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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

Solenidade de Pentecostes.

“O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas, aleluia”. (Cf. Sb 1,7).

Meus amados Irmãos,

Celebramos a Solenidade de Pentecostes; grande mistério de nossa fé em que a Paz anunciada pelo Ressuscitado, Assunto ao Céu, retorna ao Cenáculo para impor os dons do Espírito Santo sobre os seus Apóstolos, na presença da Bem Aventurada Virgem Maria.

A Solenidade de Pentecostes é a plenificação do Mistério Pascal: a comunhão com o Ressuscitado só é completa pelo dom do Espírito Santo, o “outro Paráclito”, que continua em nós a obra do Cristo e a sua presença gloriosa. A liturgia desta solenidade, porém, acentua menos este lado teológico e mais a manifestação histórica do Espírito Santo no milagre de Pentecostes, conforme nos ensina a Primeira Leitura, e nos carismas da Igreja , conforme nos relata a Segunda Leitura, sinais de unidade e paz que o Cristo veio trazer. A Igreja, sacramento da Unidade, nos relembra que a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas e a diversidade de dons na Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça.

Meus amigos,

Disse o Apóstolo dos Gentios que: “O amor de Deus se derramou em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Cf. Rom 4,5). Por isso a celebração maior de Pentecostes, a manifestação de Cristo Glorificado, é considerada a maior festa da Igreja, em comum união com a festa da Páscoa.

Pentecostes é a festa da plenitude dos tempos, predita pelos profetas. É a festa do início dos tempos da Santa Igreja Católica, da nova e definitiva aliança, a que todos somos convidados, a que todos somos vocacionados. É a festa da comunidade cristã, da comunidade eclesial, da comunidade de fiéis, porque estas comunidades não existem sem o Espírito Santo, que é a alma, que é a fonte de vida para a Igreja. Pentecostes é a festa da unidade que dá o impulso apostólico da pregação a todos os povos, para todas as línguas, para todas as nações. A fé transcende os umbrais do povo hebreu, devendo ser anunciada a todos sem distinção.

Com Pentecostes, em que o Senhor desce na presença redentora do Cenáculo, os discípulos, inundados com os Sete dons do Espírito Santo, tornam-se APÓSTOLOS, ou seja, passam a ser enviados em nome de Cristo, como Cristo, um dia, fora enviado em nome do Pai.

A presença da Bem Aventurada Virgem Maria tem um significado muito especial: presente na Cruz, dada a João, o discípulo amado, a sua presença no meio dos apóstolos a coloca como Mãe e Mestra da Igreja de Cristo.

Ali em Pentecostes estava a Igreja nascente, o Corpo Místico de Cristo, por isso os novos Apóstolos, hoje batizados no Espírito Santo, correrão o mundo afora, de crentes e não crentes, para criar comunidades, animar comunidades e santificar aqueles que aceitarem o Nome Glorioso do Senhor Jesus.

Irmãos e Irmãs,

A festa de Pentecostes nos pede uma reflexão sobre a presença do Espírito Santo na história da salvação. Não conhecido no Antigo Testamento, ou mesmo chamado de Deus Desconhecido por Paulo em Atenas, coube a Jesus revelar a existência de um Deus único e verdadeiro em três pessoas distintas. É pelo Espírito Santo que se abrem os horizontes pelos quais se movimentam e se compreendem todas as verdades da fé cristã.

O Espírito Santo é visível como o próprio Cristo. Representado por símbolos como o vento, a pomba e as línguas de fogo não são encarnação do Espírito Santo, mas figuras que nos ajudam a compreender o Santo Espírito em linguagem humana quanto é possível entender e guardar em nossos corações.

O Espírito Santo Paráclito. O que é o Paráclito? Vem do grego que significa “aquele que vem para nos ajudar!”. O Espírito Santo pode ser considerado o nosso ADVOGADO, ou ainda, o nosso CONSOLADOR, ou ainda, O ESPÍRITO DE VERDADE.

Orígenes disse que o Espírito Santo é o beijo: O Pai beija, o Filho é beijado. O Espírito Santo é o beijo. Uma figura bonita, compreensível aos olhos humanos pós-modernos. Outros dizem que o Espírito Santo é o abraço. O Pai abraça o Filho com todo amor. Esse abraço é o Espírito Santo. Ora, poderíamos dizer, a mãe abraça e beija o filho com todo o amor de mãe, querendo dar-se inteiramente nesse beijo e abraço. Nem por isso consegue dar-se totalmente.

O rosto do Espírito Santo tem muitas maneiras de aparecer. A mais significativa figura do rosto do Santo Espírito é o AMOR. O Amor que se consubstancializa pela proteção que o Espírito Santo dá aos batizados e pelo auxílio de seus sete dons a todos os homens e mulheres de boa vontade.

Meus queridos irmãos,

A segunda Leitura mostra a operação “intra-eclesial” do Espírito: a multiformidade dos dons, dentro do mesmo Espírito, como as múltiplas funções em um mesmo corpo. Paulo chama a multiformidade de dons de CARISMAS, dons da graça de Deus; pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que conseguimos na base de nosso empenho pessoal, é, entretanto, o Espírito de amor de Deus que une tudo isso.

Assim, no Evangelho encontramos a visão de São João, de “exaltação” de Jesus: é a realidade única de sua morte, ressurreição e dom do Espírito, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis.

Portanto este Espírito do Senhor exaltado é o laço de amor divino que nos une, que transforma o mundo em uma nova criação, sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É esta a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Assim, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes.

Meus irmãos,

Com a missão da Igreja colocada em relevo no dia de hoje devemos aprender a ver os sinais da presença do Espírito Santo e a valorização dos diferentes dons que ele confere as diferentes pessoas. Na Igreja, de muitas faces e facetas, de grandes diversidades na eclesiologia, reside à única missão: anunciar a PÁSCOA e vivenciar em nós a maior comunidade de amor a partir da visão Trinitária.

Pentecostes é festa da paz. Mas, para ter paz é preciso estar em estado de graça. Pelo perdão de nossos pecados e de nossas atitudes o Espírito age. Na diferença de pessoas, de carismas, de modos eclesiais todos somos convidados a vivenciar o perdão como remédio que não deve faltar na maleta de primeiros socorros que cada cristão é convocado a carregar para aliviar as doenças desse mundo confuso e necessitado de paz.

Paz é a palavra de hoje: paz primeiro em nossas comunidades eclesiais, paz na Igreja, paz no mundo. Paz de consciência para a construção do amor e da concórdia.

Por isso cantemos a seqüência “Veni Sancte Spiritus” pedindo paz ao mundo:

“-Espírito de Deus, enviai dos céus um raio de luz!
-Vinde, Pai dos pobres, daí aos corações vossos sete dons.
-Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívio, vinde!
- No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem.
- Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!
- Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele.
-Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente.
- Dobrai o que é duro, guiai o escuro, o frio aquecei.
-Daí à vossa Igreja, que espera e deseja, vossos sete dons.
-Daí em prêmio ao forte, uma santa morte, alegria eterna. Amém!”.

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO