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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

21o. Domingo do Tempo Comum. B.

“Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro”. (Sl 85, 1 ss).

Irmãos e Irmãs,

            A pergunta da primeira coluna da Igreja – São Pedro -  permeia toda a liturgia deste domingo: “A quem iremos, Senhor?” (Cf. Jo 68 a).

            Os homens, aqueles que são apegados às coisas mundanas, devem ter muita dificuldade de proclamar e viver que Cristo é o único ponto de referência da criatura humana. Daí a pergunta de Pedro: “A quem iremos, Senhor?” Assim, para preparar o ânimo e o coração, Jesus multiplicara o pão e os peixes.

Mas este significativo milagre não abriu os olhos e os corações do povo hebreu. Daí, Jesus procurou dizer-lhe que não é a inteligência que conta, mas somente a fé que pode ser iniciada pela admiração dos sinais, que são os milagres, mas que se concretiza e cresce na escuta e prática dos ensinamentos de Jesus, e completa-se na comunhão de pensamentos, ação e destinos.

            O Evangelho de João valoriza a dialética. A dialética de hoje nos fala da doutrina proposta por Jesus: ou aceitamos ou não aceitamos o seu Evangelho. Não há outra alternativa. Por isso, no Evangelho de hoje Jesus nos fala que Ele vem dos céus, que foi enviado pelo Pai. Nós temos que aceitar a autoridade de Jesus, reconhecer nele os ensinamentos que vem do Pai, como novos e verdadeiros, santos e agradáveis ao Onipotente.

O segundo problema era relacionado à ressurreição.
Isso porque os fariseus eram favoráveis à ressurreição e os saduceus não aceitavam a ressurreição. A terceira problemática estava ligada ao consumo da carne, porque havia leis muito rígidas para o consumo de carne de animais. E, o que dizer de consumo da carne humana? A quarta problemática estava relacionada da impossibilidade de se beber sangue, já que a Lei de Moisés era de extremo rigorismo para quem consumisse sangue, conforme ensinamento de Lv. 17,10. 14.

Meus queridos irmãos,

            Estamos diante de um escândalo: temos que aceitar ou não aceitar somente a Eucaristia, mas o mistério de Cristo, Filho de Deus, igual ao Pai, tornado Messias pelo envio do Pai e encarnado no seio da Bem Aventurada Virgem Maria por obra e graça do Espírito Santo, para ser o salvador único de todas as criaturas.

            Jesus foi totalmente benevolente com aqueles que estavam duvidando de sua divindade: Ele mesmo disse que aquele que descera do céu subirá novamente ao céu.

            O Evangelista João usa e abusa da dialética no Evangelho de hoje: espírito versus carne. Carne hoje significa o raciocínio humano, que é insuficiente para entrar no mistério de Deus, que é muito mais amplo, que necessita de adesão, de acolhida, de profunda fé e adesão irrestrita, longe das diatribes humanas.

Por isso o espírito é colocado como horizonte infinito da vida, exatamente a vida que Jesus oferecia aos ouvintes, e que ele chamou de vida eterna, de vida junto de Deus, nada que o humano pode explicar, mas deve crer para ter o doce acesso de salvação.

            A fé no Evangelho de hoje nos é proposta. A fé não se aprende pelo intelecto, mas pela adesão, pelo SIM INCONDICIONAL.
            Que todos nós possamos com Pedro fazer a mais completa profissão de fé: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós Cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”. (Cf Jo 6, 68-69).

Jesus mesmo nos transmite esse espírito e sua exaltação é a fonte desse dom. Suas palavras são espírito e vida. Só entregando-nos à sua palavra poderemos experimentar que ele é fiel. Ou em miúdos, o espírito que há de superar o que nossas categorias humanas recusavam vem do próprio objeto de nosso escândalo. È essa opção que Pedro pronuncia, vendo a insuficiência de qualquer outra solução: “A quem iremos?”

            A primeira Leitura também ilumina o Evangelho: a escolha entre um Deus que provou seu amor e fidelidade e deuses que devem sua existência aos mitos que os homens criam em redor deles. Essa opção se apresenta a nós também no dia de hoje: optaremos por aquele que deu a vida em todos os sentidos, plenamente, ou pelos ídolos pelos quais tão facilmente damos nossa vida, sem deles recebermos a gratificação que prometem. O que vale: a fidelidade a Deus e ao seu projeto, ou a beleza física, o dinheiro, o poder, o sexo desvairado, o hedonismo, as visissitudes humanas do efêmero?

            A segunda Leitura, por fim, vem nos falar do amor conjugal, sobretudo nestes tempos hedonistas em que o caráter santificante do amor conjugal e familiar é praticamente desconsiderado, desleixado, e mais do que isso relativizado.

Seria excelentemente profundo que esta mensagem paulina seja para os fiéis um reenvio para a missão familiar, para nossos casais, para que possam levar a sério esta opção que é de Jesus, que é da Igreja, porque a vivencia do matrimônio nos leva também a refletir com Pedro: “A quem iremos, Senhor?”.

Meus estimados Irmãos,

            O seguimento de Jesus é exigente. Por isso Jesus nos convida a sermos discípulos convictos, dispostos a segui-lo, se necessário for morrendo até na Cruz pelo Reino. A fé nasce de um encontro afetivo e efetivo, de um encantamento que nos leva a um compromisso de vida com Cristo, por Cristo e em Cristo e com todos os homens e mulheres de boa vontade que foram os seus prediletos: os excluídos e marginalizados.

            A verdadeira dificuldade para colocar o Evangelho de hoje em pratica é auto-suficiência. Nos despojamos de nosso orgulho poderemos nos entregar a uma comunidade reunida por Nosso Senhor par segui-lo pelo caminho da doação total. Doação total que queremos manifestar na gratidão a todos os catequistas, relembrados e festejados neste dia, o seu dia.

No seu trabalho silenciado e competente de evangelizadores, queremos DAR GRAÇAS A DEUS! Assim poderemos repetir a mais bela profissão de fé: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO