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Padre Wagner Augusto Portugal

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15º Domingo do Tempo Comum – B.

“Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado quando se manifestar a vossa glória”(Sl 16,15).

Irmãos e Irmãs,

A missão de evangelização é urgente e pede de cada um de nós um grande despojamento. Por isso, o Evangelho deste domingo nos pede que imitemos a Jesus. Os apóstolos recebem de Jesus a autoridade para curar, para exorcizar e fazer os sinais que Ele fazia. Os apóstolos ao imitarem Jesus faziam acontecer o Reino de Deus, convertendo os incréus, anunciando o Evangelho e dando continuidade ao Projeto de Jesus, que é projeto de seguimento, que é projeto de partilha, que é projeto de comunidade.

No domingo passado nós refletimos que Jesus fora rejeitado pelos seus conterrâneos, pelo povo de Nazaré. Agora hoje Jesus vem falar do envio dos seus apóstolos para a missão.

Missão que tem muitos momentos de alegria e de contentamento espiritual, mas que tem as suas grandes dificuldades, as suas desilusões, as suas incompreensões, as suas perseguições, os seus revés. Tudo isso para dizer, ainda lembrando do domingo passado, que o verdadeiro discípulo não pode e não deve estar preocupado em ser ou não ser aceito, e, muito menos, aplaudido no desempenho da sua missão evangelizadora.

E, a conseqüência disso, é não se preocupar nem com o que vai acontecer com a sua vida, porque se for necessário terá que perder a sua vida em benefício do anúncio do Reino de Deus. O mais importante é que todos nós sejamos fiéis ao projeto do Reino de Deus, fiéis ao Evangelho, comprometidos com a missão, porque carregando a Cruz de Cristo chegaremos todos a glória da ressurreição final.

Meus irmãos,

Jesus enviará os seus discípulos para a missão. Mas, se todos nós temos que conhecer as verdades de nossa fé, por isso freqüentamos a catequese, os discípulos foram catequizados pelo maior e mais santo catequista, o próprio Senhor Jesus. Depois de terem sido diplomados, de terem aprendido a missão, é hora de colocá-la em prática.

É hora de colocar a mão na massa. Fé e vida, uma dialética muito importante na nossa caminhada de cristãos. Colocar no nosso cotidiano, em prática, tudo aquilo que vivemos e entendemos intelectualmente.

Daí a grande advertência de Jesus aos seus discípulos: o DESAPEGO. Desapegar-se das coisas do mundo e apegar-se ao amor generoso do Sagrado Coração de Jesus.

Deixar-se se contaminar pelo coração misericordioso e amoroso do Senhor da Messe e Pastor do Rebanho. Ser misericordioso, acolher com o abraço e o sorriso do Senhor que nos faz um apelo ingente: VEM E SEGUE-ME!

Para ser um verdadeiro discípulo não devemos servir aos nossos projetos pessoais, mas devemos nos apagar, devemos nos aniquilar, para que o CRISTO APAREÇA E ILUMINE A NOSSA MISSÃO DE EVANGELIZADORES. Evangelizamos para quem? Evangelizamos por quem? Evangelizamos quem? Somente para Jesus, o Ressuscitado.

Para pregar a Palavra de Deus temos que desapegar até de nossos caprichos e vaidades pessoais. Devemos ser instrumentos da misericórdia e da graça de Deus.

O verdadeiro discípulo é aquele que é despegado do pão, do dinheiro, das posses e bens materiais, da segurança, da vaidade, por isso Jesus adverte no Evangelho de hoje: “Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas”(Cf. Mc 6, 9).

O apóstolo é aquele que serve, o primeiro servidor, aquele que “serve com alegria”. O SERVIÇO passa pelo diálogo, pela escuta, pela comunicação necessária do entendimento e da partilha.

É evangelizar a partir do prisma da necessária comunicação da paz e do amor. O apóstolo e o discípulo devem esquecer-se de si mesmo e preocupar-se com as coisas de Deus. Isso exige um despojamento contínuo da ostentação, da vaidade, das aparências falsas.

Irmãos e Irmãs,

A grande qualidade do cristão é colocada em relevo pelo Evangelho de hoje: ser testemunhas do Senhor Ressuscitado. Jesus manda sacudir a poeira das sandálias, caso fossem rejeitados. Era um costume israelita toda vez que, tendo estado em território pagão, regressavam para casa e fizesse este gesto.

Pagãos agora não seriam mais os não-judeus, mas aqueles que não quisessem receber a Boa Nova de Jesus, o Reino das Bem Aventuranças. Pelo que nos ensina o Evangelho de hoje, os Apóstolos tiveram êxito na sua primeira missão, na sua primeira evangelização.

Outro aspecto a ser valorizado é a nossa vocação para a evangelizar. Pelo Batismo todos nós somos lavados do pecado original e nos tornamos na Igreja cidadãos que tem direitos e tem deveres, obrigações.

Portanto a nossa vocação batismal é eminentemente evangelizadora. A missão dos apóstolos de ontem é a missão dos discípulos de hoje e de amanha: “fui enviado para anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus”(Cf. Lc 4,43). Os apóstolos seguiram a caminhada de Jesus percorrendo vilas, anunciando o Reino de Deus, curando doentes, exorcizando demônios, e, mais do que tudo isso valorizando a sua vocação profética anunciando o Evangelho da Salvação.

Os apóstolos ontem, e nós hoje somos convidados, com renovado ardor missionário, a ser uma Igreja eminentemente evangelizadora, misericordiosa e participativa, aonde todos se sintam co-responsáveis no envio, no estudo, na vivência da palavra de Deus, dando testemunho e sendo testemunho vivo da missão do Senhor Ressuscitado.

Irmãos e Irmãs,

O critério básico do evangelizador é a SANTIDADE DE VIDA E DE ESTADO. O Evangelizador não precisa ser especialista, capaz de discutir nas praças e nas ruas.

Nem precisa ser um excelente orador, ou muito menos especialista somente nas coisas secundárias, ou melhor, nas “perfumarias”. Ser um bom evangelizador é ser santo, é ser simples, é ser coerente, é amar a Deus, temendo a sua Palavra e o seu Evangelho e fazendo da sua vida um santuário de salvação.

A palavra do pregador será fidedigna, se acompanhada de uma prática que mostre no Reino de Deus em gestos e, particularmente, na mão na massa na prática.

OREMOS, irmãos e irmãs, para que nossos líderes leigos e todos os fiéis em geral exerçam a sua missão através da sua presença no mundo, na sua família, no seu trabalho, nas relações sociais, na política, no Judiciário para que dando testemunho do Cristo Ressuscitado evangelizamos aqueles que estão fora do grêmio da salvação e colaboremos para implantar aqui e agora a justiça e a paz. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO