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Padre Wagner Augusto Portugal

Leia a liturgia de hoje Leia as outras reflexões

26º Domingo do Tempo Comum. B.

“Senhor, tudo o que fizeste conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia” (Cf. Dn 3,31.29s.43.42).

Irmãos e Irmãs,

A liturgia do tempo comum nos prepara temas que tratam do cotidiano de nossa caminhada de fé.

A grande novidade que a Igreja, pelos santos Evangelhos, nos apresenta no dia de hoje é ser discípulo de Jesus sem rivalidade. Já no tempo de Jesus muitos eram aqueles que falavam “em nome de Jesus”. Muitos milagreiros e homens simples de fé que rezavam usando o “nome de Jesus”.

Os seguidores de Jesus queriam tomar uma atitude que proibissem esses que não eram considerados seguidores de usarem o cognome de seguidores. Mas, Jesus nos ensina que todos são convidados a seguir o cristianismo. Não só isso, mas agir em nome deste cristianismo.

Em vista disso o Evangelho deste domingo fala nas dialéticas: fazer o bem e falar mal; ser a favor e ser contra; ser discípulo e não pertencer ao grupo; dar um copo de água na terra e receber uma recompensa no céu; recompensa e punição; crer e corromper; aleijado e são; céu e inferno; além de expressões que contradizem a normalidade da vida cotidiana: cortar a mão, cortar o pé, arrancar o olho.

João protesta no Evangelho daqueles que não são do grupo dos seguidores de Jesus. João demonstra que caminha neste momento com inveja, com exclusivismo, longe daquele apóstolo que é considerado, pelo conjunto de sua obra e de suas virtudes, o evangelista do “Novo Mandamento”, o Evangelista que semeou o Amor como atalho para se chegar mais próximo do Senhor Deus.

Meus queridos irmãos,

Qual deve ser a primeira atitude dos cristãos a partir de uma leitura atenta do Evangelho de hoje? É a abertura de coração. O discípulo deve renunciar a si mesmo para seguir Jesus. No despojamento está a largueza da graça de Deus que nos convida a abandonar todas as vaidades e, com grande humildade, despojamento, repleto do cajado da esperança lançar as redes na edificação, entre nós, do Reino das Bem Aventuranças.

A renúncia nos pede generosidade de abertura de coração, de serviço, de compreensão, porque Jesus pertence a todos os homens e mulheres. Mais do que isso, o bem não é propriedade de ninguém e de nenhuma Igreja. O bem pertence a Deus, o Onipotente.

Será que nós seguimos Jesus? Ou será que nós seguimos às vontades próprias, os caprichos, as nossas próprias vontades que muitas vezes não são as vontades de Jesus? O Espírito de Santo está aí livre para agir e para manifestar a grandiosidade do mistério da salvação.

Chamam os menos cultos, mais os mais santos. Abraça os pobres e adverte aos ricos que é necessário repartir, que é necessário amar, que é necessário partilhar... Deus é sempre maior do que qualquer conceito religioso.

A segunda lição que vamos levar para a casa hoje é a seguinte: respeitar os que estão a caminho. O discípulo não pode agir esperando recompensa deste mundo. A grande recompensa é a vida eterna.

A gratuidade do fazer é a peça primordial na vida do cristão. Vamos aprender a repartir o pouco que temos para se transformar em muito para aqueles que não tem.

Tudo com gratuidade, sem esperar nenhuma recompensa, porque nós devemos ser servos de todos, servo ínfimo. Serviço e misericórdia duas atitudes que devem acompanhar nossas caminhadas de vida de fé.

A terceira lição que vamos levar para casa é a seguinte: o respeito pelos que estão iniciando a sua caminhada de fé. Entre os cristãos não pode haver dicotomia entre santo e pecador, cristão novo e cristão velho, pagãos e pecadores.

Todos somos iguais e somos convidados, em pé de igualdade, a experimentar o seguimento cristão, a novidade que Jesus nos legou a partir de sua ressurreição redentora. O verdadeiro discípulo de Jesus respeito os fracos na fé, serve-lhes de apoio, se faz luzeiro, isto é, salvação para estes.

A quarta lição que vamos apreender é a seguinte: a procura incessante do rosto sereno e radioso de Deus, amando a Deus de todo o coração, com todo o nosso entendimento, com todo o nosso ser, nos abrindo e nos depositando na palma da mão de Deus. O Evangelho não fala somente em mão, pé, olho, mas nas coisas que estes órgãos humanos representam.

O silêncio que nos deve interpelar é que o pé é o símbolo de nosso orgulho. Daí todos nós devemos nos depositar sob os pés do Senhor Ressuscitado.

O olho nos leva a lembrar da cobiça, da inveja, da sedução. Vamos repudiar aspirar às coisas alheias, à maldade, à volúpia, ao ser, ao ter.

 A mão é um gesto repleto de grande riqueza dentro da Sagrada Escritura. Ela pode ser usada para o bem e para o mal, para o roubo, para a posse, para as armas, para a violência. Mas, também ela pode ser usada para acolher o irmão pobre, para trabalhar em benefício da edificação da sociedade do amor entre nós. Mão que abençoa a vida dos homens pela ação da Igreja. Mão que nos encaminha para a salvação ao nos ofertar o Mistério da Eucaristia, presença real de Jesus entre nós.

Meus caros Irmãos,

A liturgia nos ensina pela primeira leitura que o povo de Israel andando pelo deserto o Espírito desce sobre a assembléia dos anciãos. Mas dois não foram à assembléia e receberam o Espírito assim mesmo. Os outros reclamaram. Então Moisés responde: “Oxalá todo o povo de Deus profetizasse e Deus infundisse a todos o seu espírito”.

 “Quem não é contra nós esta em nosso favor”(Cf Mc. 9,40). Esta é a lição da liturgia de hoje. Sempre de novo surgem na Igreja profetas para renovar as estruturas e dar vida a elas e agir além das estruturas eclesiais.

Pensemos em João XXIII, com o Vaticano II, Concílio Ecumênico que varreu o pó da imobilidade eclesial; em Teresa de Calcutá, que buscou a Justiça e a defesa dos pobres e a dignidade dos direitos humanos, em Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, que nos ensinou que Deus é Bom e que nós também devemos ser bons.

O Espírito age também através de todos quantos buscam o rosto sereno e radioso de Deus. Por todo o bem, por toda a ação libertadora realizada no mundo demos graças a Deus, o Senhor. Nenhum bem seja excluído do nosso TE DEUM LAUDAMUS, pois toda obra boa vem de DEUS, O SENHOR.

Padre Wagner Augusto Portugal
VIGÁRIO JUDICIAL DA ARQUIDIOCESE DE JUIZ DE FORA
E PRESIDENTE DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO