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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

19º Domingo do Tempo Comum – B.

“Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor; defendei-vos, Senhor; defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca”(Sl 73,20. 19.22s).

Meus queridos irmãos,

         A liturgia de hoje está envolvida de uma bonita atmosfera: FIDELIDADE para com DEUS e para com a ALIANÇA que Ele estabeleceu para conosco.

         A primeira Leitura da Liturgia deste domingo é repleta de significado para nós: ela iluminará o Evangelho. O Primeiro livro dos Reis conta à história de Elias. O mesmo Deus que alimentou o povo no deserto agora alimenta Elias. Depois de comer Elias quer descansar. Entretanto, Deus o faz caminhar, pela força do alimento recebido, 40 dias e 40 noites, até a montanha de Deus. O que significa isso?

Não somente relembra os 40 anos em que o povo peregrinou no Deserto, mas significa que a comida que foi dada a Elias é o alimento para os embates da nossa vida. Se Elias, morto e cansado, depois de receber a comida de Deus, caminhou 40 dias e 40 noites, todos nós, ao recebermos o Pão da Vida, o próprio Cristo, poderemos repetir a missão de Elias. Uma leitura do Antigo Testamento que iluminada pelo Evangelho nos demonstra a força da Eucaristia que faz a Igreja.

         Irmãos e Irmãs,

         No Evangelho os judeus murmuravam contra Jesus, por causa de suas afirmações. No deserto, exatamente no contexto da doação do maná, os judeus murmuravam contra Moisés. E Moisés dissera ao povo: “As murmurações de vocês não são contra mim, mas contra o Senhor”(Cf. Ex 16,8).

Murmurar significa para João falta de fé, insinua que, de qualquer maneira, triunfará a verdade de Deus. Assim como as murmurações no deserto, na verdade, não eram contra Moisés, mas contra Deus, assim também, agora, a murmuração não alcança apenas a pessoa de Jesus, que eles acreditavam apenas homem, mas alcançava o próprio Deus, que o escolhera e o enviara.

         Os judeus estranhavam a linguagem de Jesus. Os judeus conheciam José e Maria e, portanto, sabiam quem eram concretamente os pais de Jesus. Como podia Jesus dizer que descera do céu? Apesar da Encarnação por obra e graça do Espírito Santo, Jesus era conhecido como filho de José. A fé está novamente colocada em tela pelo Evangelho. Os olhos do corpo vêem apenas o parentesco físico. A cegueira dos judeus não permitia que enxergasse naquele menino O FILHO DE DEUS.

         Aceitando Jesus como o enviado de Deus, aceitaremos sua palavra, seu ensinamento, sua verdade. A aceitação de Jesus, embora nos exija a humildade e o reconhecimento de que nada podemos sozinhos (Cf. Jo 15,4-5), implica num sincero esforço de nossa parte, numa caminhada de fé. É nesse esforço pessoal, na abertura e iluminação desse caminho que entra o Espírito Santo e faz-nos compreender a origem e a missão de Jesus, seus ensinamentos e sua paixão, sua páscoa e glorificação. A FÉ É SEMPRE E SERÁ SEMPRE OBRA E GRAÇA DIVINA.

         A fé é um diálogo entre Deus que nos atrai a Jesus Cristo e nós que nos dispomos a escutar sua palavra e vivê-la. Escutar Jesus alimenta-nos para a vida com Deus, para sempre. Ora, João diz que quem crê já tem a vida eterna. Como é essa vida eterna, divina? Será talvez esse bem-estar incomparável que sentimos quando ficamos mortos de cansaço por nos termos dedicado aos nossos irmãos até não poder mais? Portanto, sermos ensinados por Deus significa que, mediante a adesão à existência que Jesus viveu até a morte, abrimos em nossa vida espaço para a dimensão divina e definitiva de nossa vida, dimensão que lhe confere um sentido inesgotável e irrevogável: o sentido de Deus mesmo.

         Assim, irmãos e irmãs, a segunda Leitura nos ensina a imitar a Deus – no perdão mútuo – e a amar como Cristo nos amou. Em outros termos, nossa vocação de sermos semelhantes ao Pai se realiza na medida em que assumimos a existência de Cristo, dando-lhe crédito e imitando-o.

         Por isso a primeira leitura ilumina o Evangelho: é a vida que Deus quer. E o pão que alimenta essa vida é Jesus. Alimenta-a pela palavra que falou, pela vida que viveu, pela morte de que morreu: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu... O Pão que deu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. (Cf. Jo 6,51).

Meus irmãos,

         Tenhamos certeza de que todos nós temos limitações e momentos de crise. Nestes momentos de crise a fé na presença de Deus nos fortalece e nos põe novamente de pé para retomar a caminhada. Jesus provoca crise e momentos de ruptura, pois sua mensagem nem sempre agrada, muito pelo contrário, a Palavra nos faz interpelar pela Verdade única que é Jesus, o Ressuscitado.

         Neste domingo dedicado aos pais, estes silenciosos homens, que nos legaram a vida recebam o carinho e as nossas orações para que continuem dando testemunho da fé católica que supera todas as crises.

A todos os pais, particularmente, aos pais de nossa Paróquia, a nossa benção afetuosa, pedindo-lhe que sejam pais comprometidos com a missão de anunciarem ao Cristo, e que sejam comprometidos com uma família toda ela evangelizadora, Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO