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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

Solenidade da Santíssima Trindade.

“Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho unigênito e bendito o Espírito Santo. Deus foi misericordioso para conosco”.

Meus irmãos e minhas irmãs,

Com a Solenidade da Santíssima Trindade reiniciamos o Tempo Comum na vida litúrgica da Santa Igreja. Mas, o que é o tempo comum? É o tempo de refletirmos sobre as coisas cotidianas de nossa vida eclesial, de nossa vida de fé. É o tempo propício, ordinário, para que deixemos Deus agir em nossa história, em nossa caminhada, de fé individual e de fé coletiva.

A Festa da Santíssima Trindade é uma oportunidade para refletirmos sobre a nossa vida de batizados. Fomos batizados “no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, conforme a missão confiada por Jesus aos seus apóstolos: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Cf. Mt 28,19).

É a festa do Batismo. Mas, o que é o Batismo? O Batismo é o sacramento da iniciação cristã. Pelo batismo todos nós nos tornamos herdeiros do trono da graça divina. Pelo batismo todos nós nos tornamos filhos e filhas de Deus. Pelo Batismo é lavado o pecado original e, concomitantemente, recebemos a graça santificante de Deus. Pelo Batismo nós nos tornamos cidadãos do céu. Pelo Batismo nós nos tornamos credores de direitos e devedores de obrigações para cumprir dentro da única e santa Igreja de Jesus Cristo.

Por isso enfatiza o Evangelho de hoje: “... e, ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!”. Isso é um desafio para os batizados: além de cumprir a vida de fé contida pelos Evangelhos, pela Tradição da Igreja e pelos Mandamentos, a primeira obrigação do batizado é evangelizar. Evangelizar com renovado ardor missionário, não tendo medo de “lançar as redes nas águas mais profundas”, conforme a convocação de nosso saudoso Papa João Paulo II.

Irmãos queridos,

No Antigo Testamento, Moisés explicou ao povo hebreu que Deus é próximo da gente, não um Deus inacessível. Deus fala com seu povo, Deus acompanha o seu povo. E, muito mais: Deus conta com a amizade de seu povo. Não é um Deus diferente, ou mais, indiferente, é um Deus amoroso e misericordioso.

Celebramos hoje a Santíssima Trindade. Por isso quero lembrar da velha lição de um pároco de minha aldeia que me ensinou: “Santíssima Trindade são três pessoas distintas em único DEUS”. Em miúdos, é o Pai, o Filho (Jesus) e o Espírito Santo que distintos, formam um único DEUS. Deus Trindade, que é DEUS COMUNIDADE. São três pessoas em um único DEUS. Por isso o Catecismo da Igreja Católica nos ensina o centro de nossa fé: “O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo.

É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina”. (Cf. n. 234 do C.daI.C.).
Por isso a Santíssima Trindade ocupa o centro de nossa fé. Todas as vezes que fazemos o sinal da Cruz, estamos relembrando e fazendo memória, a fé que professamos: a fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

Explicar a grandiosidade do mistério da Santíssima Trindade é uma missão muito difícil. Por isso Santo Agostinho nos ensinou que seria melhor entender a Santíssima Trindade como mistério de amor. Como o amor de Deus por nós, devemos partir deste amor para que se manifeste o amor de Três pessoas distintas em um único DEUS, o DEUS AMOR( Cf. 1 Jo 4,16).

Meus irmãos,

A Santíssima Trindade é o centro de nossa fé. Entender a Santíssima Trindade é mergulhar no mistério do amor do DEUS TRINO pela nossa humanidade. Todas as orações da Santa Missa são trinitárias: são sempre feitas a Deus Pai, por meio do Cristo, no Espírito Santo. O Credo é professado em uma estrutura eminentemente trinitária.

Os apóstolos se prostraram diante de Jesus no Evangelho de hoje: bonita atitude de adoração, de respeito pela grandeza do Senhor da Vida, o novo legislador, o novo Moisés, aquele que lavou nossos pecados e nos deu a graça salvadora e redentora. A atitude de prostração deve ser a atitude dos cristãos diante de Deus.O sentimento de adoração reconhece o senhorio absoluto de Deus, que pode fazer com as criaturas em adoração o que lhe aprouver.

Por isso, a festa da Santíssima Trindade é a festa da COMUNIDADE UNIVERSAL. É solenidade das grandes na Igreja, porque a Santíssima Trindade é a mais perfeita comunidade de fé, de amor, de generosa doação. Baseados na adoração ao único Deus Verdadeiro e Trino estamos nos colocando em comunicação com a pavimentação da auto estrada de nossa salvação.

O verdadeiro cristão está sempre no jogo de ajoelhar-se diante de Deus e de levantar-se para partir para a missão, levando aos outros o bem e a paz que a bondade de Deus lhe dará para distribuir.

O Evangelho de hoje é encerrado com a garantia de Jesus: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Cf. Mt 28,20) Nós não estamos sozinhos na adoração e no apostolado. Cristo está conosco, caminha conosco, nos interpela e nos envia a missão. Jesus sempre caminha conosco e nos anima, esta certeza é como o maior tesouro que possamos carregar na algibeira. E o testemunho de nossa adoração e de nossa missão evangelizadora serão os dois únicos passaportes para adentrar no reino das Bem-Aventuranças.

Meus irmãos,

O Espírito que recebemos é o mesmo Espírito que Cristo recebeu no seu batismo e com o qual Ele nos batiza. A segunda leitura explica isso de modo comovente. Paulo parte da realidade batismal: o ser impelido pelo Espírito de Deus. Isso não é apenas um Espírito de filhos adotivos. O ESPÍRITO DE CRISTO clama em nosso espírito. Nada nos é imposto contra nossa vontade. Assumimos livremente, porque amamos, como filhos a seu Pai.

Todos nós somos convidados a tomar consciência de nosso Batismo.

O que o Pai, o Filho e o Espírito Santo representam em nossa vida?

Vamos mergulhar no mistério da Trindade. As pessoas divinas se comunicam. Uma ajuda à outra a realizar a sua missão. Assim, entendendo três pessoas distintas em um único Deus, o Deus amor, poderemos viver na nossa comunidade um novo relacionamento. Partindo da acolhida da Trindade e da consciência da relação com as três pessoas divinas tornaremos nossa vida cristã menos abstrata, conferindo-lhe uma conotação mais versátil, mais concreta. Mas é preciso cultivar a contemplação da Santíssima Trindade em nossa vida.

Por isso, vivemos nossa vocação de batizados dentro de uma comunidade, a Santa Igreja, Corpo Místico de Cristo, que se empenha na construção de um mundo mais humano e solidário, aonde a justiça e a paz se abraçarão, e o primado da justiça e da solidariedade façam o amor reinar. Unidos em Cristo pelo Espírito Santo, damos todo louvor e glória ao Pai, fim último de nossa peregrinação neste vale de lágrimas. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO