
Padre Wagner Augusto Portugal
17º Domingo do Tempo Comum – B.
“Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo”(Cf. Sl 67, 6s. 36).
Meus queridos Irmãos e Minhas queridas Irmãs,
A auto-revelação de Jesus é colocada no Evangelho de hoje, lido segundo a tradição joanina, para demonstrar um momento decisivo de fé dos discípulos. Refletimos hoje o episódio a multiplicação dos pães, numa seqüência as leituras dos domingos precedentes. João fala da multiplicação dos pães como ponto de partida do discurso eucarístico e como seu sinal. Entretanto, a parte principal do trecho da multiplicação dos pães nós iremos refletir nos domingos seguintes.
Nós nos lembramos que depois que os discípulos foram enviados para a missão pastoral, no domingo passado, foram convidados por Jesus para um retiro espiritual, para um momento de privilegiada oração e de súplicas ao Pai, para abençoar a missão que era feita em nome do Senhor Jesus.
E, mais do que tudo isso, os discípulos que receberam um mandato de anunciar o Senhor, deveriam voltar ao próprio Senhor para se enriquecerem com a água viva que saia de sua boca. Quando foram para o retiro espiritual nós vimos que a multidão que estava sem pastor pediu que Jesus viesse ao seu encontro.
É essa mesma multidão, que caminhava para Jerusalém, que faz uma estadia em Cafarnaum. E o que fazem em Cafarnaum? Querem ver a Jesus, quer ouvir aquele que cura, aquele que é um profeta, que dá o pão da palavra e o pão da vida eterna.
Nós vimos no domingo precedente que Jesus teve compaixão do povo que estava naquela relva. Era tempo da Páscoa, estes peregrinos caminhavam para Jerusalém, para a Páscoa. Grande multidão, que quer significar que o povo simples acolhia os ensinamentos de Jesus e caminhava a sua procura para ouvi-Lo, para converter ao seu Evangelho, para vivenciar os seus conselhos e para caminhar com Ele.
Irmãos e Irmãs,
Jesus subiu ao monte para rezar ao Pai, para depois descer a planície para saciar a fome daquela multidão, que próxima da Páscoa, caminhava a busca daquele que era considerado o Salvador, o novo Messias. Os montes sempre foram para os judeus à habitação dos Deuses, da divindade.
Ao falar de cima do monte Jesus fala com a autoridade divina. E, ao descer do monte, para fazer o discurso eucarístico na planície de Cafarnaum, vem revestido da força de Deus. Cristo é o novo mestre e guia. Jesus oferece seu corpo como alimento vindo do céu. A fartura do alimento distribuído, de cinco pães comem cinco mil pessoas e sobram doze cestos, sem contar as crianças e as mulheres. A fartura indicava a bênção do Onipotente, dos céus, a era messiânica; a intervenção direta de Deus.
A Eucaristia será a maior de todas as bênçãos, porque será o próprio Filho de Deus, que não só intervem com força divina, mas se deixa comer como fonte inesgotável de graças salvadoras. Quem lhe come o corpo e lhe bebe o sangue não terá mais fome nem sede, o que significa uma vida de alegria e de graça, que se completa na posse da divindade, da comunhão com Deus.
Irmãos e Irmãs,
O pão que alimentou estas pessoas na planície de Cafarnaum tem um significado profundo para todos nós: Cristo é o próprio pão, como maná que desceu do Céu, que é dado em cada Santa Missa pela nossa salvação. Alimento que nos conduz para Deus, alimento que nos sacia para os embates da vida, alimento de salvação, alimento que pavimenta uma auto-estrada para o céu, o Reino das alegrias eternas.
Jesus ao repartir o pão para cinco mil homens inaugura um novo tempo na vida comunitária: que todos nós devemos repartir o pão, o pão como alimento que sacia e o pão da palavra que alimenta nossa vida de fé. Palavra de fé, palavra de vida que é plenificada na Missa, com o alimento do Cristo, que se dá a nós como alimento de salvação.
Irmãos e Irmãs,
A segunda leitura ajuda para sentir o ambiente de reunião escatológica que marca a multiplicação dos pães, realização do banquete escatológico anunciado em Is 25,6-8. Pois este banquete é para todos os povos, demonstrando o universalismo da unidade e da salvação da Igreja, resumida na leitura de Ef 4,4-6: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”.
Jesus não veio propriamente para distribuir cestas básicas e ser eleito político, para resolver problemas sociais. É preciso, entretanto, caminhar para o fundamental: que conheçam o Deus de amor e justiça que se revela em Jesus. É para isso que Jesus vai pronunciar o Sermão do Pão da Vida, como veremos nos domingos seguintes.
Oremos, irmãos, para que Deus nos ensine cada vez mais a repartir o pão da vida e o pão da palavra. Lembre-se que a sua parte deve ser feita, porque o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada.
A política de Deus é a da partilha, do amor, da acolhida e da solidariedade. Estas políticas pessoais, cada vez mais esquecidas por nós. Ajude-nos a Providência a caminhar e repartir, valorizando a Eucaristia como momento privilegiado de nossa caminhada de fé, Amém!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO