Tamanho da fonte
Diminuir o tamanho da fonteAumentar tamanho da fonte
 


Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

16º Domingo do Tempo Comum – B.

“É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício, de dar graças ao vosso nome, porque sois bom”( Sl 53, 6.8).

Irmãos e Irmãs,

Todas as vezes que encontramos uma pessoa doente ou com fome a primeira atitude que devemos ter é a atitude que nos ensina Jesus neste domingo, a COMPAIXÃO.

Os apóstolos que voltaram para perto de Jesus estavam preocupados, depois de seu estágio pastoral, não com o que fizeram ou o que ensinaram, mas estavam preocupados com o próprio e único Senhor, Jesus.

Era necessário voltar a Jesus, buscar a fonte da vida. E, aqui, é necessário esse reencontro para que todos nós tenhamos certeza do necessário: agimos e trabalhamos em nome e na ação de Nosso Senhor Jesus Cristo. O mandato apostólico foi dado por Jesus e é em seu nome que todos devem trabalhar a nova evangelização.

Por isso, depois do estágio pastoral, Jesus convida seus discípulos para um descanso, ou seja, para um retiro espiritual, para que suas forças sejam revigoradas.

Quando Jesus chegou com os seus apóstolos no lugar destinado para o retiro acontece o inesperado: uma multidão comprimida espera por Jesus para vê-lo, para ouvi-lo, para compartilhar o seu sofrimento e a sua caminhada. Neste instante Jesus nos ensina qual deve ser a atitude do cristão: a compaixão. Jesus deixa de lado o retiro e vai ao encontro do povo que está sedento da Palavra de Deus.

Meus prezados irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje São Marcos emprega a palavra “apóstolo”. É a única vez que o evangelista usa este termo que significa aquele que é enviado para uma missão. Aquele que vai em nome de alguém. Aquele que age em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ninguém é apóstolo por sua conta e por sua preferência.

O apóstolo recebe o chamado e a missão que vem de Deus e deve agir em nome do Onipotente anunciando a todos os povos não a sua mensagem, mas a mensagem de quem o enviou e de quem o apóstolo representa.

A finalidade principal do apóstolo é pregar a palavra de Deus, dando testemunho do que contém as Sagradas Escrituras, indo de porta em porta anunciando o hoje da salvação. Por isso, o retiro para um lugar deserto que Jesus propõe hoje no Evangelho tem uma grande motivação: para que os seus apóstolos rezem e estejam em íntima unidade com o projeto de Salvação, que estejam revigorados na sua missão para evangelizar.

Por isso, meus irmãos, nós somos sempre convidados para rezar, para orar, pedindo a Deus força e luzes para continuar a nossa caminhada.

Meus irmãos,

As ovelhas que correm atrás de Jesus e pede que tenha para com elas um pouco de atenção são chamadas de “ovelhas sem pastor”(Cf. Mc 6, 34).São as ovelhas sem rumo certo, sem compromisso, são aquelas que correm para ver se consegue um novo rumo pra a sua vida.

A primeira leitura nos ensina que Deus é mesmo o Bom Pastor, aquele que conduz as suas ovelhas. O Novo Testamento demonstra que o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas, é o próprio Senhor Jesus. Falar do Bom Pastor é falar da meta básica da vida cristã, que é a unidade.

A segunda leitura nos ensina que a unidade é importante e urge em nosso meio. Do conjunto das leituras de hoje retiramos uma lição que merece muita reflexão de nossa parte: a reconciliação do homem com Deus o une com seus irmãos, com a sua comunidade. Na prática, porém, o homem, muitas vezes usa Deus para justificar discriminação, ódio, perseguição, pobreza, miséria, fome, etc.

Jesus, entretanto, fez “dos dois um só povo”, “um só corpo”, “um só rebanho”, “um homem novo”, “em si mesmo”.Este único corpo é, ao mesmo tempo, o do Cristo e o da comunidade constituída por Ele. Ele veio a nós, dando-nos o poder de nos aproximar do Pai: movimento recíproco, cuja iniciativa está do lado da graça de Deus.

Acolher o povo de Deus ensinar-lhe as coisas do Reino, tudo o que Jesus faz para o povo com vista ao Reino dos Céus é pastoral em proveito de Deus, é cuidar de seu rebanho. Por isso, Jesus dará a sua vida em benefício de toda a humanidade. O que faz algo ser pastoral não é tal ou tal atividade determinada, mas o intuito com que ela é assumida: transformar um povo sem rumo em povo conduzido por Deus.

Por isso, nesta missa, o importante não é multiplicar as atividades chamadas pastorais, mas cuidar de que os que as realizam tenham alma de pastor. E isso é muito fácil, basta acolher, ter liderança, e amor se necessário dando a própria vida pela evangelização, pela edificação do Reino de Deus.

Que todos nós possamos caminhar pela pastoral que nos conduz para o caminho de Deus, de seus mandamentos, de sua vida.

Meus irmãos,

Todos nós somos pastores uns dos outros, embora nossas áreas de atuação e o alcance de nosso trabalho sejam diferente, cada qual de conformidade com a vocação que assumiu. Mas, os pastores não são donos do rebanho.O rebanho de Deus hoje é a Igreja, não mais limitada ao povo de Israel, mas aberta a todos os povos.

Esse rebanho precisa de pastores santos e trabalhadores, que desapareçam para que o Cristo apareça.Que todos nós possamos fazer como Jesus, que tendo compaixão, abandonou um retiro e se colocou do lado do povo. Bem razão tem o Senhor Arcebispo de Juiz de Fora ao advertir os seus novos padres que nunca deixem de dar uma bênção ou atender a um sacramental, o que o povo mais precisa é do carinho, da atenção e do amor de seus pastores, pastores e fiéis comprometidos com a construção aqui e agora da Jerusalém Celeste.

Rezemos, pois, para que o Senhor da Messe e Pastor do Rebanho faça florescer cada vez mais santas vocações para o ministério sacerdotal e para o ministério batismal, num mundo onde todos possam dar testemunho do Cristo Ressuscitado, o pastor por excelência, Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO