sentenciava São Paulo para demonstrar a presença
contínua de Cristo na vida da Santa Igreja e na nossa
vida de caminhada de fé.
Meus queridos irmãos,
Jesus subiu aos céus e está sentado a direita
de Deus Pai. Isto quer significar que Jesus tem o divino poder
sob o céu e a terra. O glorioso Cristo tem um poder igual
ao Divino Pai Eterno. Um poder em comunhão com o poder
do Pai. O Homem Deus sobe ao céu para realizar a plenitude
de todos os desejos da criatura humana.
Por isso Ascensão é festa missionária,
é festa de envio. O Evangelho anuncia a novidade cristã
pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
À partir deste evento todos somos convidados a crer.
Recebendo o Batismo todos estão configurados como sacerdotes,
sendo aceitos no grêmio do Reino de Deus.A missão
de batizados é a missão: a nova evangelização.
Anunciar a salvação a todos os povos e convocar
as gentes para a santidade de vida.
O próprio Jesus, com a sua autoridade, nos envia para
a missão. Jesus envia todos, santos e pecadores, para
santos e para os pecadores, especialmente para aqueles que estão
à margem da sociedade e à margem da Igreja, que
muitas vezes mais divide do que une. A missão é
destinada aos homens e as mulheres que boa vontade: nas mãos
do homem que matou é posto o mistério da vida
eterna, da vida que nos salva. Os homens que se amesquinharam,
os homens que se calaram hoje são convidados a assumir
o mistério da palavra, são convidados a serem
apóstolos, ou seja, serem enviados em nome de Deus.
Mas, qual é a missão dos apóstolos? Expulsar
demônios, falar em línguas novas, impor as mãos
aos enfermos e cura-los, lidar com serpentes e venenos, sem
conseqüências. Para que esta missão? Os homens
de hoje vivem cercados e iludidos de impedimentos. Tanta coisa
que nos é proposta, mas que, na verdade, obstacula nossa
essencial dimensão para Deus ou a necessária dimensão
para o próximo ou a difícil dimensão para
o equilíbrio do nosso eu.
A todos esses empecilhos a Sagrada Escritura chama de ídolos,
de pecados. Quantas vezes nos iludimos com os ídolos
da vida moderna? Quantas vezes o hedonismo, o sexo desvairado,
o ter, o poder, o consumir, a permissividade tomou lugar da
santidade que vem do Ressuscitado em nossa vida? O dinheiro
e o poder tomam mais lugar em nossa vida do que a vida de fé
e a vida de comunidade. Será porque? Será que
estamos afastados de Deus? Estes são os demônios
da vida moderna.
Em tempos de muitos discursos messiânicos e de
muitas Igrejas que estão aí para espoliar a ignorância
da gente iletrada a VERDADE DE CRISTO é a seguinte: FIDELIDADE,
EMPENHO PESSOAL, ESPERANÇA A TODA PROVA, CONSOLAÇÃO,
PARTILHA E ALEGRIA.
Nos homens e mulheres santos e simples da roça e da cidade
encontramos a honestidade e a lisura de vida com princípios
que vencem a luxuria dos dias modernos e mantém a fidelidade
ao mandato do Senhor Ressuscitado.
Ascensão quer significar UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO.
Jesus nos envia para a missão em todo o Orbe, em todo
o mundo. Para anunciar o Evangelho temos que ser testemunhas,
com palavras e obras, que Jesus é o Filho de Deus, o
Ressuscitado e que subiu glorioso aos céus. Em segundo
lugar a pregação nos ensina a clamar por uma nova
ordem na criação. Em Jesus Cristo todas as criaturas
foram renovadas, tanto na terra quanto no céu.
Meus queridos irmãos,
A segunda leitura nos ensina que não só a alegria,
mas também o amor de Deus deve ser levado à plenitude,
em nós; isso acontece pelo amor fraterno. Para isso,
Deus nos dá o Espírito, que continua a obra do
Filho, agora exaltado: para que fiquemos fiéis ao legado
de Cristo, que nos amou até o fim; para que conheçamos
o sentido decisivo deste amor, nele acreditemos e lhe fiquemos
fiéis, pois, então, Deus permanece em nós
e nós nele.
A comunidade cristã é a continuação
da missão e da presença de Jesus no mundo. Os
sinais indicados no Evangelho devem ser traduzidos para a realidade
de hoje. Não precisam ser milagres mas devem mostrar
a força transformadora de Jesus entre nós.Jesus
de fato não se ausenta: vai ter daí para frente
um outro tipo de presença, através da ação
das comunidades que crêem nele e realizam a sua missão.
Que todos nós, pois, possamos arregaçar as mangas,
saindo do comodismo e atender o apelo do Senhor, que subiu aos
Céus: Ide e Evangelizai. Amém, Aleluia!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO