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Padre Wagner Augusto Portugal

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11o. Domingo do Tempo Comum. B.

“Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo: tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor: não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador!”(Cf. Sl. 26, 7.9).

Refletimos hoje duas parábolas em torno do Reino dos Céus, do Reino em que todos nós somos convidados a caminhar, vivendo neste mundo uma vida santa. Assim o nosso modo cristão de proceder vai iluminar o nosso caminhar para o Reino de Deus. As duas parábolas, retiradas da realidade rural, falam em torno do crescimento da Sementeira(Primeira Parábola) e do Grão de Mostarda(Segunda Parábola). As duas parábolas nascem e partem de três momentos, que os ouvintes conheciam muito bem: a sementeira, o crescimento, a colheita.

A semente da primeira parábola é a própria doutrina salvadora de Jesus. Jesus a plantou. Ela há de frutificar. Esta é uma lição que Jesus procurou ensinar sempre de novo. Suas palavras são vivas, tem fecundidade, podem e devem frutificar; seus ensinamentos são revestidos de autoridade divina; seu plano salvador não falhará jamais.

Ainda que demore. Ainda que as aparências sugiram aparente fracasso, como foi o caso da cruz. Mas a primeira parábola ilumina nos cristãos uma virtude sempre atual: a confiança. A confiança inabalável em Deus, Deus Pai que mandou seu Filho ao mundo para nos Salvar, e que pela ação dos Dons do Espírito Santo anima a vida de todos os batizados.

A primeira parábola nos leva a refletir sobre a figura do camponês: o camponês semeia, mas não cabe a ele fazer brotar, crescer e amadurecer a semente. Esta parte pertence a Deus. Também o Reino dos Céus, ainda que seja a criatura humana a semeá-lo, pertence a Deus a realização do Reino, a graça da salvação, a graça da manifestação do Reino de Deus. Quando o fruto está maduro, não se volta a falar do camponês, porque daria a idéia de que ele o colheria para si, para seu celeiro.

Fala-se apenas da foice colhedora ou das máquinas que colhem aos celeiros a os frutos. Ninguém planta o Reino em proveito pessoal ou próprio. O apóstolo – ou seja, o camponês – é um operário de Deus a serviço de todos. Assim somos todos nós os batizados: devemos ser como os camponeses que plantamos as sementes, ao anunciar o Reino de Deus e o Evangelho de Salvação. O fruto desta plantação, desta Evangelização, é a comunidade, a comunidade eclesial, a Igreja de Cristo, que colherá os frutos para a glória eterna da Trindade Santíssima.

Para o camponês e para o evangelizador – o novo camponês da vinha do Cristo – o tempo de brotar, crescer e amadurecer não tem importância para quem planta: embora invisível, misteriosa, a semente da Palavra de Deus, semeada pelo apóstolo, pelo discípulo, pelo missionário, pelo batizado, tem vida própria, independente de quem a semeou, uma vida que não depende de quem a semea, mas de Deus, que lhe deu a fecundidade e lhe dá o crescimento. É em Deus que devemos colocar a nossa inabalável confiança. Nós plantamos, Deus coloca o adubo e ele vai germinar em frutos a semente plantada.

Meus queridos irmãos,

O pregador da Palavra de Deus precisa ter consciência de suas limitações: primeiro a humildade de não atribuir a si às qualidades da fecundidade e do crescimento do Reino de Deus. Em seguida o pregador da Palavra de Deus deve depositar a sua confiança em Deus e jamais nos homens e mulheres. Por isso o povo simples nos ensina a sabedoria divina: “Deus tarda, mas não falha!”. Além de tudo isso, devemos ter grande paciência. Não uma paciência dos homens imediatistas, tecnocratas e efêmeros.

O Reino de Deus exige paciência, desapego, leitura das leis à luz da caridade e da misericórdia, unindo misericórdia e acolhida dos pecadores, não os afastando da vinha, mas trazendo-os para dentro da Igreja, aonde todos, santos e pecadores, são chamados sempre a ter uma nova chance, dentro da misericórdia que sempre foi pregada pelo Ressuscitado. A semente fica escondida na terra. É seu modo natural para germinar e brotar. É seu modo natural de por raízes e de se firmar. Assim devem ser as coisas de Deus: escondidas, discretas, sem barulho – depositar a confiança na vontade de Deus.

Meus queridos Irmãos,

A segunda Parábola é a do Grão de Mostarda, que tem três significados:

1. O pequeno grupo com que Jesus iniciava a Nova Aliança e era composto de gente simples, de pescadores, plantadores de trigo.

Se de um grão de mostarda pode nascer uma planta( é bom lembrarmos que a planta da mostarda pode chegar a três e quatro metros de altura), porque não nasceria e vingaria, a partir dele e dos Apóstolos, um novo povo?

2. Universalidade: Muitos passarinhos vão se abrigar nos ramos da planta.

Na Igreja, a nova família que nasce, povos de todas as origlens, virão abrigar-se nela. Não só os judeus, mas povos de todas as as raças, línguas, condições sociais. A nova família de Deus era para todos os que quissem ouvir a Palavra de Deus e coloca-La em prática, fazendo assim, em primeiro lugar, a Vontade do PAI que é a seguinte: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO!

3. Jesus é, ao mesmo tempo, semente e árvore. É semente quando os ouvintes se perguntavam: “Não é ele o filho do carpinteiro José?”(Cf. Mt 13,55). Mas a árvore alta, a cujos ramos não chegam as mãos humanas, quando os judeus admirados se perguntavam: “De onde lhe vem esta sabedoria?” (Cf. Mt 14,54). A comunidade cristã, por conseguinte, deve ser pequena na humildade e grande na sabedoria, ou seja, na vivência das coisas divinas. O Reino de Deus, de aparência humilde, de lento crescimento, nada espalhafatoso, será a casa de todos os homens e mulheres que crêem no Senhor Jesus e nela encontrarão a desejada segurança.

Irmãos e Irmãs,

A segunda leitura dificilmente se integra ao tema principal, mas sua mensagem toca o coração de todos nós. Enquanto estamos neste corpo, diz Paulo, estamos exilados do Senhor. Podemos suspeitar que Paulo, escrevendo aos gregos, se lembrou da alegoria da caverna, de Platão... Preferiria estar exilado do corpo, perto do Senhor. A liturgia de hoje oferece o apoio veterotestamentário desta idéia no canto da comunhão: “O maior desejo: morar na caso do Senhor”. Esse é o nosso desejo. Essa é a nossa esperança. Para lá caminhamos pressurosos.

 

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO