
Padre Wagner Augusto Portugal
25º Domingo do Tempo Comum. B.
“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre”.
Meus queridos irmãos,
A liturgia de hoje tem um fio condutor muito excelso: a humildade. Logo na primeira leitura, por sinal bem escolhida, no sentido de demonstrar que a inveja dos homens ímpios contra o justo, que considera Deus como seu pai.
No Evangelho vamos estudando que Jesus passara a maior parte de sua vida pública na Galiléia, retomando os episódios da Paixão ou a sua eminência. A Paixão é inexorável e Jesus a coloca como a mais bonita vontade do Pai em benefício da salvação da humanidade, como vontade de Salvação, já preparando seus fiéis para a grande novidade: a Ressurreição dentre os mortos ao terceiro dia de sua paixão e morte.
Nesta caminhada pela Galiléia Marcos quer nos convidar a fazer uma caminhada de fé e de esperança, uma caminhada de crescimento espiritual, compreendendo os mistérios de Jesus, fazendo com que cada um dê um passo maior, sempre em forma progressiva, de crescimento na fé e no seguimento de Jesus Cristo.
Discípulo é aquele que recebe a instrução de um mestre; é aquele que adere a uma doutrina, pautando seu comportamento e a sua conduta em conformidade com ela. Os fariseus tiveram discípulos. João Batista também teve discípulos. Temos que fazer uma distinção em discípulo e apóstolo. Discípulos são os seguidores e apóstolos eram os discípulos que seguiam Jesus de dia e de noite, que se tornaram como a família de Jesus, tanto que foi com eles que Jesus quis comer a Ceia Pascal, que era um ritual familiar. Mas, a grande novidade que o Evangelho de hoje nos apresenta é que Discípulo é aquele que testemunha a pessoa e a verdade do Mestre, já que é chamado a também levar a cruz, a beber seu cálice.
Cristão é aquele que sobe a Jerusalém com Jesus, padece e ressuscita com Ele, aquele em cujas mãos Jesus poderá entregar a continuidade de sua missão aqui na Terra, nesta nossa peregrinação rumo à Jerusalém Celeste.
Meus queridos irmãos,
O Evangelho de hoje coloca em relevo uma das maiores inovações do seguimento cristão: o serviço. Todo o discípulo ou mesmo apóstolo é aquele que é o último em honrarias e o primeiro em serviço para todos os irmãos.
Como ontem na sociedade judaica, o filme do tempo se repete nos dias atuais. A sociedade moderna prioriza as precedências, as grandezas pessoais, a vantagem pessoal, o aparecer, o impor-se; os primeiros lugares e o estar com as pessoas gradas e importantes da sociedade. A vontade inaudita de comandar, de ter alguém sobre o comando é tão antiga como a humanidade. Mas isso, como o aplauso e a bajulação, vai contra o projeto de salvação inaugurada por Jesus Cristo!
Afinal, o que quer Jesus Cristo? Jesus vai na contra mão, e quer o contrário: prega o espírito de serviço aos irmãos, o espírito de renúncia, e, acima de tudo, o espírito de desapego e de simplicidade. Ser como foi o seráfico Pai Francisco de Assis, que pregava a paz, o bem e o amor! Ensinamentos que devem não apenas ser pregados pelo cristão, mas, sobretudo, vivido pelos seguidores de Nosso Senhor.
Por isso Jesus nos ensina a ser o último e o primeiro a servir a todos.
O exemplo a ser seguido nós o encontraremos no caminho do Calvário, quando, na última Ceia, depois de lavar os pés dos Apóstolos, Jesus acrescentou categoricamente: “Se eu, que sou o Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo” (Cf. Jo 13,14-15).
A carta de Tiago traz os sentimentos que são advindos da busca desenfreada do ter e do poder: ciúme, ambição, lutas, conflitos, cobiça, inveja, insatisfação. O que fazer para reverter este quadro? Ser simples como as pombas e as crianças, se limitando a seguir Jesus com humildade e lealdade aos Santos Evangelhos.
Meus caros irmãos e minhas caras irmãs,
A humildade tem o seu ápice na Cruz de Jesus, na sua Paixão redentora. A humildade não é a virtude do medroso, a carência transformada em virtude. É a opção pelo caminho do Cristo, o caminho de obediência até a morte por amor, contrariamente ao orgulho, que leva à morte absurda.
O exemplo de Jesus nos empenha a escolher o caminho oposto. Olhar para os outros, sim, mas não para nos comparar com eles, porém, para ver como servir melhor. Ser grande é ser o servo de todos. Por isso, neste domingo, vamos acolher o pedido de humildade e de serviço que nos pede o Redentor, para que, possamos pedir a graça de viver como últimos para sermos os primeiros no Reino dos Céus. E, agora transformemos a graça de servir em motivo de ação de graças a Deus através deste grande banquete que tira os pecados nossos e do mundo: a santa Missa. Assim seja!
Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO